domingo, 24 de julho de 2011

Verão

    Em homenagem ao verão, blog de cara nova!!!

    Em um post anterior, comentei sobre a primavera, linda estação das sakuras. Hoje meu post sera sobre a estação do momento, o verão.
    Como morava em Brasília, não me preocupava muito com as mudanças de estação, pois em Brasília as estações se resumem a duas: Verão – quente e chuvoso- e inverno- frio e seco. As outras estações são apenas pequenas variações dessas duas. Entretanto essa pequena ilha presente no oceano pacifico tem as quatro estações bem definidas!
   O verão se iniciou no dia 30 de junho e desde dessa dia, realmente pode-se sentir mudanças drásticas no clima e paisagem. 
   Quando cheguei me avisaram “o verão aqui é muito quente!”. Eu como brasiliense pensei “quente o que?! Minha cidade é que é quente” e também por ter familiares que residem no sertão nordestinoachava que o verão nipônico seria tranquilo. Doce ilusão. Não vou ser exagerada e dizer que aqui é mais quente que o Brasil, entretanto, o grande diferencial é a umidade em demasia e a falta de vento! Esse fator torna (pelo menos para mim) o verão japonês o pior que já vivi.
   Contextualizando a situação: Sair de casa as 11 da manhã e caminhar ao sol por 15  minutos é o suficiente para você ficar pingando suor e queimado. Não é exagero! Fui a umfestival no dia 07/07 e passei digamos, meia hora ao sol. Isso me rendeu queimaduras de sol até nos pés! Isso é ridículo, mas a pura verdade!  Até quando chove, o tempo continua abafado. Os japas tem uma expressão para esse tempo, que é chamada 蒸し暑い(mushiatsui - tempo quente e abafado). Esse país é quase um forninho. As vezes me sinto cozinhando em banho-maria! Acho que já deu para perceber que não sou a maior fã do verão.

Matsuri da Handai. Vejam como o sol estava forte!


   Devido ao extremo calor e sol forte, as mulheres japonesas encobrem-se de diversos acessórios, para evitar escurecer a pele. Viseiras, chapéis, meias nos braços e para todo lado levam consigo guarda-chuva. Tudo para evitar ficar da cor do verão. Algumas chegam até parecer um E.T. de tanta coisa. Aqui também, em muitas lojas são vendidas roupas contra UV. Viva a tecnologia japonesa!    Outro fator observado, são os dias mais longos. Agora as quatro da manhã, o sol está a todo vapor e as 7:30 da noite ele começa a se por. Realmente, os dias são bem longos.  Ao contrário do que acontecia no inverno, em que as sete da matina o sol não queria aparecer e as seis da tarde estava completamente escuro. Vivendo aqui, vejo que minha professora de geografia não estava inventado coisas e sim falando a verdade! Hauhauahau
    O verão também traz consigo os insetos. SENHOR! O país para ter insetos! Em menos de um mês, desde o começo da estação, meu quarto já foi visitado por lacraias, baratas e aranhas, sem contar os queridos pernilongos que surgiram como por geração espontânea! E olha que meu quarto é sempre limpinho! No parque, que passo todo dia para chegar a Universidade, é possível se ver milhares de teias de aranha por todo lugar!    E quem disse que o verão não tem seu romantismo?! Nessa época do ano, podemos escutar a “doce” serenata das nossas amigas cigarras! Isso é um saco! Chega a ser ensurdecedor! E digo isso, pois infelizmente, eu tenho uma árvore bem ao lado da minha cama!



  Para não dizer que o vera só traz coisas ruins, vamos falar de coisas interessantes. Nessa época, podemos ver as mais bonitas paisagens. O céu adquiri cores bonitas e durante os episódios que chove, podem ser vistos belos arco-iris. Outro dia, aconteceu um arco-iris duplo.

 Sete e meia da noite. O céu cor de rosa.


Arco-íris duplo. Fotinho tirada pela Marina!


   Além das belas paisagens, o verão é a época dos festivais (matsuri - 祭り). Muita comida, música e fogos de artifício, podem ser vistos nos maturis. A única coisa ruim, é que eles são EXTREMAMENTE cheios. Deve-se sempre tomar cuidado para não morrer pisoteado nesses eventos. Nessa festa, japoneses e estrangeiros, desenterram do armário o yukata (uma espécie de vestimenta tradicional, que lembra o quimono, mas especifico para o verão) e saem as ruas. Podem ser visto milhares de garotas e garotos usando yukatas nas ruas em matsuris. 

Yukata feminino.

Yukata masculino.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Mudança


Estamos em constante mudança. Essa é uma frase clichê, que todos escutamos, poderia até dizer, mais de uma vez por dia.
   Uma vez, quando fazia cursinho pré-vestibular, uma professora, da qual gosto muito, me disse uma frase que sempre vou me lembrar: Um homem nunca se banha duas vezes no mesmo rio. A cada segundo que passa, o homem não é o mesmo, nem o rio... 
    Voltando aos conceitos biológicos, é graças as mudanças (genéticas, como mutações) que fizeram o ser humano ser o que é hoje.
  Desculpem o momento nerd de novo, mas afinal eu sou bióloga e como tal não deixo de ver biologia em tudo! Afinal biologia é o estudo da vida! Tá, parei! *.*
Entretanto, o foco do post não são as mudanças genéticas ou sentimentais (se bem que tenho certeza que ambas tem ocorrido bastante), mas sim sobre minha mudança de moradia. Como falei a alguns posts atrás, depois de um certo tempo, vivendo no dormitório, você precisa se mudar.
Cerca de quatro meses atrás, eu tinha conversado com a diretora do dormitório aonde vivo, e ela tinha me assegurado que eu poderia ficar no dormitório até marco de 2012. Por isso, estava eu bem tranquila, vivendo sem me preocupar em guardar dinheiro para a mudança *especificadamente para isso). Visto que, nesse momento estou pagando a minha passagem par voltar para o Brasil e a grana está curta. Entranto, minha paz foi quebrada a cerca de três semanas. Um belo e carinhoso bilhete foi colocado na minha caixa de correio, me informando: “Seu prazo para se mudar é até dia 25/09”! Eu fiquei chocada! O.o
No dia seguinte, fui falar com a diretora e ela confirmou que eu não poderia ficar, visto que muitos novos estudantes estavam vindo. Nossa, eu fiquei extremamente preocupada! Primeiro: não estava preparada financeiramente para uma mudança (sim, realmente gasta-se o olho da cara para se mudar). Segundo: minha passagem para o Brasil está marcada para o início de setembro e com retorno só para outubro. Como eu iria me mudar em 25/09 se nem presente no Japão eu estaria?
 Ai, bateu o desespero. Eu estava já me sentindo uma sem-teto. Tá, eu sei que é exagero, mas era assim mesmo que eu estava me sentindo. Então, comecei a caça pelo meu novo cafofo. Recrutei, a gentil e solidária, Marina para me ajudar (obrigada de novo, Marina), visto que minhas limitações linguísticas não me ajudariam na hora de conseguir meu apartamento. Fomos a uma das maiores agências imobiliárias daqui e vi alguns “apertamentos” (porque são pequenos mesmo). Logo de cara, vi dois que me interessaram muito. No mesmo dia, fui visitar os dois.
O primeiro era em um local tão “mocado”, mas tão “mocado”, que eu acho que sempre iria me perder no caminho para casa. O ap. era no térreo (primeiro andar no Japão), até ai, sempre problema. Entretanto, o prédio e o ap. eram muito velhos. O banheiro não tinha pia. A banheira era velha. O cheiro do ap. era de velho. E para piorar, a varanda era direcionada para a rua. Ou seja. Se eu abrisse a janela, qualquer um que passasse pela rua veria o que estava acontecendo dentro do meu quarto. Esses fatores fizeram com que eu eliminasse esse ap. da lista, mesmo ele sendo bem barato.
Confesso que estava bem preocupada com o segundo apartamento, pois eu realmente tinha gostado do primeiro (nas fotos, pelo menos, eu tinha gostado bastante). Quando cheguei ao local do segundo ap., olhando o prédio, pensei “esse eu não vou gostar também”. Entretanto quando entrei no ap., foi amor à primeira vista. O apartamento é no segundo andar (ap. de canto), quarto é de tatame e bem espaçoso, banheiro legal e novo, closet enorme. A cozinha tem uma boca de fogão e uma micro-geladeira (melhor que nada, pois e eu posso me virar por uns dias com isso). E o melhor, duas enormes janelas. Não exitei e fiquei com ele (confesso que exitei sim, mas senti que aquela deveria ser minha nova moradia).  Neste dia, não dormi me sentindo uma sem-teto! ^^
Meu prédio.


Um problema fora resolvido, no entanto outros maiores estavam ainda por surgir. O primeiro e mais importante (depois de achar o ap.), era o dinheiro. O primeiro empecilho, a taxa de agradecimento (reikin - 礼金). Essa taxa deve ser paga ao proprietário do apartamento assim que se assina o contrato de aluguel. É uma taxa de proteção, visando assegurar que se houver qualquer estrago ou imprevisto no ap., essa taxa será usada. Não existe um valor fixo para o reikin, ele pode ser barato ou de até  mais de 6 vezes o valor do aluguel. A minha taxa era de 100.000 yens (equivalente a um pouco mais de 1000 dólares). Além dessa taxa”amiga”, devo pagar seguro, e outras milhares de taxas. Resumindo, no frigir dos ovos terei que desembolsar a pequena bagatela de 2000 dólares. Quem disse que mudar era fácil?!
E ainda, depois da mudança, virão mais gastos com móveis, utensílios para o lar entre outros.... Prevejo um futuro misarável em minha vida! T_______T
Outro problemas também são as burocracias... Milhares de papéis para assinar, vai e volta da imobiliária e Universidade. Isso porque a Universidade está se tornando “resposável” por mim quando eu alugar o apartamento. Isso quer dizer que se der “pepino”, o proprietário vai ligar para a Universidade para me delatar! Olha que coisa bonita! *tom irônico*.
E mais problemas vem depois da mudança. Logo que me mudar terei que mudar o meu endereço nas companhias de telefone, banco entre outros. Ai, que preguiça!  E o maior problema, trocar o “alien registration card” (toriokusho). Assim que você se mudar deve-se ir ao “City Hall”, uma espécie de prefeitura, e informar que você, agora,  reside naquela região. Essa é uma maneira de eles saberem quem vive no local. E agora sairei de Suita, para Minoo, ou seja novo City Hall, novas papeladas. Já disse que odeio essas milhares de burocracias?!
Apesar dos pesares, confesso que estou ansiosa para me mudar. Até já me imagino no meu cafofo. E poderei dizer, pelo menos de certa forma, que ele será o meu lugar! ^^

Bem, conforme as coisas forem acontecendo, eu erei reportando. E vamos a “saga da mudança”!