sábado, 22 de junho de 2013

Entreterimento - Parte II

No post de hoje, decidi explorar mais um pouco sobre o tema passado: entreterimento.


Teatro

   Acho não erraria ao dizer que todo mundo, quando pensa sobre o teatro japonês, lembra do Kabuki (かぶき - 歌舞伎).  Esse é um estilo de teatro antigo.  Nele,  apenas homens interpretam os personagens.  Os atores tem os rostos bastante pintados e figurinos tradicionais. Os temas das peças podem de cunho religioso ou do dia-a-dia.   Por muito tempo, esse estilo foi bastante famoso e os artistas muito prestigiados por estarem ligados a esse meio. Existem ainda alguns grupos de kabuki no Japão, mas não é algo tão comum e popular. As peças não são muito baratas,  por isso nunca tive a oportunidade de ver.  Para mais informações sobre o Kabuki, veja aqui.



Kabuki, grupo composto apenas por homens.


   Em contra posição ao Kabuki temos o Takarazuka (Takarazuka Revue -  たからずかかげきだん - 宝塚歌劇). Esse grupo surgiu no em 1913, na região de Hyogo. Ao invés de apenas homens participarem das peças, no Takarazuka, apenas as mulheres interpretam os papéis. O estilo do Takarazuka é mais para um musical.  O grupo  interpreta peças variadas: O Fantasma da Ópera,  A Bela e a Fera, Alladin, Romeu e Julieta e claro, peças tradicionais japonesas.  As mulheres são sempre bem vestidas e bem maquiadas  - não como no Kabuki, mas algo mais normal (mesmo as que interpretam papéis masculinos). As mulheres que trabalham nesse grupo também são bem famosas (acho que até mais que os homens que trabalham no Kabuki). E o grupo é bem popular entre jovens e pessoas mais velhas. Os preços dos ingressos também são bem salgados. O mais barato seria  o de 40 dólares, e o melhor – mais perto do palco – por volta dos 200 dólares. Mais informações, veja aqui.



Grupo Takarazuka. Composto apenas por mulheres.


   Outro estilo de peça bem antiga no Japão é o bunraku ( ぶんらく - ). Essa seria a peça com marionetes. Ela surgiu em Osaka e é bem famosa por aqui.  Nela, são contadas as lendas japonesas .  Os bonecos  vestem quimonos e tem movimentos bem aprimorados.  A trilha sonora das peças faz uso de instrumentos tradicionais, como o shamisen (  しゃみせん - 三味) que marca a narrativa e os movimentos dos bonecos.  Mais informações, veja aqui.
       Em alguns lugares, como Kyoto, que tem um grande fluxo de turistas, alguns lugares também promovem apresentações de danças e peças de teatro antigas. No Gion Corner (no centro da antiga capital), pode-se assistir algumas dessas apresentações. 

Alguns exemplos de apresentações. Dança das gueishas, um peça de teatro antiga, japonesa e Bunraku. Os bonecos são bem elaborados. Fotos tiradas no teatro localizado em Gion, Kyoto.





Museus


   Posso dizer que existem bastante museus no Japão.   Além dos clássicos museus de história, artes e ciências, temos outros museus situados dentro dos castelos. Boa parte dos castelos japoneses abriga, dentro de si, um museu contando um pouco da história japonesa daquela região, com espadas, armaduras de samurais e relíquias. Já tive a oportunidade de visitar alguns deles e há quem diga que se você viu um, você viu todos.  Acho que os únicos castelos que fogem a essa regra são o castelo de Himeji (que está sendo reconstruído e é um dos poucos castelos originais), o Castelo de Kyoto e o de Tokyo. Os dois últimos assim o são por ainda serem residências oficiais do imperador. Para visitá-los, inclusive, é necessário agendar o passeio. O número de pessoas por vez é restito e nem todo o castelo é acessível aos visitantes.

Alguns castelos: Kishiwada e seu jardim de pedra. Castelo de Himeji, que estava em reforma e Castelo de Osaka.


   Já fui ao museu de ciências de Osaka. Ele é bem divertido e informativo (embora tudo seja em japonês).  Nele existe um lindo planetário, em que você pode assistir exibições de dois ou três diferentes assuntos, ou melhor, filmes sobre diferentes galáxias e constelações. Quando fui, assisti sobre a galáxia de Andrômeda. O museu em si também é bastante interativo. Recomendo a visita. O preço não é tão caro, cerca de 15 dólares para estudantes.


Museu de artes, museu de ciências e museu de história. Todas em Osaka.

Apresentação sobre a galáxia de Andrômeda.



  Outro museu que visitei foi o de insetos. Perto da minha casa, existe um grande parque, o parque de Minoo, que conta com cachoeiras e trilhas. Ele é famoso pelos macacos que lá vivem e pela bela paisagem. Muitas pessoas vão lá para ver as mudanças da vegetação na estações.
 Nesse parque existe um museu entomológico, que mostra a diversidade de insetos no mundo e alguns encontrados apenas no Japão. Outra coisa bem legal de lá é que existe um imenso borboletário.  



Parque de Minoo e o museu de insetos.


  Existem, também, alguns museus dedicados as memórias de guerra. O mais famosos é o de Hiroshima, situado no parque da Paz. É bem triste e mostra muitas coisas sobre a cidade antes e depois da bomba atômica. O preço da entrada é baixo, quase dois dólares, para incentivar as pessoas a visitarem o lugar e mostrar as tristes consequências da guerra. Osaka também tem um museu da paz. Embora a cidade não tenha sofrido tanto com os ataques da guerra, o museu mostra o cenário da cidade durante esse período. Nesse museu também são  mencionadas a guerra da China e Coréia, mostrando como o Japão atacou os companheiros asiáticos.


Museu da Paz de Osaka.



Museu da Paz e memorial das crianças - Hiroshima.



   Outros museus interessantes são o museu do Ramen e o museu do mangá. Em Osaka, o museu do Ramen é bem famoso e dedicado a essa comida que é uma das preferidas dos japoneses. O local, em si, não é muito grande, mas lá você pode conhecer um pouco da história do macarrão instantâneo. Seu criador, como ele é feito, como se tornou popular no Japão e no mundo. Inclusive pode-se ver o nosso miojo por lá! E pagando uma pequena taxa, você pode fazer o seu próprio ramen, decorando o pote e escolhendo os ingredientes. 
Museu do Ramen. Ao lado o ramen que eu "preparei". O pote do ramen pode ser decorado por você.
   
   Já, em Kyoto, está situado o museu do mangá. O preço da entrada é de 15 dólares. Não tive a oportunidade de visitar esse museu, mas já passei por ele algumas vezes. O mesmo conta a história da revista em quadrinhos e mostra também os mais marcantes mangás. O local ainda possui um enorme acervo de mangás. Após pagar a entrada, você pode passar a tarde toda lendo suas revistas favoritas.

Museu do manga, em Kyoto.


Bem, acho que com isso, posso dizer que falei um pouco do entreterimento no país nipônico.