quarta-feira, 10 de julho de 2013

Aprendendo um pouco mais sobre as coisas do Japão


  No post desse mês vou falar sobre mais curiosidades do mundo japonês.



1)      Garotos e garotas curtem o estilo kawai. Isso quer dizer que em muitas vezes pessoas de ambos os sexos se forçam a agir de maneira fofa e delicada, para parecerem bonitinhos. Eles fazem isso na maneira de vestir e agir; fazendo caras e bocas e muitas vezes até forçando a voz para falar de uma maneira “meiga”.

2)      Sempre quando você entrega um presente ou algo para uma pessoa, você deve fazer isso empunhando o objeto com as duas mãos. Isso demonstra respeito e, no caso de um presente, que o mesmo é dado de coração.

3)      A numeração de sapatos aqui é baseada no tamanho do pé. Por exemplo, calço 37 no Brasil, aqui minha numeração é 24 ou 24.5 cm, dependendo do sapato. Falando em sapatos, as japas adoram um salto alto. Independente do modelito, elas sempre fazem uso desse tipo de sapatos. No entanto, é bem comum você ver algumas garotas andando meio desengonçadas ou mesmo se arrastando no saltos. Tudo em nome da beleza.

Tabela com o tamanho dos sapatos no Brasil e em outros países.


4)      Tamanhos de calças e saias em algumas situações também se baseiam na circunferência da cintura.

5)      Em viagens de ônibus (interestaduais), existem regras de etiqueta a serem seguidas. Quando você entra no ônibus existem panfletos e avisos por parte do motorista de como agir. Um exemplo é quando você deseja reclinar seu banco, você sempre deve, antes, pedir permissão para pessoa que está atrás de você.

Manual de regras do ônibus.


6)      Japoneses evitam ao máximo a exposição de sua vida particular. A menos que você seja bem próximo deles, eles evitam falar de família e contar sua história  de vida. Até nas redes sociais, muitos deles evitam postar fotos de seus rostos e coisas muito pessoais. Para manter a privacidade, por exemplo, os e-mails deles não contem os nomes ou coisas que os identifiquem diretamente. Por exemplo, eles escolhem ID com palavras e números aleatórios.

7)       Nos quartos de hotéis, mesmo naqueles que seriam considerados do estilo ocidental, o hotel geralmente fornece um pijama para cada hóspede. Eles oferecem todo o kit básico que geralmente vemos nos hotéis no Brasil: xampu, condicionador, toalhas... Mas aqui, todos oferecem isso mais touca para banho, aparelho de barbear, pente, creme corporal, escova de dente e pasta de dente (com direito a um copinho para você pegar água para fazer o bochecho), chinelos para você andar no quarto (visto que você deve tirar os sapatos para andar no mesmo) e pijama. Quanto mais chique o hotel, mais coisas são oferecidas.

Pijamas oferecidos pelo hotel.


8)      Homens, geralmente, não entram em lojas de lingerie. Se um cara entra sozinho nesse tipo de loja ele é visto como tarado.

9)      Japoneses não costumam fazer grandes compras em supermercados, pois eles primam por produtos frescos e de boa qualidade. Geralmente, eles fazem compras pequenas, semanalmente. Tanto que as coisas, por aqui, são vendidas em menores quantidades (tirando o arroz).  Outra coisa bem interessante é que sempre, ao final do dia, funcionários do supermercado passam com suas maquininhas diminuindo o preços de alguns produtos, como o das marmitas e pães. Algumas pessoas que conhecem a rotina do mercado, sempre procuram ir nessas horas para comprar as coisas mais baratas. E se o produto também está perto da data do vencimento, os preços também são reduzidos.

10)    Sempre que você vai a um mercado ou loja, no caixa eles te perguntam se você vai querer sacolas. Se você disser que não precisa, você recebe um pequeno desconto.

11)   Em tudo o que você compra, você verá dois preços, o preço do produto e o preço do produto acrescido de imposto. E em alguns restaurantes, na conta, vem descrito as calorias de cada prato consumido.

12)    Em cidades menores existe o tipo de mercado “pegue e pague”. Pequenos agricultores expõem seus produtos na frente de casa e os deixam lá. Quem quiser comprar, pega o que quer e deixa o dinheiro em uma cestinha.

13)   Alguns restaurantes e bares oferecem o serviço de “coma o quanto quiser” (tabehoudai – たべほうだい - 食べ放題)  e  “beba o quanto quiser” (nomihoudai - のみほうだい - 飲み放題). Você paga uma certa quantia, e por um período de tempo, geralmente de 30 a 120 minutos, você pode consumir várias coisas.



Bem, essas foram mais algumas das curiosidades que lembrei para descrever aqui no blog...  

sábado, 22 de junho de 2013

Entreterimento - Parte II

No post de hoje, decidi explorar mais um pouco sobre o tema passado: entreterimento.


Teatro

   Acho não erraria ao dizer que todo mundo, quando pensa sobre o teatro japonês, lembra do Kabuki (かぶき - 歌舞伎).  Esse é um estilo de teatro antigo.  Nele,  apenas homens interpretam os personagens.  Os atores tem os rostos bastante pintados e figurinos tradicionais. Os temas das peças podem de cunho religioso ou do dia-a-dia.   Por muito tempo, esse estilo foi bastante famoso e os artistas muito prestigiados por estarem ligados a esse meio. Existem ainda alguns grupos de kabuki no Japão, mas não é algo tão comum e popular. As peças não são muito baratas,  por isso nunca tive a oportunidade de ver.  Para mais informações sobre o Kabuki, veja aqui.



Kabuki, grupo composto apenas por homens.


   Em contra posição ao Kabuki temos o Takarazuka (Takarazuka Revue -  たからずかかげきだん - 宝塚歌劇). Esse grupo surgiu no em 1913, na região de Hyogo. Ao invés de apenas homens participarem das peças, no Takarazuka, apenas as mulheres interpretam os papéis. O estilo do Takarazuka é mais para um musical.  O grupo  interpreta peças variadas: O Fantasma da Ópera,  A Bela e a Fera, Alladin, Romeu e Julieta e claro, peças tradicionais japonesas.  As mulheres são sempre bem vestidas e bem maquiadas  - não como no Kabuki, mas algo mais normal (mesmo as que interpretam papéis masculinos). As mulheres que trabalham nesse grupo também são bem famosas (acho que até mais que os homens que trabalham no Kabuki). E o grupo é bem popular entre jovens e pessoas mais velhas. Os preços dos ingressos também são bem salgados. O mais barato seria  o de 40 dólares, e o melhor – mais perto do palco – por volta dos 200 dólares. Mais informações, veja aqui.



Grupo Takarazuka. Composto apenas por mulheres.


   Outro estilo de peça bem antiga no Japão é o bunraku ( ぶんらく - ). Essa seria a peça com marionetes. Ela surgiu em Osaka e é bem famosa por aqui.  Nela, são contadas as lendas japonesas .  Os bonecos  vestem quimonos e tem movimentos bem aprimorados.  A trilha sonora das peças faz uso de instrumentos tradicionais, como o shamisen (  しゃみせん - 三味) que marca a narrativa e os movimentos dos bonecos.  Mais informações, veja aqui.
       Em alguns lugares, como Kyoto, que tem um grande fluxo de turistas, alguns lugares também promovem apresentações de danças e peças de teatro antigas. No Gion Corner (no centro da antiga capital), pode-se assistir algumas dessas apresentações. 

Alguns exemplos de apresentações. Dança das gueishas, um peça de teatro antiga, japonesa e Bunraku. Os bonecos são bem elaborados. Fotos tiradas no teatro localizado em Gion, Kyoto.





Museus


   Posso dizer que existem bastante museus no Japão.   Além dos clássicos museus de história, artes e ciências, temos outros museus situados dentro dos castelos. Boa parte dos castelos japoneses abriga, dentro de si, um museu contando um pouco da história japonesa daquela região, com espadas, armaduras de samurais e relíquias. Já tive a oportunidade de visitar alguns deles e há quem diga que se você viu um, você viu todos.  Acho que os únicos castelos que fogem a essa regra são o castelo de Himeji (que está sendo reconstruído e é um dos poucos castelos originais), o Castelo de Kyoto e o de Tokyo. Os dois últimos assim o são por ainda serem residências oficiais do imperador. Para visitá-los, inclusive, é necessário agendar o passeio. O número de pessoas por vez é restito e nem todo o castelo é acessível aos visitantes.

Alguns castelos: Kishiwada e seu jardim de pedra. Castelo de Himeji, que estava em reforma e Castelo de Osaka.


   Já fui ao museu de ciências de Osaka. Ele é bem divertido e informativo (embora tudo seja em japonês).  Nele existe um lindo planetário, em que você pode assistir exibições de dois ou três diferentes assuntos, ou melhor, filmes sobre diferentes galáxias e constelações. Quando fui, assisti sobre a galáxia de Andrômeda. O museu em si também é bastante interativo. Recomendo a visita. O preço não é tão caro, cerca de 15 dólares para estudantes.


Museu de artes, museu de ciências e museu de história. Todas em Osaka.

Apresentação sobre a galáxia de Andrômeda.



  Outro museu que visitei foi o de insetos. Perto da minha casa, existe um grande parque, o parque de Minoo, que conta com cachoeiras e trilhas. Ele é famoso pelos macacos que lá vivem e pela bela paisagem. Muitas pessoas vão lá para ver as mudanças da vegetação na estações.
 Nesse parque existe um museu entomológico, que mostra a diversidade de insetos no mundo e alguns encontrados apenas no Japão. Outra coisa bem legal de lá é que existe um imenso borboletário.  



Parque de Minoo e o museu de insetos.


  Existem, também, alguns museus dedicados as memórias de guerra. O mais famosos é o de Hiroshima, situado no parque da Paz. É bem triste e mostra muitas coisas sobre a cidade antes e depois da bomba atômica. O preço da entrada é baixo, quase dois dólares, para incentivar as pessoas a visitarem o lugar e mostrar as tristes consequências da guerra. Osaka também tem um museu da paz. Embora a cidade não tenha sofrido tanto com os ataques da guerra, o museu mostra o cenário da cidade durante esse período. Nesse museu também são  mencionadas a guerra da China e Coréia, mostrando como o Japão atacou os companheiros asiáticos.


Museu da Paz de Osaka.



Museu da Paz e memorial das crianças - Hiroshima.



   Outros museus interessantes são o museu do Ramen e o museu do mangá. Em Osaka, o museu do Ramen é bem famoso e dedicado a essa comida que é uma das preferidas dos japoneses. O local, em si, não é muito grande, mas lá você pode conhecer um pouco da história do macarrão instantâneo. Seu criador, como ele é feito, como se tornou popular no Japão e no mundo. Inclusive pode-se ver o nosso miojo por lá! E pagando uma pequena taxa, você pode fazer o seu próprio ramen, decorando o pote e escolhendo os ingredientes. 
Museu do Ramen. Ao lado o ramen que eu "preparei". O pote do ramen pode ser decorado por você.
   
   Já, em Kyoto, está situado o museu do mangá. O preço da entrada é de 15 dólares. Não tive a oportunidade de visitar esse museu, mas já passei por ele algumas vezes. O mesmo conta a história da revista em quadrinhos e mostra também os mais marcantes mangás. O local ainda possui um enorme acervo de mangás. Após pagar a entrada, você pode passar a tarde toda lendo suas revistas favoritas.

Museu do manga, em Kyoto.


Bem, acho que com isso, posso dizer que falei um pouco do entreterimento no país nipônico.  

terça-feira, 21 de maio de 2013

Entreterimento



   O post do mês será sobre entreterimento no Japão, ou seja, música, filmes.. Vou falar um pouco como isso é por aqui.
  

   Música

   Como comentei em alguns post, gosto bastante da música japonesa. Na verdade, do rock japonês (J-rock). Escuto algumas bandas que são bem famosas por aqui e internacionalmente, como L’Arc~En~Ciel, the GazettE, Gackt, Glay, Mucc, SID, X Japan e por aí vai....
   Uma coisa bem legal é que os japoneses procuram escutar bastante as bandas daqui. Em restaurantes e outras lojas, quase sempre, a música ambiente é de alguma banda ou grupo japonês. Assim, querendo ou não, você escuta bastante as músicas dos artistas daqui.
   Embora o meu gênero preferido seja o rock, escuto algumas bandas  e artistas de pop (J-Pop), como KAT-TUN, YUI, Hikaru Utada, etc... E posso dizer que esse gênero é sem, dúvida, o de mais sucesso por aqui. Entres jovens e velhos, Arashi, AKB48, SMAP e Exile lotam casas de shows (eu não sou particularmente fã de nenhum deles, mas é inegável que eles movimentam milhares de japonês).
   Os shows de qualquer banda ou cantor japonês sempre são muito bem produzidos. Efeitos, encenações, grandes telões e surpresas acontecem a cada apresentação. Um exemplo disso é o cantor Gackt. Ele sempre foi conhecido por suas apresentações espetaculares. Na turnê Diabolos (2005), ele entrou a cavalo no estádio em que estava se apresentando. Em outra turnê, na música “Rain” ele fez chover no palco. Os membros do L’Arc já chegaram ao local da apresentação em um helicóptero. Na última apresentação do the GazettE (março-2013), foi preparado um grande show pirotécnico que simulava que partes do palco estavam caindo. Isso tudo demonstra a preocupação dos artistas de, além de tocar uma boa música, preparar um ambiente impressionante para a platéia.

Shows do Gackt: ele tocando "Rain" enquanto chove no palco. Na turnê diabolos ele entrou no estádio a cavalo. Já o Larc gosta de fazer shows pirotécnicos.


     Em consequência disso, a maioria dos shows sempre são lotados. Mesmo alguns alguns ingressos sendo o preço meio salgado. Mas isso também depende do local de show e da banda. Um show em uma casa de espetáculos de médio porte, para uma banda um pouco mais famosa, o preço saí na faixa de 70 dólares. Bandas grandes, como L’Arc, tem um preço mais caro, por volta dos 100 dólares. Os ingressos para os concertos podem ser adquiridos em sites especializados ou em lojas de conveniências.
    A organização dos eventos é maravilhosa. Cada ticket tem um número. Independente de onde sejam comprados. O número não é decorativo, ele determina seu lugar. Não importa se você dormir na fila, se seu ingresso é na última fileira, você deverá ficar lá. Até nas casas de show sem assentos existe organização. Os ingressos também são numerados e você entrará no local de show de acordo com seu número. Então essa história de “guardar caixão” para ficar na frente não cola aqui. Eu adoro esse sistema, pois sei que se chegar 5 minutos antes do show começar, meu lugar estará lá, esperando por mim. No entanto, os melhores lugares SEMPRE são reservados para o fã-clube.
Cada artista tem um grupo que  organiza a venda do merchandise da turnê. Antes do começo do show ou ao seu término, você pode comprar os mesmo.


Estandes de venda de produtos do artista. Organização dos lugares por setores no show do L'Arc. Filas antes do show do the GazettE. Japoneses organizados, gritando "encore" para a banda The GazettE.


     Sobre os shows que fui: todos muito bons. A única coisa estranha é a atitude dos japas durante a apresentação. É costume que as pessoas façam coreografias durante as músicas. É algo feito em conjunto. Se um faz, todos repetem (meio programado demais para meu gosto). Ano passado fui ao show do the GazettE, eles tinham acabado de lançar um CD o “Division”. Como eles tocaram quase todas as músicas do novo CD, não havia coreografia. Então, os japas ficavam apenas parados, escutando eles tocarem. Para mim, isso é meio estranho, pois é como se eles não fossem livres para aproveitar, de verdade, o show.
  Outra coisa bem interessante, é que sempre que o artista sai do palco, indicando o fim do show, as pessoas começam a gritar "ancore" (de encore) pedindo que o artista volte e toque mais algumas músicas. Isso é uma tradição e todos os artistas esperam que seus fãs demonstrem seu amor por eles, gritando bem alto e batendo palmas. Se, por acaso, o artista sentir que o público está desanimado ou não grita bastante, ele pode não voltar e terminar o show por ali mesmo. Mas caso a platéia mostre o entusiamos, ele pode voltar mais uma ou duas vezes...
 Sobre CDS, DVDs... Os artistas japoneses costumam lançar bastante singles. Ou seja, uma mídia com duas ou três músicas. Eles fazem esses lançamentos mais frequentes que os de CDs. O L’Arc, por exemplo, já ficou quase 5 anos sem lançar um CD, mas lançava um single ou outro nesse período. 


CD do The GazettE - Toxic. Single do L'Arc - XXX. Minha coleção de CDs e DVDs.


 E você poderia pensar que seria um desperdício ficar comprando esses singles ao invés de esperar pelo CD propriamente dito, visto que essas músicas estarão nele. Errado! Porque as empresas de música daqui são umas capitalistas malditas e sempre fazem coisas para incentivar as pessoas a comprarem tudo. Os singles do the GazettE, por exemplo, tem sempre uma faixa extra que nunca entrará no CD. Os do L’Arc tem uma versão das músicas deles feitas pelo Punk~En~Ciel (quando eles fazem um tipo de cover deles mesmo, mas com os integrantes tocando em “posições” diferentes das usuais). O SID costuma colocar algumas versões das músicas ao vivo. No Acid Black Cherry, o vocalista, Yasu, faz cover de algumas músicas famosas de outros artistas. Como se não bastasse isso, em muitos casos, cada single vem em duas ou mais versões. Capas e conteúdos são diferentes. Em uma pode vir uma música a mais, na outra vem um DVD com o MV da faixa principal do single. É, se você é um colecionador e um fã maluco, terá que ter muito dinheiro para ter tudo.
   Os DVDs seguem a mesma idéia. Sempre são lançados, no mínimo, duas versões, uma normal, só com o show e outra com o show e alguns extras. O L'Arc, esse ano, quebrou o recorde e lançou 13 versões do mesmo show. É, as empresas japonesas sabem como arrancar o dinheiro de seus consumidores.




DVD do Larc que teve 13 versões. DVDS do L'arc e the GazettE. Sempre capas e booklets muito bonitos e com muitas fotos.



Filmes

    Japoneses gostam bastante de ir ao cinema. No entanto, os filmes hollywoodianos não são a primeira escolha de muitos. O cinema nacional é bem forte aqui. Quando você decide assistir um filme,  entre 10 salas de exibição, 5 ou 6 terão filmes japoneses. Parece impressionante, mas é verdade. Às vezes, muitos filmes americanos nem chegam a passar aqui e, se são exibidos, serão com alguns meses de atraso.
       Um exemplo disso foi o filme “The Hunger Games”. Se não me engano, em abril do ano passado, ele estava sendo exibido em vários lugares do mundo (inclusive porque eu estava na Coréia e nessa época e me lembro que ele estava em cartaz), menos aqui.  O filme só passou em terras nipônicas em agosto. O porquê disso? Eu também queria saber. Alguns dizem que é pela falta de interesse dos japas, outros que é porque demora-se para fazer as legendas... Vai entender.
 Fato é que toda vez que quero ver um filme americano, sofro. Meu japonês limitado me impossibilitada de ver qualquer filme japonês. Um dia, me arrisquei a ver Rurouni Kenshin (meu anime favorito). Eu entendi 10% do que eles estavam dizendo, mas como eu conheço a história de cor, valeu a pena, pois queria ver esse Live Action.



Filme Rurouni Kenshin. O primeiro filme que assisti em japonês (sem legendas).



Programas de TV

   Assim como os brasileiros, japoneses gostam de novelas (doramas – da palavra drama – ドラマ ). No entanto, as novelas daqui seguem um padrão diferente. Cada novela tem uma média de 9 a 11 capítulos. O que seria visto uma mini-série, no Brasil. Cada episódio tem cerca de 50 minutos. Ou seja, nada muito longo.  As celebridades mais famosas são aquelas que trabalham nesse ramo, por isso muitos cantores acabam trabalhando nessas novelas (principalmente os membros de grupos de pop). Sobre os temas das novelas, eles variam bastante. Temos comédia, romance, ficção científica, policial... O padrão  das histórias também é diferente. Mesmo a história sendo de amor, não acontecem beijos “calientes” ou cenas provocantes. E você, muitas vezes, não vai ter o final feliz que você comumente espera nas novelas brasileiras. Personagens casando, tendo filhos, vilões morrendo... Às vezes, você assiste aos 11 capítulos, esperando ansiosamente que a mocinha fique com o mocinho e, no final, cada um vai para o seu lado e eles ficam separados. Devo dizer que já fique bastante frustrada assistindo essas novelas.  Mas entendi que eles se prendem mais ao sentido por trás do enredo, o que você pode aprender com isso, do que o final propriamente dito. Também, algumas novelas  japonesas seriam consideradas bobas no Brasil.

Duas novelas bem famosas e boas: My boss, my hero e 1 litro de lágrimas.




  Aqui também temos programas de auditório, programas de música, show de variedades, comédia, culinária, etc... Mas como disse, o conceito de diversão deles é diferente. Alguns dos programas de humor, para mim, são muito sem graça. Não entendo bem as piadas deles...
  Outra coisa interessante é o cenário dos programas. Enquanto no Brasil cada programa tem um cenário próprio, todo elaborado, aqui a coisa é mais simples. Dá até para perceber que algumas coisas são bem fakes. Um acessório presente em muitos programas é um quadro tabela. Não sei bem o motivo, mas eles se amarram em usar um quadro para explicar ou demonstrar as coisas.
  Alguns grupos de pop, como KAT-TUN e Arasahi tem ou tiveram seus programas de TV também. Em geral, seriam como programas de auditório, em que eles discutem assuntos do dia-a-dia com convidados.


Alguns programas que passam na TV japonesa. Cenários simples e coloridos. A boyband Arashi tem o seu próprio programa de TV.



  Bem, acho que com esse post vocês podem ter uma idéia como é a parte de entreterimento no Japão.  

terça-feira, 16 de abril de 2013

Hanami e outras coisinhas…


   Já fiz alguns posts falando sobre o hanami (はなみ花見), mas nesse vou falar um pouco da minha experiência desse ano e postar algumas fotos junto.
   Como já ressaltei, os japoneses gostam de apreciar a natureza. Todos os anos, na primavera e no outono, grande número de japoneses saem  país a fora para ver as mudanças na paisagem. Na primavera, época das flores, eles saem em busca das sakuras (flores de cerejeira – さくら - ). Também nessa época as flores de ameixa Ume -うめ -梅) também são bastante apreciadas. Existem vários locais do Japão com jardins e parques enormes com ambas as árvores. Nesses locais, as pessoas se reúnem para comer, beber ou apenas gastar um tempo observando as maravilhas da natureza.

A cidade fica bem florida!

    Esse ano, meu hanami foi em um famoso templo de Kyoto. O Kyoumizudera. Ele é bastante conhecido e sempre promove atrações nessa época. Esse ano, durante uma semana, eles abriram o templo a noite, para que as pessoas pudessem apreciar as flores de cerejeira com um bonita iluminação. Estava lindo. Ainda mais, porquê o templo se situa numa montanha e era  possível ver toda a cidade de Kyoto de lá. Muitas pessoas, japoneses e estrangeiros, estavam por lá, tirando fotos e apreciando a visão da cidade.  Logo depois de sairmos do templo, encontramos um matsuri (feira), no qual comemos um delicioso karaage (frango frito empanado). Um jeito bem japonês de se aproveitar os eventos é esse, apreciando a paisagem e comendo em feiras... Bem, acho que fotos podem descrever melhor o que vi...


O templo da entrada e a visão noturna da cidade. A fundo está a torre de Kyoto.
Mais fotos tiradas do templo e da cidade.



     Esse templo também faz a mesma coisa no outono, abrindo as portas durante à noite, para que as pessoas possam ver as folhas de maple (momiji –もみじ - 紅葉). Como eu gosto muito das cores do outono, acho que essa é a melhor época para se aproveitar o Japão.





   Vivendo no Japão em situações de perigo.


     O post sobre o hanami é pequenos, apenas para dividir um pouco da experiência desse ano. Assim, diante da situação que a Ásia vem vivendo com a Coréia do Norte, resolvi falar um pouco sobre isso também.
     Desde que Kim Jon Un vem fazendo ameaças de guerra, não só meus parentes, mas amigos, tem manifestado uma grande preocupação a respeito da minha permanência no Japão e até mesmo a posição do japoneses quanto a isso.
    Bem, devo dizer que a situação por aqui está bem tranquila. Aqui, a maioria tem consciência que essas ameaças são mais palavras vazias que algo real. Claro que o Japão está preparado caso algo aconteça, mas a probabilidade disso é bem baixa. A população e o governo tem tanta confiança nisso que, mesmo diante de todas as palavras hostis do governante norte coreano, pouco se fala sobre isso. Mídia e população não demonstram grande preocupação sobre uma suposta guerra.
   No entanto, as pessoas tem diminuído a ida ao vizinho sul coreano. Como disse uma vez, no meu post de quando visitei a Coréia, os japoneses sempre vão a Coréia do Sul para fazer compras. Eles são um dos maiores grupos de turistas que frequentam o país, movimentando bastante a economia. Diante de todas as ameaças, e como a Coréia do Sul seria um dos primeiros alvos do país socialista, os japoneses estão evitando ir ao país.
   Umas das companhias aéreas da minha região, Peach airlines, tem como um dos principais pontos de viagem, o país sul coreano, e mesma está tendo vários problemas com cancelamento de passagens. Diante de tal fato, eles estão vendendo passagens à preço de banana. E isso não é só expressão. A passagem de ida e volta está saindo em torno de 20 doláres. Veja bem, para eu me deslocar para alguns pontos da minha região gasto quase esse valor de trem. E essa companhia aérea está vendendo passagens por esse preço, para outro país.  Acho que esse é um dos grandes impactos causados por essas ameaças.
   O “engraçado” é perceber que quem está mais preocupado com isso tudo são os estrangeiros. Pelo que converso com as pessoas do Brasil, parece que a mídia internacional está fazendo mais alarde do que a mídia asiática. Acho que isso colabora para que todos fiquem preocupados. 
   Um fato divertido  (na medida do possível), demonstrando que os estrangeiros estão mais preocupados com isso do que os japoneses, ocorreu no sábado passado (dia 13.04). Às 5:34 da manhã, ocorreu um terremoto na ilha de Awaji (a mesma ilha que foi atingida pelo terremoto a 18 anos atrás e que esse terremoto causou a destruição de boa parte da cidade de Kobe - mais informações aqui). Boa parte dos celulares japoneses são programados para darem alertas de perigo nesses casos. E foi o que aconteceu. Às cinco da manhã, meu celular começou a “gritar” como um doido. Dois segundos depois, a casa começou a balançar. A tremedeira durou um pouco mais de um minuto, mas sem estragos (pelo menos na nossa região, pois na ilha de Awaji, o epicentro, algumas pessoas chegaram a se machucar). Fiquei um pouco assustada, mas depois voltei a dormir (a gente acaba se acostumando com cada coisa). Mas a parte cômica da história foi ler no facebook a quantidade de estrangeiros que pensou que isso era algo relativo ao ataque da Coréia do Norte. Foi até comentando que uma pessoa pensou que era o apocalipse, mas depois de perceber que não era nada disso, a mesma pessoa voltou a dormir, tranquilamente.
   O que quero dizer com tudo isso é que, pelo menos por enquanto, as coisas por aqui estão normais. Estamos levando a vida normalmente, mesmo com ameaças de guerras e terremotos malucos... 

quarta-feira, 20 de março de 2013

Conhecendo mais sobre o Japão


 O post desse mês irá se referir a mais curiosidades. Coisas simples da vida que são um pouco diferentes das que vivenciamos no Brasil.





  - A maior parte dos japoneses vive em apartamentos. Ter uma casa aqui significa que você tem bastante dinheiro.  Já vi várias reportagens e conversei com algumas pessoas que me confirmam que o Japão é um dos lugares com o metro quadrado mais caro do mundo.

  -  As paredes têm ouvidos. Isso não é brincadeira. Todos os apartamentos tem paredes muito “finas”, o que quer dizer que facilmente você escuta coisas dos seus vizinhos. Sejam conversas, televisão, passos. Não só do seu vizinho do lado, mas como de cima também. Por isso, de certa forma, os japoneses são super chatos com barulhos. Houve um caso de um amigo que mora no terceiro andar e o vizinho  de baixo (japonês) reclamou com o dono do prédio a respeito do barulho que ele fazia, quando andava... Absurdo, mas verdade. Isso se deve ao fato de as construções usarem materiais mais leves e mais baratos, visando diminuir o custo e evitar acidentes muito grandes, em caso de terremotos. Outro problema causado pelo uso desse tipo de material, é o isolamento térmico da casa. Alguns lugares (como no meu apartamento) no inverno, o frio fica insuportável e no verão, fica muito quente...

   - 90% dos apartamentos tem banheira (ofuro - おふろお風呂). Os japoneses tem costume de tomar uma ducha e logo em seguida, encher a banheira para relaxar. Como eles se lavam bem, antes de usar a banheira, é comum que várias pessoas da família usem a mesma água da banheira para o banho.  O ofuro pode ser localizado no mesmo ambiente do vaso sanitário, mas em alguns apartamentos e casas, geralmente, ele se encontra em um ambiente separado.

   -  A limpeza da casa é uma tarefa que em algumas vezes envolve a família. Geralmente, a cada ano,  no ano novo, toda a família se envolvem numa grande faxina (souji - そうじ - 掃除).  Esse seria como um ritual para trazer boas coisas para o lar e se livrar de coisas velhas. Em escolas e universidades, isso também ocorre. No meu caso, no meu lab, temos uma grande limpeza todo o fim de semestre, em que alunos e professores participam da tarefa.

    -  Forno não é uma coisa muito comum por aqui. São poucas as casas e pessoas que contam um um forno a gás. Fogões, em sua maioria, são elétricos e não vi os fogões e fornos conjugados que temos no Brasil. Na maioria das vezes, você tem que comprar os dois separados. No meu caso, optei por um forninho elétrico.


Fogão e forno elétrico encontrados por aqui.

    - Japoneses adoram tirar fotos. Tiram fotos de tudo, o tempo todo. Uma coisa bem engraçada e legal, ao mesmo tempos, são as purikuras (プリクラ), as fotos adesivas. Japoneses adoram essas coisas. Em vários lugares existem máquinas para tirar essas fotinhos. Nelas, você pode fazer modificações na sua aparência como: aumentar os olhos, tirar imperfeições da pele, mexer na cor dos olhos e cabelo, colocar maquiagem e claro, decorar a foto. Sejam  entre amigos ou casais, todo programa termina com uma purikura. Alguns japoneses gostam até de tirar fotos sozinhos ou apenas com seus personagens de desenhos. Mas se você gosta mesmo do seu personagem, você pode se vestir como ele e tirar a sua foto (alguns lugares oferecem aluguel de fantasias para tirar fotos). Uma coisa engraçada é ver como muitas meninas levam isso a sério. Quando elas decidem tirar essas fotos, elas levam consigo algumas malas. Nessas bolsas elas possuem roupas e maquiagem, especialmente para serem usadas antes das fotos.


Purikuras que tirei com amigos. Até me vesti de ikka musume...

  - As garotas japonesas gostam de usar um penteado com coque, posicionado no topo da cabeça. Desde o tempo das gueishas, mostrar  o pescoço é algo sexy, por isso, sempre que podem, elas fazem penteados que expõe a região do pescoço. E um dos penteados mais populares é esse coque. Para mim é meio estranho, mas é bem popular.


Estilo de penteado muito usado pelas japas.
  

- Que os japoneses gostam de chá verde, é bem conhecido.  Devido a esse fator, eles procuram colocar chá verde e tudo. Aqui existem vários produtos contendo chá verde: bolos, biscoitos, sorvetes, xampu, cremes, chocolates.


Bolo, sorvete, chocolate e biscoito de chá-verde.

 - A companhia de TV pública é a NHK. Como ela é estatal, para "sobreviver" ela conta com a ajuda dos telespectadores. De tempos em tempos, empregados da emissora batem as casas das pessoas e cobram uma taxa de cerca de 20 dólares para todos aqueles que assistem a NHK. Se você tem uma TV ou assiste a mesma pelo computador, deve pagar a taxa. Não é como se você fosse processado ou algo do gênero se não pagar, mas vai da consciência de cada um. Todos os japoneses pagam essa taxa.




  Bem, acho que por hoje é só. Acho que sobre essas coisas eu não tinha comentado... 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Hokkaido, a terra gelada!


  Hoje vou falar sobre a minha última viagem, dessa vez eu fui a província de Hokkaido.

  Hokkaido (北海道  - ほっかいど) é a segunda maior ilha do Japão e a maior cidade dessa província é a capital, Sapporo (札幌  -さっぽろ).  A província tem um verão moderado e um inverno gelado. Sua economia é baseada principalmente na agricultura, sendo bastante conhecida pela produção de arroz, vegetais e também pela pesca.  Caso alguém queira saber mais sobre a província, pode encontrar informações aqui.
  Outro ponto que torna Hokkaido bastante famosa é o festival de esculturas de gelo. Como disse acima, o inverno é um pouco intenso, chegando até a -10°C, e há bastante neve no local. Diante desse fator, em 1950 foi realizado o primeiro festival da neve o “yuki matsuri” (雪祭り- ゆきまつり).  Esse é um dos mais famosos festivais no Japão, em que em vários pontos de Sapporo podem ser observadas esculturas de gelo. Anualmente, milhares de pessoas visitam Hokkaido em fevereiro para apreciar esse evento. O festival vai do dia 5 a 11 de fevereiro (mais informações aqui).
   Essa viagem foi planeja no final do ano passado, para apreciar o festival. No entanto, optamos ir para Hokkaido no final de semana que antecede o festival (pois a cidade sempre está cheia nesses dias e tudo fica absurdamente caro). Indo apenas três dias antes do ínicio do evento, pudemos apreciar a cidade sem tumulto e ver as esculturas.
  Chegamos a Sapporo no início da tarde e a paisagem da cidade era gelada. Ruas cobertas de gelo e neve. Pessoas bem agasalhada. Muitos carros de neve removendo neve das pistas e montanhas de neve por todos os cantos (bem diferente do inverno que enfrento em Osaka). Ver tanta neve sempre me impressiona!

Neves nas ruas e cobrindo os campos.


   Em seguida, fomos almoçar em um setor de restaurantes especializado em ramen. O local era próximo a estação de Sapporo e  bastante ornamentado; continha seis restaurantes que apenas serviam essa sopa de macarrão. Nesse dia, optamos pelo tonkotsu ramen  (ramen de osso de porco) com queijo, que disseram ser uma das especialidades de Hokkaido.  Ele era temperado com bastante alho e gergelim, muito gosto.

Tonkotsu Ramen com queijo e oniguiri!


   Depois disso, tiramos boa parte da tarde para apreciar as esculturas. Existe uma longa avenida, chamada Odori, que corta Sapporo e é lá que a maioria das esculturas se concentram. Como fomos antes do início do festival, não vimos todas as esculturas prontas, mas boa parte delas estavam terminadas. O interessante também foi ver muitas famílias e/ou grupos de amigos fazendo as suas esculturas. Cada grupo recebe um bloco de gelo e trabalha nele. Nesse dia vi de tudo, pokemons, o Totoro, esculturas lembrando monumentos japoneses e mundiais, animais... Vi até um estômago. Sim, algum grupo modelou um estômago!

Algumas das esculturas. Uma família estava terminando a escultura da Torre de Sapporo!


    As ruas ao redor das esculturas estavam completamente cobertas de gelo, o que dificultava a caminhada. Detalhe: eu não estava usando botas apropriadas para andar na neve, por isso, andava vagarosamente por esse locais, pois a neve estava escorregadia e o perigo de um acidente era grande!
    Nosso próximo ponto de visita na cidade foi o museu da cerveja Sapporo (Sapporo Beer Museum). Essa é uma das mais famosas marcas de cervejas japonesas e conhecidas mundialmente.  A entrada do museu é de graça e você pode aprender sobre a história da cerveja Sapporo. Inclusive, encontramos um guia do museu que sabia falar espanhol e inglês.
    Ao término do passeio, existe uma área de “degustação”. Pagando 2 dólares por cerveja, você pode beber alguns tipos de cerveja produzidas pela Sapporo. Mas para as pessoas que não gostam de cerveja (como eu), a Sapporo produz, também, refrigerante (Napolin), um suco de grape fruit e chá. Essas bebidas não alcoólicas estão igualmente disponíveis para degustação.

Sapporo Beer Museum. Napolin, refrigerante produzido pela Sapporo e algumas das progagandas antigas da cerveja.


    Fechamos o nosso dia de passeios indo jantar em um centro comercial de Sapporo. Passamos pelas ruas de Susukino, uma das avenidas mais movimentadas da capital. Por lá, havia muita iluminação e algumas esculturas. Nessa avenida podem ser encontrados os maiores e mais caros restaurantes de caranguejo da província. O prato típico da região é o caranguejo rei (King Crab). Em alguns restaurantes, você pode escolher seu caranguejo antes de comer, pagando a pequena quantia de até 100 dólares.

Ruas de Susukino.


   Para fechar a noite com chave de ouro, aconteceu um terremoto em Sapporo. Chega até ser irônico, pois saí de Osaka, que quase não tem terremotos, e assim que piso em Hokkaido, acontece um terremoto forte. Ele foi de magnitude 6.8, com epicentro em Saporro. Foi o mais forte e longo terremoto que senti. Fiquei bem assustada, mas não houve ameaça de tsunami e nem um acidente...
   No segundo dia, decidimos ir a Chocolate Factory. Um fábrica de chocolate, que na verdade fabrica biscoitos. Nesse dia estava muito frio e tempestades de neve aconteciam a todo o momento.
   A fábrica é linda. Paga-se 5 dólares para entrar. Na entrada, são oferecidos pequenos cursos para fazer seu próprio biscoito. O tipo de biscoito e o tempo do curso é variado. Optamos por fazer o curso de biscoitos caseiros.
   Antes do curso, demos uma volta pela fábrica, que também era uma espécie de museu, que contava a história do chocolate. Descobri também que o chocolate usado nos biscoitos vem da Colômbia.  Em um determinado ponto do museu, existem observatórios para a fábrica de biscoito. O biscoito fabricado lá chama-se shiroi koibito (しろいこいびと - 白い恋人 - amante branco, em outras palavras).  Pode-se ver toda a linha de produção.

Chocolate Factory, biscoito shiroi koibito e linha de produção  do biscoito.


    O curso dos biscoitos foi muito divertido. Cada um pode escolher um sabor de biscoito (baunilha ou chocolate), as formas usadas para fazer os mesmo e os confeitos. Abrimos a massa, cortamos e confeitamos. Foi bem legal.

Fazendo biscoitos!

   Enquanto nossos biscoitos assavam, aproveitamos para comer bolos e doces na confeitaria da fábrica. Comi um rocambole produzido lá, com sorvete e calda de frutas vermelhas... O local tinha uma vista maravilhosa e com a tempestade de neve acontecendo do lado de fora, o ambiente ficava ainda melhor.
   Não só de chocolates e biscoitos vive a Chocolate Factory. Em outras partes do prédio, havia ainda um museu de brinquedos e de coisas antigas. Enfim, o passeio pela fábrica de chocolate foi bastante divertido e diversificado.
   O ponto final de nossa visita se deu na Sapporo Factory. Essa também era uma antiga fábrica da cerveja Sapporo, mas que foi desativada e transformada em um shopping. Para quem curte arquitetura, ver o aproveitamento que eles fizeram do galpão, organizando as lojas e restaurante, foi bem legal. E ao lado desse “velho” prédio, foi construído um mais moderno com outras lojas e restaurantes.
Sapporo Factory. Visão do velho e do novo!
   Bem, a essa foi um pouco da minha viagem a Hokkaido.  Apesar do frio, me diverti bastante e espero um dia poder voltar lá! ^^