sexta-feira, 15 de junho de 2012

O que é ser estrangeiro no Japão?!

   Bem, decidi fazer esse post depois de refletir um pouco e passar por algumas coisas aqui.

  De acordo com o dicionário, estrangeiro é uma pessoa de outra nacionalidade, de outro país. Até ai, nenhuma novidade, mas como é, realmente, se sentir um estrangeiro?! Bem, isso só se sabe quando se mora fora de seu país.


  No Brasil, somos muito receptivos aos estrangeiros, pelo menos na minha maneira de ver. Sim, temos aquela curiosidade quando ouvimos outra língua ou vemos uma pessoa de fenótipo carcterístico de estranegiro, como por exemplo, pessoas muito brancas e loiras. Mas nada disso se torna algo estranho ou preconceituoso. E tem como ser de maneira diferente, morando em um país que não tem uma “cara” característica? Que é formado pela mistura de vários povos?! Bem, nesse ponto, digo que o Brasil é um país muito bom.


  No entanto, no Japão as coisas são bem diferentes. Como todos aqui tem o fenótipo asiáticos, qualquer pessoa que não tenha os olhos puxados e cabelo escorrido, chama bastante atenção. E digo isso por experiência própria.
  Muitas vezes, ao entrar no trem, em uma loja ou simplesmente ao andar na rua, sinto os olhares curiosos dos japoneses a minha volta. Alguns deles cochicham, tentando adivinhar de onde sou, outros olham surpresos, como seu eu fosse um E.T. e, existem ainda, outros que me olham com olhar recriminador. É, isso acontece também, por mais estranho que pareça, existem japoneses que não gostam de estrangeiros e deixam bem claro isso. E você pode se perguntar o porquê desse sentimento... Ai eu respondo: eu também gostaria de saber. As vezes reflito muito sobre isso, pois não é como se um indiano, por exemplo, fosse algo tão absurdo que merecesse ser olhado com tanta curiosidade ou desconfiança. Não somos todos humanos, com dois olhos, uma cabeça e um coração?! Todos nós não sofremos, sentimos dor, tristeza e alegria?! Por que achar tão estranha uma pessoa que não tem os olhos puxados ou o mesmo tom de pele que o seu?!
  Um ponto engraçado sobre essa curiosidade são as crianças. Foram várias as vezes que percebi crianças me encarando, curiosas ou admiradas. Algumas delas chegavam a apontar para mim e dizer “olha, uma gaijin (termo em japonês para estrangeiro – 外国人- がいこくじ - ou melhor gaikokujin, o termo mais formal). Também aconteceram casos de japonese que decidiram conversar conversar comigo, para saber da minha história, de onde eu era... Recebi presentes, como doces e belos sorrisos. No entanto, algumas experiências ruins também marcaram a minha vida.
  Mas nem todos são tão amistosos. O último episódio de preconceito contra estrangeiros que sofri foi a duas semanas atrás. Estávamos entre amigos e voltando de um aniversário. Quando fomos pegar o trem, um japonês bêbado veio em nossa direção. Decidimos ignorar a tal pessoa. Ele não ficou satisfeito conosco e começou a falar palavrões para nós e gritar na plataforma “Estrangeiros! Estrangeiros!”.  Como se fossemos animais exóticos. Ele, inclusive, tentou nos intimidar, mas acabamos o ignorando e ele nos deixou em paz. Mas a noite ainda nos reservava outra surpresa (desagradável). Assim que chegamos ao nosso ponto final, decidimos pegar um táxi para voltar para casa. Enquanto esperávamos o mesmo, um senhor, de cerca de 40 anos, começou a se incomodar com a nossa presença. Estávamos rindo e conversando e ele começou a reclamar, em japonês, sobre nós. Veja bem, não estávamos fazendo nada de mais, apenas conversando e ele se achou no direito de reclamar porque estávamos lá. Fingimos não entender nada e continuamos conversando, normalmente. Assim que nosso táxi chegou, ele começou a falar em tom alto e bravo “vão embora”! Me senti muito mal com aquilo. Poxa, ele acha que só porque eu não estou no meu país ele é melhor do que eu?! Eu não estava fazendo nada para incomodá-lo!
  
   Bem, esses são pequenos exemplos do que vivi. No entanto, inúmeras são as histórias de amigos que passaram situações semelhantes ou até piores. Faço esse post como uma forma de desabafo e até de alerta para quem tem esse “fanatismo” pelo Japão. De uns tempos para cá, tenho ouvido e lido muitas pessoas exaltando o Japão e outros países como melhores que o Brasil. É como dizem, a grama do vizinho sempre é mais verde. Ou seja, qualquer lugar que não seja o Brasil é melhor. Isso não é verdade. Sei que não tenho tanta experiência em morar fora, visto que só vivi no Japão. Reconheço que nosso país é cheio de defeitos e tem muito a melhorar, mas eu não troco o Brasil por nenhum lugar desse mundo!
   O Japão, com certeza, é um lugar ótimo para se viver. Tem segurança e saúde acessível, mas também tem problemas como qualquer outro país. Tem corupção, drogas e  mortes, em proporções menores, mas isso tudo ainda existe. Por isso, engana-se quem acha que vai chegar aqui e tudo será um mar de rosas, perfeito. Além de todos esses problemas comuns a todas as sociedades, o fato de você ser estrangeiros complica mais a situação. Por mais que se saiba falar japonês e/ou sejam descendentes, todos sofrem preconceito. E digo isso, porque acho que a sociedade japonesa é pouco inclusiva. Perdoe-me se alguém se sentir um pouco ofendido com esse post, mas falo apenas do que vivi, não de histórias contadas por terceiros e devaneios.
Enfim, não querendo ser cheia de demagogia, mas acho que devemos aprender a ver mais o lado positivo das coisas. Aprender a apreceiar mais o nosso país e a forma como vivemos nele, ao invés de apenas reclamar e achar que tudo é uma droga! Não entendam esse post como algo ruim, mas acho que sempre devemos saber os dois lados da moeda. E nem só de mangás, animes e música se vive no Japão.  E qualquer pessoa que decida viver aqui ou em qualquer outro país, deve se preparar para passar por esse tipo de coisa. Como disse, por viver no Japão, eu falo do que passo aqui.
  Bem, termino esse post com o artigo de um professor, estrangeiro, para o Japan Times. É engraçado que eu decidi falar sobre a visão dos japoneses sobre os estrangeiros e ter esse post no Japan Times. Ele descreve bem a forma de alienação dos japonese para o “mundo exterior”, principalmente por parte da juventude. Leiam, é bem interessante.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Coréia - Parte 2


  Depois de dois séculos, eu volto a escrever.

  Continuando a contar a minha experiência na Coréia....
  Conheci lugares bem legais. A Coréia, assim como o Japão, tenta conservar bem a sua história. Existem lugares bem interessantes para visitar, se você quer saber mais sobre a história do país ou se apenas passear.
  Fora a parte cultural, a Coréia é o país perfeito para as compras. Como disse no post anterior, como o Won (moeda coreana) é mais desvalorizado que o Yen, eu fiz a festa. Além do que, lá tem toda a tecnologia e coisas legais que você pode adquirir no Japão! Como gosto muito da Samsung fiquei muito tentada a comprar várias coisas... E aconselho quem quer adquirir coisas dessa marca, esse é o local!
  Uma característica do povo coreano é que eles gostam bastante de coisas fofinhas, como penduricários, chaveiros, etc. E isso vale para homens e mulheres. Até mais que os japoneses, por isso, se você é do tipo de pessoa que curte isso (que nem eu), vai adorar a Coréia.
Enquanto estive lá, tive a oportunidade de vistar um bairro chamado Myeondong. Lá existe um mercado de rua, enorme. Todo dia, por volta das seis da tarde, a rua fecha e feirantes montam suas barracas em toda a rua. Roupas, bolsas, sapatos, brinquedos, cosméticos... Você encontra tudo isso lá. Além, claro das lojas que se situam no local.
   Além de gastar com besteira, comprei muitos cosméticos! A Coréia é o paraíso dos cosméticos. Sério. A cada 100 metros, em qualquer lugar, existe uma loja que vende cremes, maquiagem, loções. As marcas mais famosas são Nature Republic, Etude, The face shop, The Body shop, Tony Molly, Missha, Holika Holika, entre outras que não me lembro o nome agora. É claro, que os artistas mais famosos da Coréia que fazem propaganda dessas marcas. De fato, eu comprovei que os cométicos são muito bons mesmo! Comprei tantos, que até fique com medo da alfândega me parar! Hauahauahaha! Valem a pena mesmo! E algo muito legal é sempre que você vai comprar algo, eles te enchem de brindes, assim, você pode experimentar outros produtos!    

Propaganda das lojas de cosméticos. Jang Geun Suk e Nichkhun.


 Essa enorme quantidade de lojas relacionadas a beleza se deve ao fator que o coreano é obcecado com beleza e juventude. Na Ásia, eles são o povo que tem o maior índice de cirurgias plásticas. Eles tem “pavor” de envelhecer e serem gordos. Tanto que não só as mulheres, mas os homens também, são demasiadamente magros. Nas estações de trem e outdoors, em panfletos distribuídos na rua, pode-se observar anuncios de cirugia plástica. E essas intervenções cirúrgicas não são caras! Não sei bem o quanto, mas é mais acessível que no Japão, por exemplo.


Voltando a parte cultural, visitei museus e um grande castelo. Na verdade, o museu que visitei ficava situado dentro de uma parque de diversões, o Lotte World.

Lotte World.
 
 O local era bem interessante e acabamos aprendendo e conhecendo um pouco da história coreana. Nesse museu existe uma enorme coleção de maquetes com recriações das casas e modo de vida da população coreana antiga. Muito bonito!
Museu dentro do parque.

Uma das maquetes do museu.
 
E vou fazer um grande parenteses aqui, porque sempre quis expressar a minha “indignação” quanto a isso. Como será que, antigamente, as mulheres nobres coreanas sustentavam aqueles penteados estranhos?! Sério! Acho muito estranho aqueles arranjos e penduricários que elas usavam nos cabelos!

Esse é um exemplo dos penteados estranhos. Usado no drama Goong!


 Depois, do meu momento de desabafo...
Quanto ao castelo, nós visitamos Changdeokgung. Ele é enorme e bem diferente dos castelos japoneses. Para mim, os castelos japoneses foram construídos para ser uma fortaleza, enquanto, os castelos coreanos se parecem mais com uma moradia normal. Não que isso signifique que eles não são seguros, pois eles são com um labirinto. Para ter acesso ao local aonde o rei residia, você deve passar por tantos outros pontos, que acho que uma invasão seria frustrada na metade do caminho. A arquitetura e colorido do palácio também é formidável. Bem caracterítico da cultura coreana. E nesse castelo existe um enorme jardim, mas que, infelizmente, não pudemos visitar, pois é necessária a presença de um guia, pois o jardim é tão grande que as pessoas podem se perder nele. E naquele dia, as visitas com guias que falavam inglês estavam encerradas!
Palácio Changdeokgung.

O castelo Changdeokgung  foi a morada do último rei coreano, antes da invasão do país pelo Japão. Um fato legal é que nessa visita encontrei um casal de coreanos bem simpáticos. Eu cumprimentei o senhor e ele veio conversar comigo! Me contou histórias sobre o castelo e ainda indicou um lugar legal para conhecer na região! ^^
Saber um pouco da história do local que você está visitando é fundamental. E para tanto, se você deseja obter informações sobre o que fazer e aonde ir, você pode ir ao centro de turismo. Ele é aberto 365 dias do ano e tem pessoas que falam inglês!
Um coisa que indico fortemente a quem vai a Coréia é assistir a peça de teatro chamada ‘Nanta’. É um espetáculo permanente, mas sem falas, ou seja, qualquer criatura que não saiba coreano (como é o meu caso) pode assitir sem problema. É bem divertido!

Teatro do Nanta.
Visitando o centro de turismo, pode-se até conseguir um ingresso mais barato! Essa é outra dica legal. Todo dia, nesse centro, existe o chamado rush ticket. Você pode comprar ingressos para peças de teatro com desconto, até 70%! Mas é claro, para o espetáculo do dia. 
Outro ponto que recomendo fortemente uma visita, é a Seoul Tower. De lá, pode se ter uma bela vista de toda Seoul. Você pode usar um teleférico para chegar até ela ou ir de ônibus. Infelizmente, no dia em que fui visitá-la estava chovendo, por isso não pude ir de teleférico e a visibilidade da cidade não estava tão boa! Dentro da torre ainda existe o museu do ursinho de pelúcia.

Seoul Tower.
Vista do local da torre a noite.


*Momento ataque de fofura* Lá é lindoooooooooooooooooooooo!

Bem, nesse museu existe uma grande coleção de ursos, encenando parte da história da Coréia. Tão lindos, vestido com roupas tradicionais. Alguns se mexem!!! Nhaaaaa~~~! Quem gosta de coisas fofas e bonitinhas, vai adorar a visita. Pode-se comprar um passe para visitar o museu e o observatório da torre.
Quem é fã de dramas coreanos, como eu,  vai morrer de alegria ao ver os ursinhos usados no drama Goong! A parte final do museu é só sobre eles. E como esse foi o primeiro drama coreano que assisti, claro que eu surtei!
Ao final do museu, ainda existe uma lojinha em que você pode comprar alguns ursinhos. E lá tinha o Alfredo (para quem não sabe, o Alfredo é urso do príncipe herdeiro de Goong)! É claro que eu comprei um... E minha amiga também... E por isso ela me xingou muito, pois  eu a convenci a comprar e ela teve que levar uma caixa com um urso da Coréia para o Brasil! Hauahauahahaha


Exemplar do museu. Vestido uma roupa tradicional.

Ursinhos do Goong.

Explicando sobre o Alfredo!


Bem, tem muita coisa para se falar da Coréia, mas acho que esses dois post foram suficientes para falar um pouco da minha experiência por lá! Quem tiver oportunidade, com certeza deve visitar o país. Eu mesma, pretendo voltar lá, talvez ano que vem. Confesso que a Coréia ganhou um lugarzinho especial no meu coração!

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Coréia... Começo da aventura


      Abril começou e abril se foi e esse é o meu primeiro post do mês... Começo a ficar preguiçosa para postar as coisa… Desculpem-me…


      Nesse post vou contar um pouco sobre como foi a minha viagem para a Coréia do Sul. Essa viagem tem sido planejada desde o final do ano passado. Primeiramente, eu deveria ir para la visitar duas amigas que estariam fazendo curso de coreano numa das Universidades de lá. No entanto, muitas coisas aconteceram e a viagem não  deu certo. 


Por todos os lado podemos ver as bandeiras do país!

 
       Segundo, eu e a Marina tinhamos combinado de, em fevereiro, passar três dias na Coréia... Mas também, não deu certo. Os sites das companhias aéreas nos sacanearam e não conseguimos comprar as passagens.Finalmente, combinei com uma amiga que estava de férias no Japão de passar uma semana de abril em Seoul. E dessa vez deu certo! Perceberam que essa viagem foi quase um parto, né?!
        Então, dia 14 de abril, partimos do aeroporto de Kansai para as terra do Taekwondo. E as histórias da viagem já começaram no aeroporto. Estavamos em trio: eu, minha amiga e seu irmão, viajando para Seoul. Chegamos às 9 e pouco no aeroporto e nosso vôo saía às 11:40. Ao fazer o check-in, o primeiro problema: meu nome. No Brasil é comum termos dois, três ou até mais sobrenomes (tenho um amigo que tem seis). E no site da companhia aérea, só era permitido colocar um sobrenome, visto que 95% dos asiáticos tem um sobrenome apenas. Quando a senhorita da Jeju Air viu meu passaporte com dois sobrenomes e minha passagem apenas com um, ela reclamou. Isso não foi só comigo, mas também com meus outros amigos. Então, tivemos que bater um papo amigo com ela e explicar a situação. Ela entendeu, fez uma dúzia de ligações, falou com os superiores, mas no final de certo.
        Segundo problema: meu amigo trocou o passaporte com a mãe dele. Para ele embarcar a troca deveria ser desfeita, mas o pequeno detalhe é que o aeroporto fica a uma hora do centro da cidade, aonde os pais deles estavam hospedados. Fizemos uma ligação rápida e o pai dele iria de táxi levar o documento. No entanto, já se passavam das 10:30. Todos ficaram tensos, mas ao conversar com o pessoal da companhia aerea, eles informaram que no final da tarde haveria outro vôo para a Coréia e ele poderia embarcar nele, claro, pagando outra passagem.
        Esperamos o pai do meu amigo até o último minuto. No entanto, ocorreu um desencontro e não o achamos a tempo de trocar o passaporte, por isso, meu amigo teve que pegar o outro vôo.
Eu e minha amiga entramos atrasadas, e Murphy novamente se fez presente: a fila da imigração estava quilométrica. As atendentes da companhia aérea já estavam atrás da gente, pois tinhamos feito o check-in e não haviamos embarcado.
         Entramos na fila e como eu tinha visto de estudante e permissão de reentrada múltipla, tive que preencher alguns papéis, o que me enrolou mais ainda. Eu via a cara de desespero da minha amiga e da atendente da Jeju Air e isso me deixava mais nervosa. Depois de preencher o papel, furei fila, na cara dura, e entreguei os documentos. Não houve tempo nem para respirar, pois logo em seguida vieram as palavras de incentivo da atendente da Jeju Air: Corram, vocês estão atrasadas!
Saí que nem uma louca, correndo pelos corredores da sala de embarque. E para completar, quando chegamos no portão de embraque, outro atendente começou a rir da nossa cara, ao ver a gente correndo desesperada. Ele ainda fazia gestos de “calma, respira”. Mereço?!  
          Fomos as penúltimas a entrar na aeronave. Sorte que tinha mais um senhor atrasado, senão seriamos conhecidas como as estrangeiras que atrasaram o vôo! Envelheci uns 10 anos numa manhã!
          Depois de todo esse drama, a viagem correu sem maiores problemas. Chegamos em Incheon às quatro e pouco da tarde. Meu primeiro pensamento foi “nossa, estou na terra dos doramas”! Eu sei que é estúpido, mas eu me senti dentro de uma novela coreana ao estar lá! Foi, graças a Deus, mais um sonho realizado!
Pegamos as bagagens e decicimos ir de ônibus, limousine airport, para o hotel. Gastamos duas horas do aeroporto até nosso hotel. O hotel era situado perto da estação de trem de Chungmuro e de outros pontos legais de Seoul.
Uma das primeiras fotos em Seoul. A caminho do hotel
          Chegamos mortas de fome, pois só tinhamos comido um oniguiri (bolo de arroz) e suco, oferecidos no avião. Primeira refeição do dia: um pizza da dominos. Tá, não tem nada de coreano nisso, mas estavamos tão cansadas e com tanta fome que nem pensamos em nada. E a dominos era bem em frente ao nosso hotel... Depois de comer, morganos no hotel, pois precisamos repor as energias depois de tanta correria!
           Perto das nove da noite, nosso amigo conseguiu chegar ao nosso hotel. Então, resolvemos sair para explorar um pouco da cidade... Estava quase tudo fechado a essa hora, mas vimos um pouco dos arredores. De acordo com meu amigo, a Ásia é cidade de crianças, pois tudo fecha antes 10 (isso porque lá também existe o pequeno problema que a certa hora da noite todo o transporte público pára).
           Agora, vou falar um pouco sobre alguns pontos que observei durante a viagem.

 Transporte, infra-estrutura e comércio

          A Coréia, assim como o Japão conta com uma ótima infra-estrutura de transporte. Ruas bem pávimentadas e sinalizadas, ônibus, metrô e trem bala.
          O transito de Seoul é bem pesado e desorganizado (vide que levamos duas horas para chegar ao hotel e isso era um sábado). Confesso que achei as pessoas meio perigosas ao volante. E eles fazem bastante uso da buzina. O que não acontece no Japão.
          Quanto aos trens existe apenas uma companhia de metrô, a Korea Railway. Ela é extremamente organizada e eficiente. Em todas, vejam bem, TODAS as estações tem romanização nas placas. O que não acontece no Japão. Em algumas estações menores do Japão, você não encontra a tradução dos nomes, dificultando a locomoção das pessoas que não falam japonês. 

Mapa do metrô em Seoul. Você pode ir a qualquer lugar de metrô!

           Outra diferença: o preço das passagens de trem. Na Coréia, assim que cheguei, adquiri um cartão chamado T-money. Ele é um cartão pré-pago para ser usado no metrô. Paguei por ele menos de 3 dólares e sempre que necessário, podia recarregá-lo em qualquer loja de conveniências ou estabelecimentos credenciados. No total, coloquei nesse cartão cerca de 22 000 Wons, menos de 22 dólares, e rodei a cidade toda durante oito dias!!! Aqui, só para ir da minha casa até Umeda (o centro de Osaka) e voltar gasto quase cinco dólares!!!   Outro fato sobre o metrô: Existe ainda, no primeiro vagão de todos os trens, uma parte reservada para biciletas! Gente, isso foi muito legal de ver!
            Em geral, as coisas são beeem mais baratas na Coréia. O valor do Won é de 1:10 em relação ao Yen. Comida, roupas, cosméticos são muito baratos. Já disse que gastei como uma louca?!
Uma visão da bela Seoul.
             Agora falando sobre o ambiente. Seoul é linda. Uma cidade bem cosmopolita e divertida. Passei quase oito dias por lá e não vi tudo o que a cidade podia oferecer. No entanto, comparando ao Japão existem alguns pontos ruins: a cidade é mais suja e bagunçada. Como no Japão, achar uma lata de lixo na rua é quase um parto e lá eles não se preocupam tanto com a separação de lixo como no Japão. Acho que estou mal acotumada depois de viver um ano e meio aqui. Não que isso me deixasse uma má impressão do país, mas é que eu não imaginava que a Coréia seria assim.
             Vi também muitas pessoas fazendo comércio nas ruas e metrô, com suas barraquinhas ou até com lonas estendidas no chão. Isso me lembra o Brasil! Não é a toa que costumamos falar que os coreanos são os brasileiros da Ásia!
Uma das ruas de  Ssamzie-gil, mercado aberto. "Bagunça" coreana!
             Outra facilidade coreana: internet wifi em vários locais. Metrô, alguns pontos turísticos, restaurantes e em cafés pode-se usar wifi grátis. Quando você está visitando um lugar diferente e conta apenas com internet e google maps para se guiar, esse é um fator muito importante.










  Os coreanos e o comportamento

             Na minha opinião, os coreanos são bem mais bonitos que os japoneses. As mulheres se maquiam melhor, se vestem melhor. Os homens são bem mais masculinizados e também se vestem melhor que no Japão. E já disse que o exército faz maravilhas como eles?!
  
      *Obs.: Para quem não sabe, todo homem sul-coreano, antes do 33 anos, deve obrigatoriamente servir ao exército por 2 anos.

                 Os coreanos riem e falam alto nas ruas. As pessoas são mais sociáveis e divertidas.
              Um fator que me fez gostar mais ainda da Coréia foi a prestatividade das pessoas. Diversas vezes precisei pedir informação e como não falo nada de coreano, usei o inglês. Muitas das pessoas que falei, não sabiam falar ou falavam bem pouco inglês, mas sempre tentaram me ajudar e se esforçavam para se comunicar comigo. No Japão isso é um grande problema. Quando você pede alguma informação, se a pessoa não fala inglês, a comunicação pára por ai. Em muitos casos não vejo o esforço deles de tentar se comunicar em outra língua.
               Os casais coreanos também demonstram mais carinho e afeto um pelo outro em público. Tem até aquela coisa de casais combinando roupa (o que acho bem brega, diga-se de passagem). Cheguei a ver um casal vestindo um blusa com a foto dos dois juntos... Credo!

Este shopping estava repleto de casais...

  Outro fato interessante: o comportamento das pessoas no metrô. De certa forma, os coreanos são como o japoneses. Em geral, eles são silenciosos e cada um na sua. Eles também ficam mexendo no celular, lendo livros ou ouvindo música. Mas o que me chamou atenção mesmo foi a atitude a respeito dos bancos preferenciais. No Japão é comum ver crianças, jovens e pessoas com menos de 60 anos sentados nos acentos preferenciais, deixando os velhinhos  e as pessoas que precisam de pé. Na Coréia isso não acontece. Mesmo o trem estando lotado até a tampa, os assentos preferenciais estão sempre vazios ou ocupados pelos seus devidos passageiros. Me falaram que se alguém que não deve se sentar nesse assentos será duramente repreendido. Achei isso um máximo!!! Os japoneses (e também algumas pessoas) deviam seguir o exemplo!

               Bem, vou terminando esse post por aqui, pois ainda tem muita coisa para contar e um post só não será suficiente.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Sumô - 相撲

Teoricamente, eu deveria continuar escrevendo sobre Tokyo… Mas decidi mudar as coisas e falar sobre o sumô. Semana passada fui a esse evento característico da cultura japonesa e que me cativou, por isso, mudança de planos!!! :)
Confesso que não tinha muitas espectativas e achava que o evento seria bem chato. Quando uma amiga japonsesa fez o convite imaginei “vai ser chato, mas só aqui terei a oportunidade de ver isso de perto”. E assim, cheia de preconceitos, parti para mais essa aventura. Nunca me interessei pelo esporte, só havia visto algumas lutas pela TV e nada me chamou a atenção. A única coisa que sabia sobre a luta é que os lutadores tem que ser gordinhos e usar aquela “tanguinha” engraçada.
Bem, os ingressos não foram caros. Pagamos o preço equivalente a 30 dólares para poder assistir a todas as lutas do dia. O lugar que ficamos não era tão distante da arena, visto que o ginásio de Namba, local aonde ocorreu o evento, não era tão grande.
Estávamos em um grupo de nove pessoas, brasileiros e japoneses. Fomos no início da tarde para pegar as melhores lutas, do grupo mais forte. Assim que chegamos, recebemos panfletos com fotos e informações dos lutadores e sobre a história do sumô.

 Estádio de Namba, local onde foi realizado o evento.

Panfleto com informações e chave de lutas.

Brasileiros e japoneses juntos!



  O sumô 

Este esporte é bem antigo, mas conserva rituais xintoístas. Na luta, os dois atletas (rikishi) competem num ringue circular (土俵  dohyō) onde o primeiro a tocar o chão com qualquer parte do corpo exceto os pés ou pisar fora do dohyō perde a luta. Um rikishi também perde a luta se aplicar algum golpe proibido.
   O dohyō é uma plataforma quadrada feita de barro e possui um círculo de fardos de palha de arroz, dentro do qual se realizam as lutas. Suspenso acima do ringue, uma espécie de telhado que lembra um templo xintoísta.
   Como o ideal da luta é ser uma luta sem armas. Por isso, o lutador de sumô usa apenas o mawashi na luta. Esta é uma faixa de tecido grosso que é enrolado em volta da cintura do lutador, e que serve tanto para proteger os órgãos genitais quanto para ser agarrada para efetuar golpes.
    Assim que chegam ao estádio, os lutadores são divididos em dois grupos: leste e oeste. E cada grupo fica em salas separadas, para não se falarem até o momento da luta.
                                                                                                      Fonte:  Wikkipedia



Naquele dia haviam apenas pessoas mais idosas no estádio. Parece que o sumo não é muito popular entre os jovens, mas todos que estavam lá, levavam as coisas muito a sério. Torciam, se empolgavam, soltavam gritinhos a cada luta, tudo da maneira bem japonesa, claro. 

Visão do local da luta.


Ao observar as lutas, fiquei impressionada. A luta em si, dura pouco mais de um minuto ou menos. No entanto, existe toda um preparação, ou melhor um ritual a ser seguido. Como todas coisas japonesas, milhares de regras e processos que são repetidos inúmeras vezes antes das lutas. Os lutadores entram no ringue, pela parte que correspondente a sua divisão, leste ou oeste. Em seguida, eles batem palmas e fazem movimentos de pernas, batendo os pés no chão, para expulsar os maus espíritos. Olhares “malvados” são trocados pelos lutadores. Eles se batem, bebem agua (para purificarem o corpo) e jogam sal na arena repetidas vezes antes de começar a disputa. Os lutadores se posicionam sobre marcas no ringue, agacham-se, colocando os punhos no chão. Esse processo pode acontecer por até três vezes. Então, o juiz dá o sinal para iniciar a luta e nesse momento, a coisa fervilha. Alguns lutadores empregam varias técnicas, usam a força ou mesmo a esperteza. Em uma luta, que durou uns 20 segundos, o vencedor apenas teve que se desviar do oponente para que ele ganhasse, com seu rival indo ao chão sozinho.... Em outros casos, alguns lutadores iam juntos ao chão ou acontecia algo que deixava o resultado meio duvidoso, sendo necessário a intervenção de juízes externos. Em cada lado da arena, existe um juiz que observa atentamente a luta. Quando algo acontece, todos os juízes saem de seus lugares, se dirigem ao centro da arena e debatem o resultado. Nesse dia, acho que isso aconteceu umas cinco vezes... 


Juízes reunidos para decidir o vencedor da luta.


Outra coisa interessante foi observar que bastante estrangeiros estão engajados no mundo do sumô. O penúltimo campeão, inclusive, é um estrangeiro da Georgia, seu nome de lutador é Baruto. Também vimos um conterrâneo do Baruto. Ele não tinha um porte típico de lutador de sumô. Pesava 92 kg e tinha muitos músculos. Quando vi o rapaz, jurava que ele não ia durar um segundo contra o seu oponente, que tinha o dobro do tamanho dele. No entanto, o rapaz deu uma boa canseira no adversário, mas, infelizmente, perdeu a disputa. E é claro, que os brasileiros estariam no meio! Sim, temos um representante da terrinha no esporte. Ele é de São Paulo e seu nome de luta é Kaisei. Infelizmente, nesse dia ele perdeu! T^T

Kaisei - lutador brasieliro.

Luta do Kaisei. Ele era o de roxo.


Luta do Kaisei!

 
Bem, depois disso tudo, confesso que virei fã do esporte e recomendo. É uma experiência única e bem divertida!

segunda-feira, 19 de março de 2012

Tokyo - Parte I

Depois de quase um ano e meio aqui, resolvi escrever um post sobre a capital japonesa. Em março, fiz minha quarta viagem para Tokyo. Então, acho que agora posso falar um pouco melhor sobre lá!
   Quando se pensa sobre o Japão, logo pensamos em Tokyo. Isso é fato. E não estamos errados. A capital é a maior, mais colorida e movimentada cidade do Japão.
Bem, a primeira viagem a Tokyo aconteceu no natal de 2010. Minha primeira impressão foi: Uau! *risos* Sim, ela é um local bastante imponente e ao mesmo tempo assustador. Milhares de pessoas circulando pelas ruas, japoneses e estrangeiros, milhares de prédios e carros. Até lembra um pouco SP, mas em maiores proporções. Meu primeiro choque foram as linhas de metrô. Jesus! Não é muito fácil se vira por lá. Principalmente se seu japonês é inexistente.  Você pode cortar o estado todo usando trem, mas são tantas empresas, tantas estações, que você se confunde um pouco. Sem falar que não é em todo lugar que você encontra uma placa com as romanizações dos nomes das estações (o que dificulta um bocado na hora de você se localizar). E devo fazer uma confissão aqui: acho que todas as vezes que estive lá, eu me perdi, pelo menos uma vez nas estações. A estação de Tokyo (Tokyo Eki – 東京駅) é a maior e mais movimentada da capital. Nela você pode pegar trens para os pontos principais da cidade e também o famoso trem bala (shinkansen – 新幹線). 

 Mapa das linhas de met de Tokyo. Não disse que era muita coisa?!

Sobre a cidade: altamente tecnológica, mas ainda é possível se observar traços tradicionais em alguns pontos. Na minha série de viagens, visitei os mais famosos pontos da capital: Torre de Tokyo, Tokyo Dome City, Shibuya, Shinjuku, Harajuku, Ueno, Asakusa, Akihabara, Odaiba e a Tokyo Disneyland. E mesmo indo a todos esses lugares, ainda muita coisa que ainda não vi.
 Vou comentar um pouco sobre alguns desses pontos. 

Torre de Tokyo 

 A torre de Tokyo (東京タワ – Tokyo Tawa) tem 335 m e foi construída em 1958. Sua arquitetura foi baseada na Torre Eiffel e conta com dois observatórios. Pagando a quantia de 600 yens (equivalente a mais ou menos 6 dólares) você tem direito a ir ao primeiro observatório. De lá, pode ser vista toda a capital. E se o céu estiver limpo, também pode-se ter uma bela visão do monte Fuji. 


Depois do terremoto do dia 11/03, a antena da ponta entortou.

Visão do monte Fuji do primeiro observatório. 


Piso do observatório.


O acesso ao  segundo observatório se localiza dentro do primeiro observatório. Ele fica bem mais acima, quase no topo da torre. Para ter acesso a mais essa atração, você deve pagar mais 300 yens. 
Dentro da torre existem ainda cafés, restaurante e algumas lojas de suvenires. Um bom programa para turistas.
Se alguém quiser mais informações da torre, basta visitar esse site (site em inglês).


Tokyo Dome City 

Eh considerado um centro de diversão. Fica localizado no centro de Tokyo e conta com um grande estádio, Tokyo Dome (um dos maiores do Japão), parque de diversões, spas e hotéis.
Fui a cidade para conhecer o estádio. O Tokyo Dome tem espaço para 55 mil pessoas. Lá tocaram e ainda tocam grandes renomes da música mundial e japonesa. Michael Jackson, Guns N` Roses, entre outros  já passaram pelo Tokyo Dome. Estive no local no dia 26/12, dia do show do GazettE (Namelles Libert and Six Bullets). Como fã de J-rock, foi um sonho estar lá.  

 Tokyo Dome.

Tokyo Dome no dia do show do GazettE.


      Shibuya

    É um dos mais famosos distritos de Tokyo. Conhecido com o centro fashion da capital japonesa, conta com a vida noturna mais movimentada da cidade. Esse distrito é conhecido como um dos bairros jovens, contanto com lojas de diversos estilos e preços para o público alvo.
    Em Shibuya existe, também, um dos mais famosos cruzamentos do mundo e a estátua do cachorro Hachiko. Ambos se localizam na principal saída de estação de JR Shibuya. E a estátua é o principal ponto de encontro da cidade. Existe um prédio localizado bem de frente a esse cruzamento, que conta com um Starbucks. Esse café tem uma vista previlegiada do cruzamento e um dos recintos comerciais mais movimentados da cidade. 

Eu e Marina em frente ao cruzamento.

Shibuya a noite.

 Estátua do Hachiko.
   Foi lá que passei o meu ano novo, na maior muvuca, como descrevi no post do ano novo. Iclusive, foi andando por Shibuya que senti o meu primeiro terremoto em Tokyo.

  Bem, segurei com minhas experiencias nos proximos post...