sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Hokkaido, a terra gelada!


  Hoje vou falar sobre a minha última viagem, dessa vez eu fui a província de Hokkaido.

  Hokkaido (北海道  - ほっかいど) é a segunda maior ilha do Japão e a maior cidade dessa província é a capital, Sapporo (札幌  -さっぽろ).  A província tem um verão moderado e um inverno gelado. Sua economia é baseada principalmente na agricultura, sendo bastante conhecida pela produção de arroz, vegetais e também pela pesca.  Caso alguém queira saber mais sobre a província, pode encontrar informações aqui.
  Outro ponto que torna Hokkaido bastante famosa é o festival de esculturas de gelo. Como disse acima, o inverno é um pouco intenso, chegando até a -10°C, e há bastante neve no local. Diante desse fator, em 1950 foi realizado o primeiro festival da neve o “yuki matsuri” (雪祭り- ゆきまつり).  Esse é um dos mais famosos festivais no Japão, em que em vários pontos de Sapporo podem ser observadas esculturas de gelo. Anualmente, milhares de pessoas visitam Hokkaido em fevereiro para apreciar esse evento. O festival vai do dia 5 a 11 de fevereiro (mais informações aqui).
   Essa viagem foi planeja no final do ano passado, para apreciar o festival. No entanto, optamos ir para Hokkaido no final de semana que antecede o festival (pois a cidade sempre está cheia nesses dias e tudo fica absurdamente caro). Indo apenas três dias antes do ínicio do evento, pudemos apreciar a cidade sem tumulto e ver as esculturas.
  Chegamos a Sapporo no início da tarde e a paisagem da cidade era gelada. Ruas cobertas de gelo e neve. Pessoas bem agasalhada. Muitos carros de neve removendo neve das pistas e montanhas de neve por todos os cantos (bem diferente do inverno que enfrento em Osaka). Ver tanta neve sempre me impressiona!

Neves nas ruas e cobrindo os campos.


   Em seguida, fomos almoçar em um setor de restaurantes especializado em ramen. O local era próximo a estação de Sapporo e  bastante ornamentado; continha seis restaurantes que apenas serviam essa sopa de macarrão. Nesse dia, optamos pelo tonkotsu ramen  (ramen de osso de porco) com queijo, que disseram ser uma das especialidades de Hokkaido.  Ele era temperado com bastante alho e gergelim, muito gosto.

Tonkotsu Ramen com queijo e oniguiri!


   Depois disso, tiramos boa parte da tarde para apreciar as esculturas. Existe uma longa avenida, chamada Odori, que corta Sapporo e é lá que a maioria das esculturas se concentram. Como fomos antes do início do festival, não vimos todas as esculturas prontas, mas boa parte delas estavam terminadas. O interessante também foi ver muitas famílias e/ou grupos de amigos fazendo as suas esculturas. Cada grupo recebe um bloco de gelo e trabalha nele. Nesse dia vi de tudo, pokemons, o Totoro, esculturas lembrando monumentos japoneses e mundiais, animais... Vi até um estômago. Sim, algum grupo modelou um estômago!

Algumas das esculturas. Uma família estava terminando a escultura da Torre de Sapporo!


    As ruas ao redor das esculturas estavam completamente cobertas de gelo, o que dificultava a caminhada. Detalhe: eu não estava usando botas apropriadas para andar na neve, por isso, andava vagarosamente por esse locais, pois a neve estava escorregadia e o perigo de um acidente era grande!
    Nosso próximo ponto de visita na cidade foi o museu da cerveja Sapporo (Sapporo Beer Museum). Essa é uma das mais famosas marcas de cervejas japonesas e conhecidas mundialmente.  A entrada do museu é de graça e você pode aprender sobre a história da cerveja Sapporo. Inclusive, encontramos um guia do museu que sabia falar espanhol e inglês.
    Ao término do passeio, existe uma área de “degustação”. Pagando 2 dólares por cerveja, você pode beber alguns tipos de cerveja produzidas pela Sapporo. Mas para as pessoas que não gostam de cerveja (como eu), a Sapporo produz, também, refrigerante (Napolin), um suco de grape fruit e chá. Essas bebidas não alcoólicas estão igualmente disponíveis para degustação.

Sapporo Beer Museum. Napolin, refrigerante produzido pela Sapporo e algumas das progagandas antigas da cerveja.


    Fechamos o nosso dia de passeios indo jantar em um centro comercial de Sapporo. Passamos pelas ruas de Susukino, uma das avenidas mais movimentadas da capital. Por lá, havia muita iluminação e algumas esculturas. Nessa avenida podem ser encontrados os maiores e mais caros restaurantes de caranguejo da província. O prato típico da região é o caranguejo rei (King Crab). Em alguns restaurantes, você pode escolher seu caranguejo antes de comer, pagando a pequena quantia de até 100 dólares.

Ruas de Susukino.


   Para fechar a noite com chave de ouro, aconteceu um terremoto em Sapporo. Chega até ser irônico, pois saí de Osaka, que quase não tem terremotos, e assim que piso em Hokkaido, acontece um terremoto forte. Ele foi de magnitude 6.8, com epicentro em Saporro. Foi o mais forte e longo terremoto que senti. Fiquei bem assustada, mas não houve ameaça de tsunami e nem um acidente...
   No segundo dia, decidimos ir a Chocolate Factory. Um fábrica de chocolate, que na verdade fabrica biscoitos. Nesse dia estava muito frio e tempestades de neve aconteciam a todo o momento.
   A fábrica é linda. Paga-se 5 dólares para entrar. Na entrada, são oferecidos pequenos cursos para fazer seu próprio biscoito. O tipo de biscoito e o tempo do curso é variado. Optamos por fazer o curso de biscoitos caseiros.
   Antes do curso, demos uma volta pela fábrica, que também era uma espécie de museu, que contava a história do chocolate. Descobri também que o chocolate usado nos biscoitos vem da Colômbia.  Em um determinado ponto do museu, existem observatórios para a fábrica de biscoito. O biscoito fabricado lá chama-se shiroi koibito (しろいこいびと - 白い恋人 - amante branco, em outras palavras).  Pode-se ver toda a linha de produção.

Chocolate Factory, biscoito shiroi koibito e linha de produção  do biscoito.


    O curso dos biscoitos foi muito divertido. Cada um pode escolher um sabor de biscoito (baunilha ou chocolate), as formas usadas para fazer os mesmo e os confeitos. Abrimos a massa, cortamos e confeitamos. Foi bem legal.

Fazendo biscoitos!

   Enquanto nossos biscoitos assavam, aproveitamos para comer bolos e doces na confeitaria da fábrica. Comi um rocambole produzido lá, com sorvete e calda de frutas vermelhas... O local tinha uma vista maravilhosa e com a tempestade de neve acontecendo do lado de fora, o ambiente ficava ainda melhor.
   Não só de chocolates e biscoitos vive a Chocolate Factory. Em outras partes do prédio, havia ainda um museu de brinquedos e de coisas antigas. Enfim, o passeio pela fábrica de chocolate foi bastante divertido e diversificado.
   O ponto final de nossa visita se deu na Sapporo Factory. Essa também era uma antiga fábrica da cerveja Sapporo, mas que foi desativada e transformada em um shopping. Para quem curte arquitetura, ver o aproveitamento que eles fizeram do galpão, organizando as lojas e restaurante, foi bem legal. E ao lado desse “velho” prédio, foi construído um mais moderno com outras lojas e restaurantes.
Sapporo Factory. Visão do velho e do novo!
   Bem, a essa foi um pouco da minha viagem a Hokkaido.  Apesar do frio, me diverti bastante e espero um dia poder voltar lá! ^^


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Feliz Ano Novo! あけましておめでとう!!

     2013 começou e vamos para a primeira postagem do novo ano!

     Bem, nesse post decidi falar um pouco sobre as tradições e comemorações de Ano Novo. No post que fiz ano passado comentei um pouco sobre isso, mas agora irei citar outras tradições.

     Primeiramente, akemashite omedetou ( あけましておめでとう 明けましておめでとう)! Essa é a expressão dita pelos japoneses para desejar feliz ano novo.




      Japoneses são bem superticiosos, por isso, gostam muito de fazer a passagem de ano (shōgatsu – しょがつ - 正月) em templos, ou assim que possível, ir aos mesmos, para pedir boa sorte e prosperidade ao novo ano. E nessa mesma oportunidade, eles compram amuletos (omamori – おまもり-お守り).  
     Um omamori bem característico do ano novo é uma flecha com fitas e uma placa com o animal do horóscopo chinês do ano. Como esse é o ano da cobra, esses omamoris vem com um desenho da cobra. Depois de comprar esse amuleto, alguns japoneses fazem uma espécie de peregrinação. Eles vão a diversos templos, levando essa flecha, para que esta seja abençoada.


Templos cheios no ano novo!


Amuleto: tábua com o animal do signo chinês (dragão foi o de 2012) e flecha.



     Outra tradição é tirar a sorte (omikuji – おみくじ - 御神籤). Os omikujis são uma série de gravetos em que a sorte está escrita. Em alguns templos, você paga cerca de 100 yens (equivalente a um dólar) e tem o direito de tirar um desses pauzinhos. Você deve balançar a urna que os contém e puxar o seu.


Omikuji.

   Você pode também tentar a sorte tirando um papel ( que também é um omikuji) que vem as previsões de como será o seu ano. Nesse papel é descrita a sorte relacionada aos estudos, saúde, negócios e amor... Não existe apenas o papel de boa sorte e má sorte, mas também papéis que descrevem uma mistura dos dois. Por exemplo, você pode ter muito boa sorte nos negócios, mas não ter sorte no amor. Caso você tire um papel de má sorte, você deve amarrá-lo em árvores do templo. Lá eles serão recolhidos e queimados, “acabando” com sua má sorte.   Esses papéis são escritos em japonês e alguns são bem difíceis de ler, pois usam kanjis antigos. No entanto, em alguns templos mais famosos, existem versões em inglês para aqueles que gostariam de tirar a sorte e não sabem ler em japonês. Esses papéis também são pagos.


Omikujis de papel. São de má sorte, por isso estão amarrados na árvore e no templo.


  Outra coisa bem legal são as plaquinhas dos desejos. Essas placas também são pagas e características de cada templo (com o símbolo, deus ou animal protetor do mesmo). Nelas podem ser escritas as coisas que você gostaria que acontecessem no ano. Elas são deixadas do templo, para que os “deuses” vejam os seus pedidos e os realizem. Alguns templos são famosos pelos pedidos de amor, e por isso vendem placas com corações, propícios para você pedir por seu verdadeiro amor.


Placas para desejos. Essas são para o amor!


   Todos os amuletos tem uma “validade” de um ano. Ou seja, no ano seguinte, você deve levar todos eles a um templo e deixá-los por lá, para que eles sejam queimados. Assim, você deve comprar novos, para que o ano seja igualmente abençoado.
   Muitos templo realizam cerimônias para pedir as bençãos de ano novo. Estive em Fushimi Inari, um templo com milhares de toris (portais – とり - 居 - nesse templo foram gravadas algumas cenas do filme “Memórias de uma Gueisha” ) e vi uma dessas atividades. .  Alguns japoneses pagavam uma determinada quantia e as sacerdotisas do templo cantavam uma música de boa sorte para as pessoas. Elas faziam uma espécie de dança e tocavam instrumentos clássicos como o koto ( こと – um instrumento de cordas dedilhadas) e o taiko ( um tambor – たいこ ). O preço da música depende do tempo de cantantoria do mantra e o quanto você quer pedir de bençãos. Uma música curta vale cerca de 10 dólares. Uma música longa, que pede muitas e muitas bençãos, vale cerca de 100 dólares.
    Outra tradição de ano novo é enviar cartões. Muitos japoneses enviam cartões para amigos, parentes e companheiros de trabalho, desejando boas coisas para o novo ano. Esses cartões ( nengajo – ねんがんじょ - 年賀devem chegar no primeiro dia do ano, por isso, os correios começam a ficar cheios em meados de dezembro.
    Já para as crianças, como celebração do novo ano, pais e familiares costumam dar envelopes com dinheiro. Os otoshidama (おとしだま お年) são bastante esperados pelos pequenos e a quantidade de dinheiro dada depende da idade da criança. No entanto, se a família tem mais de um filho, podem ser dadas quantias maiores.


Um exemplo de nengajo (cartão postal que celebra o ano novo) e otoshidama (envelope com dinheiro, dado as crianças).


    O  comércio também faz a sua celebração de ano novo. Algumas lojas fazem as chamadas “sacolas surpresas” (tanoshimi bukuro ou fukubukuro – たのしみぶくろ  楽しみ袋) em que você paga uma quantia “X” por uma sacola que pode ter qualquer produto da referida loja. Uma loja de cosméticos, por exemplo, pode oferecer várias maquiagens que seriam bem caras, por um preço mais módico. No entanto, nem sempre coisas úteis e boas vem nessas sacolas. No caso de peças de vestuário, não é possível escolher tamanho, pois como disse, as coisas são pela sorte. O que acontece muito é que, as pessoas que compram essas sacolas, ficam de tocaia na frente da loja e esperam outras pessoas comprarem também e tentam trocar as mercadorias que não gostaram ou não tem serventia. Isso torna as coisas bem divertidas.


Fukubukuro: sacolinhas surpresas, que fazem a alegria (ou tristeza) de muitos japas.

   Enfim, termino esse post de curiosidades desejando, novamente, um feliz ano novo a todos. Espero que todos tenham um 2013 bastante divertido e de sucesso! 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Transporte


Mais um post falando sobre o cotidiano do Japão. Acho que em alguns post comentei sobre o transporte aqui, mas nunca cheguei a me ater a muitos detalhes... Então vamos lá.
               O transporte aqui é muito bem organizado (ao contrário do Brasil). Aqui, ônibus e trens tem hora marcada para sair. Isso é tão rígido que se, por algum infortunio,  ocorre um atraso, os motoristas/maquinistas são obrigados a pedir desculpas.  Inclusive, existem aplicativos para smartphone que fornecem a hora exata dos trem e ônibus. Antes de vir para cá, era impensável um ônibus ser tão pontual. Em Brasília, já aconteceu de eu ficar uma hora no ponto de ônibus esperando e não aparecer um ônibus se quer para eu ir para casa.
               Bem, aqui vão algumas curiosidades sobre os dois meios de transporte:

    1)  Ônibus

   Em Osaka, você entra pela porta de trás do ônibus e sai pela frente. O pagamento é feito quando você sai, pois em alguns casos, a tarifa do ônibus é dependente da distância que você percorre.  Ao lado do motorista existe uma máquina em que você deve depositar o dinheiro, no momento em que você sai do ônibus. Essa mesma máquina realiza a troca do dinheiro, caso você não tenha a quantia certa, e ainda é equipada com um sensor para cartões (caso deseje, você pode adquirir um cartão pós ou pré-pago que pode ser usado em trens e ônibus).
   Já em Tokyo, o processo é inverso, entra-se pela frente e a saída é no fundo do ônibus. Sendo assim, o pagamento também deve ser feito no momento da entrada.
    Todos os ônibus são equipados com letreiros e telas, que fornecem algumas informações, como a tarifa que deve ser paga (de acordo com o ponto que você subiu e aonde você pretende descer) e o  trajeto que o ônibus vai percorrer.
    As tabelas de horários variam um pouco de acordo com os dias da semana, em que sábados, domingos e feriados, os intervalos entre os ônibus são um pouco maiores. Em dias de semana, por exemplo, o últmo ônibus que circula é 12:08 pm; no sábado passa a ser 11:08 pm e no domingo 10:08 pm.   
   
                       2)  Tranporte ferroviário

No Japão, podemos dizer, que existem quatro  “tipos” de transporte ferroviário: metrô, trem, o trem bala e o monorail. Bem, essa é minha forma de ver e não que seja uma classificação bem realística. Com relação ao trens (densha – でんしゃ電車),  em Osaka temos a JR (Japan Railway – pública) e as companhia privadas como Hankyu, Hanshin e Keihan. Já o metrô (tikatestsu – ちかてつ - 地下鉄) possui várias linhas distintas e companhias responsáveis por elas (na verdade nem sei bem que companhias são responsáveis pelo metrô de Osaka).   Em ambos os meios, você paga a tarifa correspondente ao trecho percorrido também.

Mapa das linhas de trem de Osaka.

O trem bala (shinkansen – 新幹線 - しんかんせん) é uma categoria a parte. Ele também pertece a JR, mas o preço é totalmente diferente.  Ele faz apenas paradas em algumas cidades, geralmente as maiores. Em alguns casos, dependendo de aonde você deseja ir, o preço de uma passagem de shinkasen é quase o preço de uma passagem de avião.
No Japão temos três tipos de trens bala, o Kodama, o Hikari e o Noozomi. Sendo o Kodama o mais “lento” e o Noozomi o mais rápido (não o que o mais lento seja realmente lento, mas o modelo do trem  mais novo é o Noozomi).  Como disse, o preço o ticket é um pouco salgado, mas o conforto e a facilidade são ótimas. Comprando um bilhete, você pode escolher a hora da sua viagem, pois geralmente um trem sai a cada meia hora. E os preços dos tickets também são relativos aos acentos escolhidos. Existe o reservado e o não reservado. Os tickets para acentos reservados são em vagões especiais e custam mais caros, pois o seu lugar é garantido na viagem. Já os não reservados são mais baratos e indicam que você pode se sentar em qualquer lugar. Isso também significa que você também pode fazer a viagem em pé, se todos os acentos estiverem cheios.  


Trem bala - noozomi. Visão de dentro do trem. Bilhete da minha viagem Tokyo-Osaka.

Como nos aviões, existem funcionários que passam vendendo comida. E o mais interessante é que eles vendem comidas de típicas dos trechos que o shinkasen percorre.
O monorail (monotrilho – monoreru – モノレール) é bem comum por aqui. Ele é um trem suspenso, em que o trilho fica situado em plataformas. Ele é um transporte mais limitado, não indo a muitos lugares e também o preço da passagem é mais caro que o dos trens e metrôs.  Se não me engano, estão querendo construir um monotrilho no Rio para a copa de 2014... Vejamos se isso acontece...

Quando se chega a uma estação de trem, existem as máquinas que você deve comprar o seu bilhete. Acima dessas, existe um mapa com os nomes das estações e o valor que deve ser pago para se chegar a estação desejada. O cartão pré ou pós-pago substitui a compra do bilhete.  Nesse caso, a máquina debita automaticamente o valor da passagem do mesmo. No entanto, caso você compre o ticket errado,  existem máquinas em que você pode fazer o ajuste do valor da passagem.


Cartões de trem e ônibus, pré-pago (icoca) e pós-pago (pitapa). Fotos das catracas das estações de trens e metrôs.

 Como comentei algumas vezes, nem todos os mapas das estações tem os nomes das estações em inglês, por isso, as vezes, se você não sabe nada de japonês, a sua vida pode se tornar meio complicada.

Estação de Akihabara em Tokyo. Estação de JR em Osaka, vista de cima. Estação de Minami Senri (perto do meu antigo dormitório)


Já o bilhete de shinkansen pode ser comprado em máquinas em separado ou em pontos específicos das estações de JR.
Quanto ao horários, os trens costumam parar um pouco depois da meia noite e só voltam a andar depois da cinco da manhã. Sendo assim, se você perder o último trem, sua única opção para voltar para casa é pegar um táxi.

3)  Táxi e outros

Táxis no Japão são bastante caros. Não é algo que se pode usar sempre.  Interessante é que aqui, os carros são equipados para abrir e fechar a porta de acordo com o comando do motorista. E outra curiosidade é que você pode pagar o táxi com o cartão de crédito.
Outro meio de transporte bastante usado pelos japas é a bicicleta. No caso dos estudantes estrangeiros, quase  99% possuem bicicletas. É um dos meios mais simples e baratos de se locomover.
Ao comprar uma bicicleta, você deve registrá-la. Esse registro é feito pela loja, mas é ligado a prefeitura em que você reside. Um número de identificação irá ser fixado a sua bicicleta, indicando que ela possui um dono. Em caso de acidentes e roubos, sua bicicleta poderá ser facilmente identificada por esses número.
Muitos policiais, de tempos em tempos, checam esses números em bicicletas nas ruas ou mesmo parando seus motoristas, para averiguar se as bicicletas foram roubadas ou se existe algo de errado com elas. Aqui também é obrigatório o uso de “buzinas” e faróis. E nada de dirigir bicicleta bêbado. Se você beber, deve ir para casa a pé, pois se você for parado por um policial dirigindo a sua magrela bêbado, isso pode te causar problemas.


Minhas experiências.

No começo, tinha muito medo de andar de trem. Devido ao meu péssimo japonês, sempre tive medo de me perder durante as baldeações e ir para em lugares desconhecidos.  Uma vez, isso aconteceu quando estava em Tokyo. Tinha ido a um show de J-rock no Tokyo Dome e estava voltando para meu hotel.  Saí da estação mais próxima e peguei um trem para Asakusa, aonde estávamos hospedados. Nesse trajeto, devia fazer baldeação em uma estação e assim o fiz. Como estava sozinha, quis confirmar com um funcionário da estação que eu estava fazendo o caminho certo. Mostrei a ele um papel em que estava anotado meu trajeto. O senhor me olhou e mandou eu voltar para o trem que eu tinha acabado de sair. Eu me assustei, mas fiz como ele me dissera. Acabei indo parar na estação de Shibuya, uma das maiores estações de Tokyo. Eu me desesperei, pois estava sozinha, sem saber falar quase nada de japonês, numa estação enorme. Para aumentar meu desespero, todas as áreas de informações estavam fechadas devido ao horário (passavam das 9 da noite).  Diante de tudo isso, juntei forças e parei um senhor para pedir informações. Veja bem, eu fiz algo que não é nada comum para um transeunte (fora que aqui há a fama de que as pessoas de Tokyo são chatas e não gostam de ser incomodadas, mesmo quando você quer pedir uma informação)... O que o desespero não faz? O senhor não sabia muito inglês, mas ele foi solidário, saindo de seu caminho para me levar até a plataforma em que eu deveria pegar o trem de volta (que por sinal, era do lado oposto que nós estávamos). No final, eu consegui chegar ao meu hotel!

Bem, como não tenho carteira internacional e nem dinheiro para comprar um carro, eu sou adepta aos ônibus e transportes ferroviários. Não tenho reclamações sobre eles. No Brasil, depender de transporte público é quase um suplício, pois com o nosso péssimo sistema de transporte, estar nos lugares de acordo com seu próprio schedule pode ser quase um desafio. Isso sem contar o transito. Nesse ponto, a eficiência japonesa nos meios de transporte é maravilhosa. Você pode marcar algo sem o risco de se atrasar por causa que o ônibus se atrasou! O único problema é quando chove e você sente falta do seu carro para te levar até a porta da sua casa.
Como relatei, os trens terminam seu funcionamento por volta da meia noite e meia, por isso todos se policiam para não perder o último trem (shuuden - しゅうでん - 終電). Já passei por várias situações, nesses dois anos, em que tive que sair correndo, que nem uma louca, para não perder o último trem e ficar na rua a noite toda. E nesse ponto, não só eu, como vários japoneses se desesperam e saem atropelando todo mundo para entrar no trem. 
Acho que a única exceção a tudo isso é Okinawa. Como comentei no post anterior, Okinawa só possui monorail.  Os ônibus por lá tem tabelas de horários, mas são muito espaçados, de maneira que se você perde o horário, leva-se no mínimo 30 minutos para pegar outro ônibus. Por isso, muitas pessoas optam por “alugar” táxis para andar por Okinawa. Os motoristas são bem compreensíveis e tentam fazer um preço mais “amigo” para os passageiros.

Já tive a experiência de viajar de shinkansen e é maravilhosa. Nessa viagem, eu fui de Tokyo a Osaka (aproximadamente 500km) em duas horas. É quase como andar de avião, mas sem sair do chão. Os vagões são equipados com wifi, tomadas e bancos super espaçosos e confortáveis. 

Acho que pude falar um pouquinho mais sobre um fato do cotidiano japonês. Espero que tenha sido interessante.
  

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Okinawa, o Japão não tão japonês...


       Antes de contar sobre a viagem, vamos ter uma breve introdução sobre a província (afinal, meu blog é um blog que incentiva o conhecimento também).

Mapa do Japão, com Okinawa bem ao Sul.


     Okinawa ( 沖縄) é o conjunto de ilhas mais ao sul, contando com 169 ilhas, que formam o arquipélago de Ryukyu. A capital, Naha, é localizada em uma das maiores ilhas, a ilha de Okinawa.
     Historicamente falando, Okinawa, nos tempos do shogunato, era um reino independente. Por isso sua cultura e algumas de suas características são um pouco diferentes da cultura japonesa em geral. Okinawa passou a ser mais “ligada” o resto do país depois da era Meiji. Lá se fala um dialeto próprio, que é de difícil compreensão por alguns japoneses (para mais informações sobre Okinawa, veja aqui).
      Por essas diferenças, já observei uma certa "divergência" entre  japoneses em geral e as pessoas de Okinawa. Alguns residentes de Okinawa chegam a dizer que não se consideram japoneses e sim Okinawanos (como se ainda Okinawa fosse independente). Já os japoneses daqui dizem que os okinawanos são estranhos, pelo estilo de vida e comportamento. Esse tipo de sentimento não é muito recorrente, mas ainda existe entre algumas pessoas.

      A viagem

       Okinawa para mim sempre foi um sonho. Toda vez que  ouvia falar do Japão, pensava “quero ir a Okinawa”. Essa curiosidade, no começo, surgiu por causa de alguns doramas como “Ruri no Shima” e também por causa do cantor de J-rock, Gackt. No caso do Gackt, ele contava muitas histórias sobre sua infância e como era o local, assim, tive vontade de ver com os meus olhos o lugar que ele descrevia com tanto entusiasmo.   Em Ruri no shima,  eles mostram o cotidiano de uma ilha em Okinawa, com uma vila pequena e pessoas sorridentes e alegres.

Cantor de J-rock, Gackt, tocando shamisen, instumento típico de Okinawa. Novela Ruri no  Shima. Ambos me inspiraram a querer conhecer Okinawa!

       Quando vim ao Japão, pensei que esse desejo de conhecer Okinawa logo seria realizado, mas levei dois anos até ir para lá. Isso porquê a passagem de avião até essas ilhas não é nada barata e segundo, a falta de tempo era um problema. No entanto, graças a uma companhia de baixo custo, Peach, pude realizar esse sonho. Pude pagar menos da metade do preço normal e em um final de semana, fui a Okinawa!
    Fomos apenas para a ilha de Okinawa. Tinhamos algumas informações sobre o local, mas confesso que tudo foi bem diferente do que eu esperava. Eu tinha uma visão totalmente diferente do local. Não me julguem, mas pensava que a cidade seria uma mistura de Japão e Havaí. No entanto, não foi isso que encontrei. E também, associava Okinawa com o litoral brasileiro, em que bastaria eu andar um pouco e encontria uma praia bela e dezenas de pessoas se divertindo na mesma. Doce ilusão...
   Primeiro, como fui no outono (época mais fria – por isso as passagens estavam tão baratas), o local em si não estava tão movimentado. Segundo, Naha em muito me lembrou uma cidade praiana do interior do Nordeste. Tem uma cara de menos “desenvolvida” do que os outras provinciais japonesas.  A primeira vista, nada chama tanta atenção.  Mas ao saírmos para explorar o local, descobrimos coisas bem legais.

Chegada em Naha.

   
   Existem muitas plantações em Naha. Vi muitos canaviais e plantações de dragon fruit. Sim, Okinawa tem cana-de-açúcar, mas de uma variedade diferente da existente no Brasil. A cana de lá é mais fina, menor e menos doce.  
    A dragon friut é produzida por uma espécie de cactos e interiormente lembra um maracujá. No entanto, o gosto não se assemelha em nada.   Outra coisa bem tradicional de Okinawa é a imo (ou batata doce havaiana), uma espécie de batata doce roxa.  Lá eles fazem muitos doces com ela. É bem gostosa.
    Como o clima da ilha é diferente (mais quente que o resto do Japão), muitas frutas podem ser cultivadas lá, como banana, goiaba, maracujá, entre outras.

Imo (batata doce roxa), Kit Kat feito de imo, cana-de-açúcar de Okinawa e dragon fruit.

  Entretanto, Okinawa tem um grande problema: transporte. Existe apenas uma linha de trem por lá, o monorail, que corta apenas o centro de Naha. Para ir para a maioria dos pontos turísticos, você deve usar ônibus ou carro. Como não tenho carteira de motorista internacional, tive que me virar com ônibus. Por isso, essa viagem foi um grande desafio. Ônibus são escassos e demoram a passar (acho que estou acostumada a eficiência do sistema do resto do Japão).
   Vou relatar o meu drama quanto ao transporte. No segundo dia de viagem, resolvemos ir a praia de Odo. Segundo as instruções do guia, pegamos o ônibus para a tal praia. Chegamos no meio do nada, duas horas depois. Estava na hora do almoço e não tinha nenhum lugar para comer. Tivemos que voltar uma parte do caminho até achar um lugar para fazer a refeição. 

Pratos típicos  e bebidas de Okinawa. Bastante carne de porco na alimentação.
   
    Depois disso, fomos informados que a praia de Odo era muito mais longe do que imaginavamos e não era muito boa para banho, apenas para surf e mergulho. Tivemos que pagar um táxi que nos levasse a outra praia, Mibaha beach (que era mais longe que a primeira e ficava no meio no nada também). Aproveitamos a tarde lá. O local é lindo, com água cristalina e uma indescritível paisagem.

Praia de Mibaha.

  Isso me fez entender o motivo da maioria dos pacotes turísticos oferecer o aluguel de carros. Como já ressaltei, infelizmente, tudo é muito longe. Sendo assim, um carro é muito útil para se visitar os locais.
    Tivemos a oportunidade de visitar o castelo de Okinawa também,  Shuri Castle ( しゅりじょう -首里城).  É um lugar lindo! Acho que de todos os castelos que tive a oportunidade de visitar, esse foi o meu favorito.  As cores e estrutura são diferentes dos castelos japoneses comuns, pois Shuri Castle tem muita influência chinesa.

Shuri Castle. Muita influência chinesa presente na decoração.


   Outro ponto turistico bem legal é o Okinawa World. Lá, você encontra um pouco de tudo sobre Okinawa, comidas, animais, plantas, apresentações, artesenato.  Visitei pela primeira vez uma caverna. Foram quase dois quilometros de uma bela construção da natureza.
Okinawa World. Foto da caverna e apresentação de Taiko.
   No Okinawa World tive oportunidade de tomar suco de goiaba, maracujá e suco de Hibiscus! E finalmente, assisti uma apresentação de um grupo de taiko tradicional de Okinawa. Por gostar muito de taiko, sou suspeita, mas a apresentação conseguiu me passar um pouco da alegria e orgulho que o povo de Okinawa sente por sua cultura.


  Foi uma visita muito curta, apenas dois dias, mas que foram capazes de deixar uma grande impressão sobre o lugar. Em suma: em Okinawa encontrei  japoneses sorridente, amistosos, com um estilo de vida menos sério e regrado que os japonês em geral... Isso me fez sentir um pouco como em casa... Por isso, recomendo a qualquer um que viage a Okinawa, é um lugar que vale mesmo a pena conhecer!
  
   
    

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Dois anos… E o tempo voa.


Esse será mais um post reflexivo do que informativo. No dia 4 de outubro se completaram dois anos que vivo em terras nipônicas. Dois anos em que tenho vivido experiências que nunca antes imaginei.


Umas das minha últimas fotos antes de vir ao Japão.


   Como descrevi, quando comecei esse blog, sempre tive vontade de conhecer o Japão por admirar a cultura e a forma de vida do povo japonês. Assim, quando a oportunidade da bolsa surgiu, vi nesta, além da possibilidade de crescer profissionalmente, a possibilidade de realizar um sonho.


Conhecendo um pouco da história do Japão. Nijo Castle - Kyoto.

   Cheguei aqui com muitos sonhos, esperanças e medos. E depois desses 24 meses, muita coisa mudou. Conheci pessoas que marcaram minha vida. Vivi situações que me deixaram tristes e outras que me deixaram alegres, mas no entanto, sou grata a Deus por ter me dado a oportunidade de viver tudo isso.
   Confesso que quando pisei no Japão, pensei que sabia um pouco sobre tudo, mas aprendi que o Japão é muito mais que me bandas de rock, muito mais do que gueishas e samurais, muito mais do que animes e video-games. Aprendi que nenhum lugar é perfeito e que mesmo com problemas, o Brasil é um lugar maravilhoso.


Torre de Tokyo. Me lembra Sakura Card Captors!


  E para aqueles que pensam que eu estou reclamando do país, não é verdade. Eu gosto muito daqui, do ambiente, da segurança, das facilidades. No entanto, sinto que por mais que eu viva aqui a minha vida toda, esse nunca será o meu lugar, pois meu coração é completamente tupiniquim!
  Apesar da dorzinha da saudade, aprendi a ser gente grande. Cuidar de mim mesma, administrar minha vida. Aprendi que devo ver a vida com outros olhos, ter a mente mais aberta para novas experiências.


Vivendo a experiência de vestir um yukata.

  Outra coisa que percebi, com a minha mudança foi o verdadeiro valor da amizade. Mesmo a distância não foi suficiente para me afastar das pessoas que realmente se importam comigo. Mas também ela serviu para mostrar quem nem todos que eu julgava serem amigos, na verdade eram.
Amigos que deixei no Brasil, mas sempre levo comigo.

Amigos que conquistei aqui!



  Sobre amizades, uma coisa que me entristece um pouco é não ter tanta oportunidade de fazer amigos japoneses. Sim, nesses dois anos, posso dizer que tenho apenas dois amigos japoneses. Às vezes me pergunto o motivo disso: seria a minha falta de conhecimento da língua? Ou minha própria inabilidade de me relacionar com as pessoas? No entanto, conheci muitos estrangeiros que demonstraram o mesmo problema... Vai saber... Mas mesmo assim, tenho como missão fazer mais e mais amigos, seja eles japoneses ou estrangeiros! ^^


Amigos brasileiros e estrangeiros!

     Acabei por me imergir bastante no modo de vida japonês também. Passei a beber chá verde (algo que eu nunca gostei), comer feijão doce (azuki) e comer comida com menos tempero. Não só os hábitos alimentares mudaram, mas me acostumei a tirar os sapatos sempre que entrar em casas ou certos recintos; me curvar na hora de cumprimentar as pessoas; responder “hai” e fazer sons para manter uma linha de comunicação (hábito característico de japoneses). Virei adepta das tecnologias, passei a a apreciar o tempo e o ambiente. Valorizar as pequenas coisas da vida e fazer delas grandes recordações...





   Bem, acho que chega de filosofia, né?! Novamente, quero agradecer a todos que acompanham esse blog e me inspiram a continuar. Mais uma vez, obrigada! ^^