quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Ir ao banheiro e agora?


  Hoje vou falar sobre um assunto não muito comum, mas um pouco complexo quando se chega ao Japão: os banheiros.
   Alguns já devem ter ouvido falar ou visto como funcionam os banheiros por aqui. Na verdade, os assentos dos vasos sanitários são o que causam um pouco de “preocupação” quando se entra em um banheiro no Japão.
  A primeira vista, realmente é meio assustador, pois você se depara com um monte de botões e as vezes nem sabe aonde fica a descarga. Em lugares como estações e shoppings você irá se deparar com esses assentos. No entanto, em lugares de grande fluxo de pessoas, existem indicativos da função de cada botão.
    No Japão, até a hora de fazer as suas necessidades fisiológicas requer conforto. Nos assentos existe a função de bidê e para lavar aquelas partes mais ocultas. Outra vantagem que pode ser encontrada em adquirir essa peça de banheiro é que alguma delas vem com aquecimento. Isso mesmo, no inverno, quando está aquele frio horroroso, você pode ir ao banheiro e se sentar em um assento quentinho.  Diante de todas essas opções, para nós, que ao entrar em um banheiro e apenas encontramos o botão da descarga, pode ser bem complicado usar um banheiro.
  Outra coisa bem difundia (pelo menos no banheiro das mulheres, visto que nunca entrei num banheiro masculino) é um aparelho que emite sons quando se está usando o banheiro. Sim, esse aparelho pode emitir sons variados como o de uma corrente de água, canto de pássaros e por aí vai. Isso para mascarar o som que se faz quando se está fazendo as suas necessidades. Essa opção também pode estar embutida no assento. Isso significa mais botões para se lidar.

Assento de vaso sanitário e visão dos botões e suas utilidades.


   Mas nem todos os banheiros contam com toda essa modernidade. Em alguns casos, o banheiro não chega a ter um vaso propriamente dito. E isso não é coisa de interior ou cidade pequena. Aqui, existem duas opções, quando se vai ao banheiro. O western style (estilo ocidental) que tem o vaso sanitário e o Japanese style, que grosseiramente falando seria um buraco no chão. Tá não é apenas um buraco, mas um vaso enterrado no chão. Nesse caso, o usuário deve ficar em posição de cócoras para usar o mesmo. Japonesas mais idosas preferem usar esse tipo de banheiro.  Esse seria, para nós, um banheiro de estilo antigo, mas até hoje, existem pessoas que não sabem “usar” um vaso sanitário. Em alguns lugares, pode-se observar sinais explicando como o usuário deve fazer.


Banheiro estilo japonês.


     Outro ponto bastante curioso daqui é quanto ao descarte de papel higiênico. Em geral, todo o papel higiênico usado deve ser jogado no vaso sanitário. Aqui, os cestos de lixos em banheiros só são usados para descartar coisas que não podem ir vaso abaixo.  A qualidade do papel é bem diferente da do Brasil, de maneira que quando o papel fica úmido, rapidamente ele começa a se desfazer.

Como usar o vaso sanitário e sinalizando que o papel higiênico deve ser jogado no vaso.


Esse aviso ensina aos estrangeiros como usar o banheiro japonês.


   Papel para enxugar as mãos também não é algo muito difundido. Em geral, nos banheiros pode ser observado aquele aparelho de emite um vento que seca as mãos. No entanto, a maioria das mulheres carrega em suas bolsas toalhinhas que são usadas nesses momentos. Uma maneira mais ecológica de secar as mãos.

    Quanto a estrutura física dos banheiros, essas podem variar de acordo com o tipo de residência. Como as casas aqui são feitas de materiais mais leves (por causa dos terremotos) os banheiros (paredes, teto e chão) são de plástico. 
     Em algumas casas, o vaso sanitário se encontra em um cômodo separado do chuveiro e para economizar espaço, nesses casos, o vaso sanitário tem uma parte destinada para lavar as mãos. A água que será usada na descarga, antes passa por uma torneira e é disponibilizada para que o usuário lave suas mãos.


Vaso em que a água da descarga é disponibilizada para lavar as mãos.

    Por mais simples que a casa seja, ela terá uma banheira (ofuro - おふろ - お風呂). Isso porque os japoneses preferem um banho de banheira a apenas uma ducha. E o aquecimento da água para o banho é a gás. Na maioria das casas há um controle da quantidade de gás, para que a água seja aquecida a determinada temperatura.



Controle do gás para aquecer a água e um típico banheiro de casas japonesas. A banheira é peça essencial.


   Ao entrar nas casas japonesas você deve tirar o sapato, por isso, muitas pessoas disponibilizam sapatos especiais para serem usados dentro do banheiro, para que você não suje os seus pés.  


Chinelos para se usar nos banheiros.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Au, au = wan wan


O título desse post foi inspirado nas onomatopéias japonesas. Decidi falar um pouco sobre as curiosidades da língua e alguns comportamentos comuns por aqui.

1) Onomatopéias são dependentes da língua, mas é engraçado perceber como coisas simples podem ser tão diferentes. Como citei no título do blog, para os nipônicos, os cachorros não fazem "au, au", mas sim "wan, wan"  (ワンワン).  Já os gatos não fazem “miau” e sim “nyan, nyan” (ニャンニャン).  O nosso “ai, ai”, para a dor, para os japoneses é “itai” (いたい - 痛い). Quando o coração bate forte é doki doki (どきどき). Quando algo é muito fofo e macio eles falam “fuwa fuwa”.  Nessa página, eles falam um pouco das onomatopéias faladas pelos japoneses. 



2) Em geral, quando se vê muitos animes ou se conhece um pouco sobre a língua japonesa, aprende-se que a palavra para amigo é tomodachi (ともだち - 友達). No entanto, para um japonês chamar o outro de tomoachi, a pessoa deve possuir certa intimidade com o outro. Caso contrário, o “amigo” será chamado de nakama (なかま - 仲間). O que poderia ser qualificado como um termo mais geral para companheiro, aquele que convive com você. Usar tomodachi não é errado, mas demonstra que você é mais próximo a pessoa. No entanto, alguns dizem que chamar alguém de tomodachi é comportamento de criança.

3) Os japonese procuram, na maioria das vezes, serem mais amenos na hora de mostrar seus sentimentos por algo ou alguém. Sejam eles bons ou ruins. Vide o exemplo da palavra amor. Amar, no sentido literal seria “Aishiteru” (あいしてる - 愛してる). No entanto, quando se gosta de alguém, no sentido amoroso, normalmente se usa “daisuki”, que seria equivalente a gostar muito. O Aishiteru seria mais usado quando o sentimento de amor é grande e forte, pois a palavra a reforça do sentimento. Outro exemplo é quando odeia algo. A palavra para odiar ou desgostar de algo seria “kirai” (きらい - 嫌い). Em situações comuns, os japonês não usam essa palavra. Kirai significa que você realmente odeia (não suporta) algo ou alguém. Para serem mais “educados” eles usam a expressão não gostar “sukijyanai” ( すきじゃない - 好きじゃない).  



     Um ponto engraçado sobre ser cuidadoso no uso de palavras é para se expressar com relação a comida. Algumas vezes, os japoneses comem algo que não lhes agrada, mas eles nunca dirão que não gostaram. Eles sempre vão sorrir, dizer que está gostoso (oishii – おいしい - 美味しい) e vão deixar a comida de lado.  E se você perguntar o que eles acharam, mesmo achando uma porcaria, eles vão sorrir e repetir que está gostoso.


4)  Quase todos os impasses são resolvidos no “jankenpon” ou o famoso pedra-papel-tesoura ( じゃんけんぽ- じゃん拳ぽん). OK, estou exagerando um pouco, mas realmente, não só crianças, como jovens e adultos resolvem alguns impasses com essa brincadeira. Em todas as vezes que tive que dividir quarto com algumas japonesas, para decidirmos as camas, usávamos esse método.  




5) Quando você perde algo na rua, as pessoas tendem a te devolver e caso, elas não achem os donos, elas deixam a coisa o lugar. Ninguém pega nada que esteja “perdido”. Uma exceção a isso são carteiras ou coisas de grande valor. Nesse caso, os japoneses pegam o objeto e levam a delegacia mais próxima, para que seja mais fácil para o dono encontrar o objeto. Um ponto curioso é que existe uma lei que se você devolve uma carteira, você pode exigir que o dono lhe dê 25% do dinheiro que está nela. Isso seria como uma recompensa e também uma forma de evitar que as pessoas retirem o dinheiro da carteira antes de devolvê-la ao dono.

Uma luva perdida. Quando se perde algo, geralmente, os japas põe as coisas em um lugar visível, para que o dono possa ver.

6) Jovens e adultos gostam muito de coisas fofas. Sejam homens ou mulheres. É muito comum se ver mochilas, bolsas e celulares cheios de chaveiros e penduricários de personagens da Disney ou de mangás e animes. Alguns japoneses gostam tanto dessas coisas que enchem seus carros de bichos de pelúcia. Já vi várias vezes carros em que os painéis estavam lotados de bichos de pelúcia da Hello Kitty, pokemons.

Coisas fofas em todos os lugares.


  7) Como em todo o Japão é realizada a coleta seletiva de lixo, deve-se tomar cuidado na hora de descartar as coisas. Já falei um pouco sobre isso anteriormente, mas muitos japoneses tendem a acumular jornais, revistas, papelão, latas e garrafas até o dia da coleta (que geralmente são duas vezes no mês). Nesses dias você pode ver pilhas de lixo nas frentes das casas. 

Pilhas de jornais e revistas para a coleta.


terça-feira, 8 de outubro de 2013

Nem só de sushi vive o japonês.

    Bem, decidi nesse post falar apenas sobre comida. Muitas pessoas falam “hum, queria comer comida japonesa” e isso acaba sendo sinônimo de sushi e sashimi. No entanto, estes não são os pratos mais consumidos por aqui.
   A base da comida japonesa é o arroz. Em todas as refeições o japonês consome arroz. Esse grão é de uma variedade diferente do comercializado no Brasil;  é cultivado em campos alagados. Depois de cozido, ele sempre fica grudento, não importa a técnica que você use. Só assim para você comê-lo usando os famosos pauzinhos (hashis -  お箸 -おはし). O arroz branco (gohan –ご飯 ごはん) não leva nenhum tipo de tempero, assim os japoneses apreciam o verdadeiro gosto do arroz. Caso você ache sem graça, existem temperos que você pode colocar sobre o mesmo após ele ficar pronto. Um exemplo disso é o furikake (ふりかけ-振り掛け). Exitem furikakes de vários sabores.
   Outro tipo de aliemento cuja base é o arroz é o oniguiri ou bolinho de arroz (おのにぎり- お握り). O arror é cozido, colocado em uma forma, recheado e enrolado na alga (nori - のり - 海苔). Existem vários tipos de recheio e eles são vendidos em qualquer lugar . Ótimos para um lanche rápido.

Onigiri. Recheado com atum, ovo e pepino.


  O hábito de consumir carne bovina não é muito difundido, pois a carne é cara. Nos mercadas são vendidos pequenos e finos pedaços. E como já mencionei em post anteriores, a carne apresenta aspecto de carne de terceira, cheio de gordura, pois o japonês acha mais gostoso.
  O frango e carne de porco são mais baratos. Embora, da mesma maneira, você compre essas carne em pequenas quantidades. Uma curiosidade é que os  japoneses gostam de comer a pele de frango frita, como aperitivo (semelhante ao sistema do torresmo).
   O peixe é a carne mais consumida. Sendo o mais barato entre todos os tipos de carne. No entanto, peixes como atum, são bem mais caros que o salmão. Os pedaços mais caros do peixe são os mais macios e gordurosos. E esses são usados no sashimi.
   Diferentemente do Brasil, existem lugares em que você pode comer sushi e sashimi por um preço bem barato. Os lugares específicos para esse tipo de comida são chamados de kaitensushi (かいてんすし - 回転寿司). Eles são bem populares e você pode comer um prato de sushi, a sua escolha, por cerca de um dólar. Esses não são os lugares com os melhores tipos de peixe, mas isso não que dizer que não seja gostoso. Claro, que se você estiver disposto a pagar uma grande quantia, pode comer o sushi da melhor parte do peixe. O sushi de magurô (atum - まぐろ -鮪) pode custar dez vezes mais que um sushi comum.
   
   Empanados também fazem sucesso por aqui. Eles podem ser de carne ou de vegetais, como batata e abóbora. As carnes  empanadas recebem o nome de katsu (que poderia ser definido como o corte de um pedaço de carne - カツ) podem ser consumidas sozinhas ou juntamente com arroz e outras coisas. Já os croquetes (kuroketto -  九ロケット) podem ser de carne, milho, caranguejo, abobora e curry.  

Frango empanado. Acompanhando um molho de shoyu.

Sushi e croquete comprados no supermercado.


   Donburi são pratos com arroz e carne (ovo também incluso). Geralmente, a carne, depois de empanada, é cozinhada em uma mistura de shoyo, temperos e ovos. Depois de desse processo, é colocada em cima do arroz. Com carne de porco é chamado de katsudon, com carne bovina guiudon (guiu é de carne bovina – giuniku - ぎゅうにく - 牛肉) e tamagodon é a versão como ovo (tamago -  たまご- 卵).

Katsudon e tamagodon.


   Kare (カーレ) ou curry é um prato indiano, mas também bastante consumido pelos japonês. 

Katsu kare. O curry acompanhado por arroz e um pedaço de carne de porco empanada.


   Não poderia esquecer de falar do famoso ramen (ラーメン). Ele é uma versão requintada do nosso miojo. Contendo carne e outros adendos. Sempre muito apreciado e em qualquer lugar, você encontrará um loja de ramen.



  Bem, isso é só um pouco do que pode-se encontrar por aqui. Ainda existe uma infinidade de comidas que são consumidas no Japão e são igualmente gostosas (e diferentes do que se encontra no Brasil). Em outros posts eu talvez falarei sobre eles e espero ter despertado a curiosidade - e apetite - de todos. ^^

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Facilidades e dificuldades em se viver no Japão

    Esses dias estive conversando com algumas pessoas e alguns dos tópicos mencionados nesses conversas foram as facilidades e as complicações de se morar no Japão. Diante disso, decidi falar um pouco sobre isso no post desse mês.


1)  Animais de estimação.

      - No Japão, pelo fato de ser uma ilha e a falta de espaço ser um fator determinante, os animais, em geral, são controlados. Quem é biólogo ou estudou algo do gênero, sabe que em caso de ilhas, espécies “invasoras” podem se tornar uma praga em ilhas.  Diante disso, todos os animais devem ser registrados. Quando você compra um bicho de estimação, como um cachorro ou gato, você recebe um certificado de responsabilidade e em muitos casos, o animal vem com um chip implantado. Esse chip contem informações do animal e do dono, para em caso de perda do bicho, ele possa ser devolvido. Recomenda-se também, que o dono pague um seguro anual para o bicho.  Caso o animal morda, machuque ou cause problemas a terceiros, esse seguro cobrirá os danos.  

     - Como o espaço para criar cachorros é limitado, a maioria das pessoas prefere cachorros de pequeno porte. E os donos sempre saem com seus bichinhos para passear. Nesse momento, se o animal faz suas necessidades, o dono é obrigado a recolher a “sujeira” do cachorro e jogá-la no lixo. Donos que não cumprem a lei, podem ser multados. Assim, os donos dos bichinhos sempre carregam com sigo sacolas. Muitos até levam um “kit” para limpar o cachorro depois do passeio terminado.

      - Aqui, também não se pode observar cachorros abandonados. Isso, pois a carrocinha recolhe e sacrifica todos os animais sem dono.

  - Outro ponto é que poucos pássaros são vistos por aqui. Tirando os corvos, claro. Esses pássaros são considerados sagrados, por isso, em todos os locais existem vários corvos.




2)   Carros e trânsito

    -  Como já disse algumas vezes, o sistema de transporte no Japão é bem eficiente. Temos trens, metrô, ônibus, monorail... Viver sem um carro não é algo impossível por aqui.  Mas para aqueles que preferem um veículo, seja ele carro ou moto, tem que se preparar para várias regras, burocracias e taxas.  A idade mínima para se dirigir aqui é 18 anos, assim como no Brasil. E também, assim que você passa nos exames, teóricos e práticos, você ficará com uma carteira provisória, por um ano. E caso você cometa alguma infração, não poderá pegar a carteira definitiva.  Se você é um bom motorista, terá privilégios também. A cada 10 anos, se você não cometer nenhuma infração, você receberá um carteira de motorista da classe ouro. Isso lhe dará direito a não pagar multas leves.

    -  Quando você comete alguma infração, o policial irá parar o seu carro e pedir que você entre na viatura. Lá, ele falará sobre a sua infração e conversará com você sobre como agir corretamente no transito. Essa conversa pode ser rápida, ou até demorar vários minutos. Tudo depende da infração.

    -  Assim que você tira a carteira e começa a dirigir, você deve, também, fixar um adesivo em seu carro. Ele serve para alertar os motoristas que você é inexperiente no trânsito. Idoso e pessoas com crianças pequenas também devem fazer uso desses adesivos. Cores e formatos diferentes são usados em cada categoria.

Adesivos que devem ser colados nos carros. O verde e amarelo é para os novos motoristas, já o amarelo e laranja é usado para os motoristas idosos.
      - Outra coisa categorizada é a potencia do carros. Um carro que  é compacto e o motor é de baixa potência, se não me engano, o nosso 1.0, recebe uma placa amarela. Esses carros são mais baratos - os chamados carros populares – e menores. Já os carros mais potentes recebem uma placa branca. São mais caros e maiores.



Carros de diferentes placas, branca e amarela.


   - Com relação a taxas: sempre que se compra um carro, além dos impostos, você deve pagar pela área de estacionamento. Sim, se você tem uma casa, mas não tem garagem, para estacionar na rua, você deve pagar. Essas taxas são bem salgadas, pois como já ressaltei, espaço é algo caro por aqui. Por isso, a maioria dos estacionamentos é privada e o estacionamento cobrado por hora ou diária.

     - Em muitos lugares, quando o semáforo abre para os pedestres, também abre para carros. Nesse caso, o motorista deve dar a preferência ao pedestre. Isso funciona na maioria das vezes, mas em alguns momentos, parece que você vai ser atropelado. 

         - As rodovias, em sua maioria, são privatizadas. Assim, todas são bem conservadas e deve-se pagar pedágio para poder circular pelas mesmas. Em vários pontos, existem telefones públicos a beira da estrada, para caso haja algum problema, você possa se comunicar rapidamente. Se ocorrem acidentes, existem placas eletrônicas que informam o evento, além de dizer se há ou não congestionamento, e quantos quilômetros de congestionamento o motorista enfrentará. 



Rodovias japonesas. Placas com todas as informações.


           - A faixa da direita (visto que aqui a mão é inglesa) é apenas para ultrapassagem. Se você for pego andando na faixa da direita de maneira constante, você pode ser multado. 



3) Dinheiro

       -  No Japão, a moeda é o iene ( En – えん - 円).  Notas e moedas tem igual importância por aqui. No Brasil, muitas vezes, deixamos a moedinhas de lado, mas aqui, posso até dizer que elas são mais usadas que as cédulas. Temos moedas de 1,5,10, 100 e 500 ienes. Quanto as cédulas, temos a de 1000, 2000 (rara, mais usada em Okinawa), 5000 e 10000 ienes. Lembrando que a cotação seria de 1000 ienes = 10 dólares.


Moedas e notas.


     -  Quando se compra algo, até o último iene é importante. Nas lojas de 1,99 daqui (conhecidas como 100 iene shopping – hiyaku en shopu – ひゃくえんしょっぷ -百円ショップ) se seu troco for 1 iene, o caixa te dará o 1 iene. Nada de balinhas ou ficar devendo para a próxima. Da mesma maneira, se faltar 1 iene, você não poderá comprar o produto.

     -  Embora o cartão de crédito seja usado com frequência, algumas lojas não aceitam o mesmo, preferindo que você pague a vista.  E o sistema de débito automático não existe por aqui (pelo menos, eu nunca vi algo parecido).

     -  Mesmo que não se tenha o débito autômatico, alguns bancos fornecem um chip ao cliente, que deve ser colocado no celular e que funciona como um cartão de crédito. Em supermercados e lojas, existem máquinas especiais que lêem esse chip e autorizam a compra ao encostar o celular na leitora.

        - Quando você quer saber o histórico da sua conta, a maquina não libera aquela imensa lista com toda a sua movimentação bancária. Para isso, existe uma caderneta. Quando você abre a conta em um banco, você recebe a mesma e pode usá-la da mesma maneira que usaria o cartão para saque. 



Caderneta, usada para saques e extrato.


        -  Os japoneses não tem o hábito de pexinxar nas compras. O preço pedido, é o preço que deve ser pago. Nunca vi alguém tentando barganhar preços por aqui.

       -  Os 10% dos garçons não são cobrados e não existe a chamada “gorjeta”. Se você tentar dar algum dinheiro a mais para um garçom ou taxista, devido a um bom serviço, eles irão se recusar a receber, dizendo que você está dando dinheiro demais.

     - Quando você paga algo, o caixa da loja tem o costume de contar o troco na sua frente. Principalmente se você entrega notas de alto valor, como 5000 e 10000 ienes. Eles contam até duas vezes, ante de te entregar o dinheiro, para garantir que você não tenha o direito de reclamar que recebeu troco errado.



  4) Celulares 

         - Todos o japoneses tem celulares. Atualmente, existem várias companhias de telefonia celular, mas as mais famosas são a Softbank, Docomo e Au.

          - Aqui, não existe sistema de desbloqueio de celular. Isso significa que se você comprar um celular da Au, só poderá usar nele o SIM da Au. Desbloqueio é crime.


Alguns modelos de celulares japoneses.


           -  Não se pode passar um sms para pessoas de operadoras diferentes. Se você é cliente da Au, você não pode enviar mensagens para alguém da Docomo e virse-versa. Por isso, todos os celulares japoneses tem um email vinculado ao número de telefone, assim você pode enviar emails para as pessoas de outras operadoras. No entanto, com a presença de app como LINE (que é a versão japonesa do Viber e Whatsapp), as pessoas tem usado menos o email e se comunicado mais usando esses aplicativos.


    5)   Produtos originais e livros.

          - Japoneses não comprar nada falsificado ou imitações. Em geral, japoneses não fazem downloads de filme na internet. Não só filmes, como músicas, roupas e acessórios. Eles são bem rígidos com isso . Por exemplo, se você quer comprar um CD, mas não sabe se vale a pena, existem lojas, como a Tsutaya, em que você pode alugar o CD. Assim, você escuta e decide se deve comprar ou não. Locadoras de filmes também são bem comuns devido a esse fator.


Tsutaya, uma das maiores redes para alugueis de CDs e DVDs.


        - Se você quer comprar algo original, mas não tem tanto dinheiro, você pode optar pelas lojas de segunda mão. Nelas, vários produtos (roupas, sapatos, jóias, CDs, DVDs, livros, etc.) podem ser comprados por menos da metade do preço. Como os japoneses, em geral, são bem cuidadosos, a maioria das coisas vendidas parece nova. No entanto, se o produto tiver algum defeito, ele será informado na etiqueta. Também, geralmente, se informa o tempo de uso do produto.   


Book off, uma das lojas mais famosas para comprar CDs, livros, mangas e DVDs usados.



         - Devido a esse atitude do povo japonês, aqui foi um dos poucos lugares do mundo em que a regra de proibição dos downloads vigora. Não se podem fazer downloads de nada que você não tenha pago. Caso alguém faça, este pode ser detido, com pena de pagamento de multa até prisão.

      - Os japoneses cultivam bem o habito de leitura.  Livrarias são sempre cheias e os livros japoneses são até bem baratos. Em trens, aviões, sempre é possível ver muitas pessoas lendo. No entanto, ebooks não são tão difundidos. As pessoas ainda preferem os livros “reais” embora o Ipad seja bastante vendido por aqui.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Aprendendo um pouco mais sobre as coisas do Japão


  No post desse mês vou falar sobre mais curiosidades do mundo japonês.



1)      Garotos e garotas curtem o estilo kawai. Isso quer dizer que em muitas vezes pessoas de ambos os sexos se forçam a agir de maneira fofa e delicada, para parecerem bonitinhos. Eles fazem isso na maneira de vestir e agir; fazendo caras e bocas e muitas vezes até forçando a voz para falar de uma maneira “meiga”.

2)      Sempre quando você entrega um presente ou algo para uma pessoa, você deve fazer isso empunhando o objeto com as duas mãos. Isso demonstra respeito e, no caso de um presente, que o mesmo é dado de coração.

3)      A numeração de sapatos aqui é baseada no tamanho do pé. Por exemplo, calço 37 no Brasil, aqui minha numeração é 24 ou 24.5 cm, dependendo do sapato. Falando em sapatos, as japas adoram um salto alto. Independente do modelito, elas sempre fazem uso desse tipo de sapatos. No entanto, é bem comum você ver algumas garotas andando meio desengonçadas ou mesmo se arrastando no saltos. Tudo em nome da beleza.

Tabela com o tamanho dos sapatos no Brasil e em outros países.


4)      Tamanhos de calças e saias em algumas situações também se baseiam na circunferência da cintura.

5)      Em viagens de ônibus (interestaduais), existem regras de etiqueta a serem seguidas. Quando você entra no ônibus existem panfletos e avisos por parte do motorista de como agir. Um exemplo é quando você deseja reclinar seu banco, você sempre deve, antes, pedir permissão para pessoa que está atrás de você.

Manual de regras do ônibus.


6)      Japoneses evitam ao máximo a exposição de sua vida particular. A menos que você seja bem próximo deles, eles evitam falar de família e contar sua história  de vida. Até nas redes sociais, muitos deles evitam postar fotos de seus rostos e coisas muito pessoais. Para manter a privacidade, por exemplo, os e-mails deles não contem os nomes ou coisas que os identifiquem diretamente. Por exemplo, eles escolhem ID com palavras e números aleatórios.

7)       Nos quartos de hotéis, mesmo naqueles que seriam considerados do estilo ocidental, o hotel geralmente fornece um pijama para cada hóspede. Eles oferecem todo o kit básico que geralmente vemos nos hotéis no Brasil: xampu, condicionador, toalhas... Mas aqui, todos oferecem isso mais touca para banho, aparelho de barbear, pente, creme corporal, escova de dente e pasta de dente (com direito a um copinho para você pegar água para fazer o bochecho), chinelos para você andar no quarto (visto que você deve tirar os sapatos para andar no mesmo) e pijama. Quanto mais chique o hotel, mais coisas são oferecidas.

Pijamas oferecidos pelo hotel.


8)      Homens, geralmente, não entram em lojas de lingerie. Se um cara entra sozinho nesse tipo de loja ele é visto como tarado.

9)      Japoneses não costumam fazer grandes compras em supermercados, pois eles primam por produtos frescos e de boa qualidade. Geralmente, eles fazem compras pequenas, semanalmente. Tanto que as coisas, por aqui, são vendidas em menores quantidades (tirando o arroz).  Outra coisa bem interessante é que sempre, ao final do dia, funcionários do supermercado passam com suas maquininhas diminuindo o preços de alguns produtos, como o das marmitas e pães. Algumas pessoas que conhecem a rotina do mercado, sempre procuram ir nessas horas para comprar as coisas mais baratas. E se o produto também está perto da data do vencimento, os preços também são reduzidos.

10)    Sempre que você vai a um mercado ou loja, no caixa eles te perguntam se você vai querer sacolas. Se você disser que não precisa, você recebe um pequeno desconto.

11)   Em tudo o que você compra, você verá dois preços, o preço do produto e o preço do produto acrescido de imposto. E em alguns restaurantes, na conta, vem descrito as calorias de cada prato consumido.

12)    Em cidades menores existe o tipo de mercado “pegue e pague”. Pequenos agricultores expõem seus produtos na frente de casa e os deixam lá. Quem quiser comprar, pega o que quer e deixa o dinheiro em uma cestinha.

13)   Alguns restaurantes e bares oferecem o serviço de “coma o quanto quiser” (tabehoudai – たべほうだい - 食べ放題)  e  “beba o quanto quiser” (nomihoudai - のみほうだい - 飲み放題). Você paga uma certa quantia, e por um período de tempo, geralmente de 30 a 120 minutos, você pode consumir várias coisas.



Bem, essas foram mais algumas das curiosidades que lembrei para descrever aqui no blog...  

sábado, 22 de junho de 2013

Entreterimento - Parte II

No post de hoje, decidi explorar mais um pouco sobre o tema passado: entreterimento.


Teatro

   Acho não erraria ao dizer que todo mundo, quando pensa sobre o teatro japonês, lembra do Kabuki (かぶき - 歌舞伎).  Esse é um estilo de teatro antigo.  Nele,  apenas homens interpretam os personagens.  Os atores tem os rostos bastante pintados e figurinos tradicionais. Os temas das peças podem de cunho religioso ou do dia-a-dia.   Por muito tempo, esse estilo foi bastante famoso e os artistas muito prestigiados por estarem ligados a esse meio. Existem ainda alguns grupos de kabuki no Japão, mas não é algo tão comum e popular. As peças não são muito baratas,  por isso nunca tive a oportunidade de ver.  Para mais informações sobre o Kabuki, veja aqui.



Kabuki, grupo composto apenas por homens.


   Em contra posição ao Kabuki temos o Takarazuka (Takarazuka Revue -  たからずかかげきだん - 宝塚歌劇). Esse grupo surgiu no em 1913, na região de Hyogo. Ao invés de apenas homens participarem das peças, no Takarazuka, apenas as mulheres interpretam os papéis. O estilo do Takarazuka é mais para um musical.  O grupo  interpreta peças variadas: O Fantasma da Ópera,  A Bela e a Fera, Alladin, Romeu e Julieta e claro, peças tradicionais japonesas.  As mulheres são sempre bem vestidas e bem maquiadas  - não como no Kabuki, mas algo mais normal (mesmo as que interpretam papéis masculinos). As mulheres que trabalham nesse grupo também são bem famosas (acho que até mais que os homens que trabalham no Kabuki). E o grupo é bem popular entre jovens e pessoas mais velhas. Os preços dos ingressos também são bem salgados. O mais barato seria  o de 40 dólares, e o melhor – mais perto do palco – por volta dos 200 dólares. Mais informações, veja aqui.



Grupo Takarazuka. Composto apenas por mulheres.


   Outro estilo de peça bem antiga no Japão é o bunraku ( ぶんらく - ). Essa seria a peça com marionetes. Ela surgiu em Osaka e é bem famosa por aqui.  Nela, são contadas as lendas japonesas .  Os bonecos  vestem quimonos e tem movimentos bem aprimorados.  A trilha sonora das peças faz uso de instrumentos tradicionais, como o shamisen (  しゃみせん - 三味) que marca a narrativa e os movimentos dos bonecos.  Mais informações, veja aqui.
       Em alguns lugares, como Kyoto, que tem um grande fluxo de turistas, alguns lugares também promovem apresentações de danças e peças de teatro antigas. No Gion Corner (no centro da antiga capital), pode-se assistir algumas dessas apresentações. 

Alguns exemplos de apresentações. Dança das gueishas, um peça de teatro antiga, japonesa e Bunraku. Os bonecos são bem elaborados. Fotos tiradas no teatro localizado em Gion, Kyoto.





Museus


   Posso dizer que existem bastante museus no Japão.   Além dos clássicos museus de história, artes e ciências, temos outros museus situados dentro dos castelos. Boa parte dos castelos japoneses abriga, dentro de si, um museu contando um pouco da história japonesa daquela região, com espadas, armaduras de samurais e relíquias. Já tive a oportunidade de visitar alguns deles e há quem diga que se você viu um, você viu todos.  Acho que os únicos castelos que fogem a essa regra são o castelo de Himeji (que está sendo reconstruído e é um dos poucos castelos originais), o Castelo de Kyoto e o de Tokyo. Os dois últimos assim o são por ainda serem residências oficiais do imperador. Para visitá-los, inclusive, é necessário agendar o passeio. O número de pessoas por vez é restito e nem todo o castelo é acessível aos visitantes.

Alguns castelos: Kishiwada e seu jardim de pedra. Castelo de Himeji, que estava em reforma e Castelo de Osaka.


   Já fui ao museu de ciências de Osaka. Ele é bem divertido e informativo (embora tudo seja em japonês).  Nele existe um lindo planetário, em que você pode assistir exibições de dois ou três diferentes assuntos, ou melhor, filmes sobre diferentes galáxias e constelações. Quando fui, assisti sobre a galáxia de Andrômeda. O museu em si também é bastante interativo. Recomendo a visita. O preço não é tão caro, cerca de 15 dólares para estudantes.


Museu de artes, museu de ciências e museu de história. Todas em Osaka.

Apresentação sobre a galáxia de Andrômeda.



  Outro museu que visitei foi o de insetos. Perto da minha casa, existe um grande parque, o parque de Minoo, que conta com cachoeiras e trilhas. Ele é famoso pelos macacos que lá vivem e pela bela paisagem. Muitas pessoas vão lá para ver as mudanças da vegetação na estações.
 Nesse parque existe um museu entomológico, que mostra a diversidade de insetos no mundo e alguns encontrados apenas no Japão. Outra coisa bem legal de lá é que existe um imenso borboletário.  



Parque de Minoo e o museu de insetos.


  Existem, também, alguns museus dedicados as memórias de guerra. O mais famosos é o de Hiroshima, situado no parque da Paz. É bem triste e mostra muitas coisas sobre a cidade antes e depois da bomba atômica. O preço da entrada é baixo, quase dois dólares, para incentivar as pessoas a visitarem o lugar e mostrar as tristes consequências da guerra. Osaka também tem um museu da paz. Embora a cidade não tenha sofrido tanto com os ataques da guerra, o museu mostra o cenário da cidade durante esse período. Nesse museu também são  mencionadas a guerra da China e Coréia, mostrando como o Japão atacou os companheiros asiáticos.


Museu da Paz de Osaka.



Museu da Paz e memorial das crianças - Hiroshima.



   Outros museus interessantes são o museu do Ramen e o museu do mangá. Em Osaka, o museu do Ramen é bem famoso e dedicado a essa comida que é uma das preferidas dos japoneses. O local, em si, não é muito grande, mas lá você pode conhecer um pouco da história do macarrão instantâneo. Seu criador, como ele é feito, como se tornou popular no Japão e no mundo. Inclusive pode-se ver o nosso miojo por lá! E pagando uma pequena taxa, você pode fazer o seu próprio ramen, decorando o pote e escolhendo os ingredientes. 
Museu do Ramen. Ao lado o ramen que eu "preparei". O pote do ramen pode ser decorado por você.
   
   Já, em Kyoto, está situado o museu do mangá. O preço da entrada é de 15 dólares. Não tive a oportunidade de visitar esse museu, mas já passei por ele algumas vezes. O mesmo conta a história da revista em quadrinhos e mostra também os mais marcantes mangás. O local ainda possui um enorme acervo de mangás. Após pagar a entrada, você pode passar a tarde toda lendo suas revistas favoritas.

Museu do manga, em Kyoto.


Bem, acho que com isso, posso dizer que falei um pouco do entreterimento no país nipônico.  

terça-feira, 21 de maio de 2013

Entreterimento



   O post do mês será sobre entreterimento no Japão, ou seja, música, filmes.. Vou falar um pouco como isso é por aqui.
  

   Música

   Como comentei em alguns post, gosto bastante da música japonesa. Na verdade, do rock japonês (J-rock). Escuto algumas bandas que são bem famosas por aqui e internacionalmente, como L’Arc~En~Ciel, the GazettE, Gackt, Glay, Mucc, SID, X Japan e por aí vai....
   Uma coisa bem legal é que os japoneses procuram escutar bastante as bandas daqui. Em restaurantes e outras lojas, quase sempre, a música ambiente é de alguma banda ou grupo japonês. Assim, querendo ou não, você escuta bastante as músicas dos artistas daqui.
   Embora o meu gênero preferido seja o rock, escuto algumas bandas  e artistas de pop (J-Pop), como KAT-TUN, YUI, Hikaru Utada, etc... E posso dizer que esse gênero é sem, dúvida, o de mais sucesso por aqui. Entres jovens e velhos, Arashi, AKB48, SMAP e Exile lotam casas de shows (eu não sou particularmente fã de nenhum deles, mas é inegável que eles movimentam milhares de japonês).
   Os shows de qualquer banda ou cantor japonês sempre são muito bem produzidos. Efeitos, encenações, grandes telões e surpresas acontecem a cada apresentação. Um exemplo disso é o cantor Gackt. Ele sempre foi conhecido por suas apresentações espetaculares. Na turnê Diabolos (2005), ele entrou a cavalo no estádio em que estava se apresentando. Em outra turnê, na música “Rain” ele fez chover no palco. Os membros do L’Arc já chegaram ao local da apresentação em um helicóptero. Na última apresentação do the GazettE (março-2013), foi preparado um grande show pirotécnico que simulava que partes do palco estavam caindo. Isso tudo demonstra a preocupação dos artistas de, além de tocar uma boa música, preparar um ambiente impressionante para a platéia.

Shows do Gackt: ele tocando "Rain" enquanto chove no palco. Na turnê diabolos ele entrou no estádio a cavalo. Já o Larc gosta de fazer shows pirotécnicos.


     Em consequência disso, a maioria dos shows sempre são lotados. Mesmo alguns alguns ingressos sendo o preço meio salgado. Mas isso também depende do local de show e da banda. Um show em uma casa de espetáculos de médio porte, para uma banda um pouco mais famosa, o preço saí na faixa de 70 dólares. Bandas grandes, como L’Arc, tem um preço mais caro, por volta dos 100 dólares. Os ingressos para os concertos podem ser adquiridos em sites especializados ou em lojas de conveniências.
    A organização dos eventos é maravilhosa. Cada ticket tem um número. Independente de onde sejam comprados. O número não é decorativo, ele determina seu lugar. Não importa se você dormir na fila, se seu ingresso é na última fileira, você deverá ficar lá. Até nas casas de show sem assentos existe organização. Os ingressos também são numerados e você entrará no local de show de acordo com seu número. Então essa história de “guardar caixão” para ficar na frente não cola aqui. Eu adoro esse sistema, pois sei que se chegar 5 minutos antes do show começar, meu lugar estará lá, esperando por mim. No entanto, os melhores lugares SEMPRE são reservados para o fã-clube.
Cada artista tem um grupo que  organiza a venda do merchandise da turnê. Antes do começo do show ou ao seu término, você pode comprar os mesmo.


Estandes de venda de produtos do artista. Organização dos lugares por setores no show do L'Arc. Filas antes do show do the GazettE. Japoneses organizados, gritando "encore" para a banda The GazettE.


     Sobre os shows que fui: todos muito bons. A única coisa estranha é a atitude dos japas durante a apresentação. É costume que as pessoas façam coreografias durante as músicas. É algo feito em conjunto. Se um faz, todos repetem (meio programado demais para meu gosto). Ano passado fui ao show do the GazettE, eles tinham acabado de lançar um CD o “Division”. Como eles tocaram quase todas as músicas do novo CD, não havia coreografia. Então, os japas ficavam apenas parados, escutando eles tocarem. Para mim, isso é meio estranho, pois é como se eles não fossem livres para aproveitar, de verdade, o show.
  Outra coisa bem interessante, é que sempre que o artista sai do palco, indicando o fim do show, as pessoas começam a gritar "ancore" (de encore) pedindo que o artista volte e toque mais algumas músicas. Isso é uma tradição e todos os artistas esperam que seus fãs demonstrem seu amor por eles, gritando bem alto e batendo palmas. Se, por acaso, o artista sentir que o público está desanimado ou não grita bastante, ele pode não voltar e terminar o show por ali mesmo. Mas caso a platéia mostre o entusiamos, ele pode voltar mais uma ou duas vezes...
 Sobre CDS, DVDs... Os artistas japoneses costumam lançar bastante singles. Ou seja, uma mídia com duas ou três músicas. Eles fazem esses lançamentos mais frequentes que os de CDs. O L’Arc, por exemplo, já ficou quase 5 anos sem lançar um CD, mas lançava um single ou outro nesse período. 


CD do The GazettE - Toxic. Single do L'Arc - XXX. Minha coleção de CDs e DVDs.


 E você poderia pensar que seria um desperdício ficar comprando esses singles ao invés de esperar pelo CD propriamente dito, visto que essas músicas estarão nele. Errado! Porque as empresas de música daqui são umas capitalistas malditas e sempre fazem coisas para incentivar as pessoas a comprarem tudo. Os singles do the GazettE, por exemplo, tem sempre uma faixa extra que nunca entrará no CD. Os do L’Arc tem uma versão das músicas deles feitas pelo Punk~En~Ciel (quando eles fazem um tipo de cover deles mesmo, mas com os integrantes tocando em “posições” diferentes das usuais). O SID costuma colocar algumas versões das músicas ao vivo. No Acid Black Cherry, o vocalista, Yasu, faz cover de algumas músicas famosas de outros artistas. Como se não bastasse isso, em muitos casos, cada single vem em duas ou mais versões. Capas e conteúdos são diferentes. Em uma pode vir uma música a mais, na outra vem um DVD com o MV da faixa principal do single. É, se você é um colecionador e um fã maluco, terá que ter muito dinheiro para ter tudo.
   Os DVDs seguem a mesma idéia. Sempre são lançados, no mínimo, duas versões, uma normal, só com o show e outra com o show e alguns extras. O L'Arc, esse ano, quebrou o recorde e lançou 13 versões do mesmo show. É, as empresas japonesas sabem como arrancar o dinheiro de seus consumidores.




DVD do Larc que teve 13 versões. DVDS do L'arc e the GazettE. Sempre capas e booklets muito bonitos e com muitas fotos.



Filmes

    Japoneses gostam bastante de ir ao cinema. No entanto, os filmes hollywoodianos não são a primeira escolha de muitos. O cinema nacional é bem forte aqui. Quando você decide assistir um filme,  entre 10 salas de exibição, 5 ou 6 terão filmes japoneses. Parece impressionante, mas é verdade. Às vezes, muitos filmes americanos nem chegam a passar aqui e, se são exibidos, serão com alguns meses de atraso.
       Um exemplo disso foi o filme “The Hunger Games”. Se não me engano, em abril do ano passado, ele estava sendo exibido em vários lugares do mundo (inclusive porque eu estava na Coréia e nessa época e me lembro que ele estava em cartaz), menos aqui.  O filme só passou em terras nipônicas em agosto. O porquê disso? Eu também queria saber. Alguns dizem que é pela falta de interesse dos japas, outros que é porque demora-se para fazer as legendas... Vai entender.
 Fato é que toda vez que quero ver um filme americano, sofro. Meu japonês limitado me impossibilitada de ver qualquer filme japonês. Um dia, me arrisquei a ver Rurouni Kenshin (meu anime favorito). Eu entendi 10% do que eles estavam dizendo, mas como eu conheço a história de cor, valeu a pena, pois queria ver esse Live Action.



Filme Rurouni Kenshin. O primeiro filme que assisti em japonês (sem legendas).



Programas de TV

   Assim como os brasileiros, japoneses gostam de novelas (doramas – da palavra drama – ドラマ ). No entanto, as novelas daqui seguem um padrão diferente. Cada novela tem uma média de 9 a 11 capítulos. O que seria visto uma mini-série, no Brasil. Cada episódio tem cerca de 50 minutos. Ou seja, nada muito longo.  As celebridades mais famosas são aquelas que trabalham nesse ramo, por isso muitos cantores acabam trabalhando nessas novelas (principalmente os membros de grupos de pop). Sobre os temas das novelas, eles variam bastante. Temos comédia, romance, ficção científica, policial... O padrão  das histórias também é diferente. Mesmo a história sendo de amor, não acontecem beijos “calientes” ou cenas provocantes. E você, muitas vezes, não vai ter o final feliz que você comumente espera nas novelas brasileiras. Personagens casando, tendo filhos, vilões morrendo... Às vezes, você assiste aos 11 capítulos, esperando ansiosamente que a mocinha fique com o mocinho e, no final, cada um vai para o seu lado e eles ficam separados. Devo dizer que já fique bastante frustrada assistindo essas novelas.  Mas entendi que eles se prendem mais ao sentido por trás do enredo, o que você pode aprender com isso, do que o final propriamente dito. Também, algumas novelas  japonesas seriam consideradas bobas no Brasil.

Duas novelas bem famosas e boas: My boss, my hero e 1 litro de lágrimas.




  Aqui também temos programas de auditório, programas de música, show de variedades, comédia, culinária, etc... Mas como disse, o conceito de diversão deles é diferente. Alguns dos programas de humor, para mim, são muito sem graça. Não entendo bem as piadas deles...
  Outra coisa interessante é o cenário dos programas. Enquanto no Brasil cada programa tem um cenário próprio, todo elaborado, aqui a coisa é mais simples. Dá até para perceber que algumas coisas são bem fakes. Um acessório presente em muitos programas é um quadro tabela. Não sei bem o motivo, mas eles se amarram em usar um quadro para explicar ou demonstrar as coisas.
  Alguns grupos de pop, como KAT-TUN e Arasahi tem ou tiveram seus programas de TV também. Em geral, seriam como programas de auditório, em que eles discutem assuntos do dia-a-dia com convidados.


Alguns programas que passam na TV japonesa. Cenários simples e coloridos. A boyband Arashi tem o seu próprio programa de TV.



  Bem, acho que com esse post vocês podem ter uma idéia como é a parte de entreterimento no Japão.