terça-feira, 21 de maio de 2013

Entreterimento



   O post do mês será sobre entreterimento no Japão, ou seja, música, filmes.. Vou falar um pouco como isso é por aqui.
  

   Música

   Como comentei em alguns post, gosto bastante da música japonesa. Na verdade, do rock japonês (J-rock). Escuto algumas bandas que são bem famosas por aqui e internacionalmente, como L’Arc~En~Ciel, the GazettE, Gackt, Glay, Mucc, SID, X Japan e por aí vai....
   Uma coisa bem legal é que os japoneses procuram escutar bastante as bandas daqui. Em restaurantes e outras lojas, quase sempre, a música ambiente é de alguma banda ou grupo japonês. Assim, querendo ou não, você escuta bastante as músicas dos artistas daqui.
   Embora o meu gênero preferido seja o rock, escuto algumas bandas  e artistas de pop (J-Pop), como KAT-TUN, YUI, Hikaru Utada, etc... E posso dizer que esse gênero é sem, dúvida, o de mais sucesso por aqui. Entres jovens e velhos, Arashi, AKB48, SMAP e Exile lotam casas de shows (eu não sou particularmente fã de nenhum deles, mas é inegável que eles movimentam milhares de japonês).
   Os shows de qualquer banda ou cantor japonês sempre são muito bem produzidos. Efeitos, encenações, grandes telões e surpresas acontecem a cada apresentação. Um exemplo disso é o cantor Gackt. Ele sempre foi conhecido por suas apresentações espetaculares. Na turnê Diabolos (2005), ele entrou a cavalo no estádio em que estava se apresentando. Em outra turnê, na música “Rain” ele fez chover no palco. Os membros do L’Arc já chegaram ao local da apresentação em um helicóptero. Na última apresentação do the GazettE (março-2013), foi preparado um grande show pirotécnico que simulava que partes do palco estavam caindo. Isso tudo demonstra a preocupação dos artistas de, além de tocar uma boa música, preparar um ambiente impressionante para a platéia.

Shows do Gackt: ele tocando "Rain" enquanto chove no palco. Na turnê diabolos ele entrou no estádio a cavalo. Já o Larc gosta de fazer shows pirotécnicos.


     Em consequência disso, a maioria dos shows sempre são lotados. Mesmo alguns alguns ingressos sendo o preço meio salgado. Mas isso também depende do local de show e da banda. Um show em uma casa de espetáculos de médio porte, para uma banda um pouco mais famosa, o preço saí na faixa de 70 dólares. Bandas grandes, como L’Arc, tem um preço mais caro, por volta dos 100 dólares. Os ingressos para os concertos podem ser adquiridos em sites especializados ou em lojas de conveniências.
    A organização dos eventos é maravilhosa. Cada ticket tem um número. Independente de onde sejam comprados. O número não é decorativo, ele determina seu lugar. Não importa se você dormir na fila, se seu ingresso é na última fileira, você deverá ficar lá. Até nas casas de show sem assentos existe organização. Os ingressos também são numerados e você entrará no local de show de acordo com seu número. Então essa história de “guardar caixão” para ficar na frente não cola aqui. Eu adoro esse sistema, pois sei que se chegar 5 minutos antes do show começar, meu lugar estará lá, esperando por mim. No entanto, os melhores lugares SEMPRE são reservados para o fã-clube.
Cada artista tem um grupo que  organiza a venda do merchandise da turnê. Antes do começo do show ou ao seu término, você pode comprar os mesmo.


Estandes de venda de produtos do artista. Organização dos lugares por setores no show do L'Arc. Filas antes do show do the GazettE. Japoneses organizados, gritando "encore" para a banda The GazettE.


     Sobre os shows que fui: todos muito bons. A única coisa estranha é a atitude dos japas durante a apresentação. É costume que as pessoas façam coreografias durante as músicas. É algo feito em conjunto. Se um faz, todos repetem (meio programado demais para meu gosto). Ano passado fui ao show do the GazettE, eles tinham acabado de lançar um CD o “Division”. Como eles tocaram quase todas as músicas do novo CD, não havia coreografia. Então, os japas ficavam apenas parados, escutando eles tocarem. Para mim, isso é meio estranho, pois é como se eles não fossem livres para aproveitar, de verdade, o show.
  Outra coisa bem interessante, é que sempre que o artista sai do palco, indicando o fim do show, as pessoas começam a gritar "ancore" (de encore) pedindo que o artista volte e toque mais algumas músicas. Isso é uma tradição e todos os artistas esperam que seus fãs demonstrem seu amor por eles, gritando bem alto e batendo palmas. Se, por acaso, o artista sentir que o público está desanimado ou não grita bastante, ele pode não voltar e terminar o show por ali mesmo. Mas caso a platéia mostre o entusiamos, ele pode voltar mais uma ou duas vezes...
 Sobre CDS, DVDs... Os artistas japoneses costumam lançar bastante singles. Ou seja, uma mídia com duas ou três músicas. Eles fazem esses lançamentos mais frequentes que os de CDs. O L’Arc, por exemplo, já ficou quase 5 anos sem lançar um CD, mas lançava um single ou outro nesse período. 


CD do The GazettE - Toxic. Single do L'Arc - XXX. Minha coleção de CDs e DVDs.


 E você poderia pensar que seria um desperdício ficar comprando esses singles ao invés de esperar pelo CD propriamente dito, visto que essas músicas estarão nele. Errado! Porque as empresas de música daqui são umas capitalistas malditas e sempre fazem coisas para incentivar as pessoas a comprarem tudo. Os singles do the GazettE, por exemplo, tem sempre uma faixa extra que nunca entrará no CD. Os do L’Arc tem uma versão das músicas deles feitas pelo Punk~En~Ciel (quando eles fazem um tipo de cover deles mesmo, mas com os integrantes tocando em “posições” diferentes das usuais). O SID costuma colocar algumas versões das músicas ao vivo. No Acid Black Cherry, o vocalista, Yasu, faz cover de algumas músicas famosas de outros artistas. Como se não bastasse isso, em muitos casos, cada single vem em duas ou mais versões. Capas e conteúdos são diferentes. Em uma pode vir uma música a mais, na outra vem um DVD com o MV da faixa principal do single. É, se você é um colecionador e um fã maluco, terá que ter muito dinheiro para ter tudo.
   Os DVDs seguem a mesma idéia. Sempre são lançados, no mínimo, duas versões, uma normal, só com o show e outra com o show e alguns extras. O L'Arc, esse ano, quebrou o recorde e lançou 13 versões do mesmo show. É, as empresas japonesas sabem como arrancar o dinheiro de seus consumidores.




DVD do Larc que teve 13 versões. DVDS do L'arc e the GazettE. Sempre capas e booklets muito bonitos e com muitas fotos.



Filmes

    Japoneses gostam bastante de ir ao cinema. No entanto, os filmes hollywoodianos não são a primeira escolha de muitos. O cinema nacional é bem forte aqui. Quando você decide assistir um filme,  entre 10 salas de exibição, 5 ou 6 terão filmes japoneses. Parece impressionante, mas é verdade. Às vezes, muitos filmes americanos nem chegam a passar aqui e, se são exibidos, serão com alguns meses de atraso.
       Um exemplo disso foi o filme “The Hunger Games”. Se não me engano, em abril do ano passado, ele estava sendo exibido em vários lugares do mundo (inclusive porque eu estava na Coréia e nessa época e me lembro que ele estava em cartaz), menos aqui.  O filme só passou em terras nipônicas em agosto. O porquê disso? Eu também queria saber. Alguns dizem que é pela falta de interesse dos japas, outros que é porque demora-se para fazer as legendas... Vai entender.
 Fato é que toda vez que quero ver um filme americano, sofro. Meu japonês limitado me impossibilitada de ver qualquer filme japonês. Um dia, me arrisquei a ver Rurouni Kenshin (meu anime favorito). Eu entendi 10% do que eles estavam dizendo, mas como eu conheço a história de cor, valeu a pena, pois queria ver esse Live Action.



Filme Rurouni Kenshin. O primeiro filme que assisti em japonês (sem legendas).



Programas de TV

   Assim como os brasileiros, japoneses gostam de novelas (doramas – da palavra drama – ドラマ ). No entanto, as novelas daqui seguem um padrão diferente. Cada novela tem uma média de 9 a 11 capítulos. O que seria visto uma mini-série, no Brasil. Cada episódio tem cerca de 50 minutos. Ou seja, nada muito longo.  As celebridades mais famosas são aquelas que trabalham nesse ramo, por isso muitos cantores acabam trabalhando nessas novelas (principalmente os membros de grupos de pop). Sobre os temas das novelas, eles variam bastante. Temos comédia, romance, ficção científica, policial... O padrão  das histórias também é diferente. Mesmo a história sendo de amor, não acontecem beijos “calientes” ou cenas provocantes. E você, muitas vezes, não vai ter o final feliz que você comumente espera nas novelas brasileiras. Personagens casando, tendo filhos, vilões morrendo... Às vezes, você assiste aos 11 capítulos, esperando ansiosamente que a mocinha fique com o mocinho e, no final, cada um vai para o seu lado e eles ficam separados. Devo dizer que já fique bastante frustrada assistindo essas novelas.  Mas entendi que eles se prendem mais ao sentido por trás do enredo, o que você pode aprender com isso, do que o final propriamente dito. Também, algumas novelas  japonesas seriam consideradas bobas no Brasil.

Duas novelas bem famosas e boas: My boss, my hero e 1 litro de lágrimas.




  Aqui também temos programas de auditório, programas de música, show de variedades, comédia, culinária, etc... Mas como disse, o conceito de diversão deles é diferente. Alguns dos programas de humor, para mim, são muito sem graça. Não entendo bem as piadas deles...
  Outra coisa interessante é o cenário dos programas. Enquanto no Brasil cada programa tem um cenário próprio, todo elaborado, aqui a coisa é mais simples. Dá até para perceber que algumas coisas são bem fakes. Um acessório presente em muitos programas é um quadro tabela. Não sei bem o motivo, mas eles se amarram em usar um quadro para explicar ou demonstrar as coisas.
  Alguns grupos de pop, como KAT-TUN e Arasahi tem ou tiveram seus programas de TV também. Em geral, seriam como programas de auditório, em que eles discutem assuntos do dia-a-dia com convidados.


Alguns programas que passam na TV japonesa. Cenários simples e coloridos. A boyband Arashi tem o seu próprio programa de TV.



  Bem, acho que com esse post vocês podem ter uma idéia como é a parte de entreterimento no Japão.  

terça-feira, 16 de abril de 2013

Hanami e outras coisinhas…


   Já fiz alguns posts falando sobre o hanami (はなみ花見), mas nesse vou falar um pouco da minha experiência desse ano e postar algumas fotos junto.
   Como já ressaltei, os japoneses gostam de apreciar a natureza. Todos os anos, na primavera e no outono, grande número de japoneses saem  país a fora para ver as mudanças na paisagem. Na primavera, época das flores, eles saem em busca das sakuras (flores de cerejeira – さくら - ). Também nessa época as flores de ameixa Ume -うめ -梅) também são bastante apreciadas. Existem vários locais do Japão com jardins e parques enormes com ambas as árvores. Nesses locais, as pessoas se reúnem para comer, beber ou apenas gastar um tempo observando as maravilhas da natureza.

A cidade fica bem florida!

    Esse ano, meu hanami foi em um famoso templo de Kyoto. O Kyoumizudera. Ele é bastante conhecido e sempre promove atrações nessa época. Esse ano, durante uma semana, eles abriram o templo a noite, para que as pessoas pudessem apreciar as flores de cerejeira com um bonita iluminação. Estava lindo. Ainda mais, porquê o templo se situa numa montanha e era  possível ver toda a cidade de Kyoto de lá. Muitas pessoas, japoneses e estrangeiros, estavam por lá, tirando fotos e apreciando a visão da cidade.  Logo depois de sairmos do templo, encontramos um matsuri (feira), no qual comemos um delicioso karaage (frango frito empanado). Um jeito bem japonês de se aproveitar os eventos é esse, apreciando a paisagem e comendo em feiras... Bem, acho que fotos podem descrever melhor o que vi...


O templo da entrada e a visão noturna da cidade. A fundo está a torre de Kyoto.
Mais fotos tiradas do templo e da cidade.



     Esse templo também faz a mesma coisa no outono, abrindo as portas durante à noite, para que as pessoas possam ver as folhas de maple (momiji –もみじ - 紅葉). Como eu gosto muito das cores do outono, acho que essa é a melhor época para se aproveitar o Japão.





   Vivendo no Japão em situações de perigo.


     O post sobre o hanami é pequenos, apenas para dividir um pouco da experiência desse ano. Assim, diante da situação que a Ásia vem vivendo com a Coréia do Norte, resolvi falar um pouco sobre isso também.
     Desde que Kim Jon Un vem fazendo ameaças de guerra, não só meus parentes, mas amigos, tem manifestado uma grande preocupação a respeito da minha permanência no Japão e até mesmo a posição do japoneses quanto a isso.
    Bem, devo dizer que a situação por aqui está bem tranquila. Aqui, a maioria tem consciência que essas ameaças são mais palavras vazias que algo real. Claro que o Japão está preparado caso algo aconteça, mas a probabilidade disso é bem baixa. A população e o governo tem tanta confiança nisso que, mesmo diante de todas as palavras hostis do governante norte coreano, pouco se fala sobre isso. Mídia e população não demonstram grande preocupação sobre uma suposta guerra.
   No entanto, as pessoas tem diminuído a ida ao vizinho sul coreano. Como disse uma vez, no meu post de quando visitei a Coréia, os japoneses sempre vão a Coréia do Sul para fazer compras. Eles são um dos maiores grupos de turistas que frequentam o país, movimentando bastante a economia. Diante de todas as ameaças, e como a Coréia do Sul seria um dos primeiros alvos do país socialista, os japoneses estão evitando ir ao país.
   Umas das companhias aéreas da minha região, Peach airlines, tem como um dos principais pontos de viagem, o país sul coreano, e mesma está tendo vários problemas com cancelamento de passagens. Diante de tal fato, eles estão vendendo passagens à preço de banana. E isso não é só expressão. A passagem de ida e volta está saindo em torno de 20 doláres. Veja bem, para eu me deslocar para alguns pontos da minha região gasto quase esse valor de trem. E essa companhia aérea está vendendo passagens por esse preço, para outro país.  Acho que esse é um dos grandes impactos causados por essas ameaças.
   O “engraçado” é perceber que quem está mais preocupado com isso tudo são os estrangeiros. Pelo que converso com as pessoas do Brasil, parece que a mídia internacional está fazendo mais alarde do que a mídia asiática. Acho que isso colabora para que todos fiquem preocupados. 
   Um fato divertido  (na medida do possível), demonstrando que os estrangeiros estão mais preocupados com isso do que os japoneses, ocorreu no sábado passado (dia 13.04). Às 5:34 da manhã, ocorreu um terremoto na ilha de Awaji (a mesma ilha que foi atingida pelo terremoto a 18 anos atrás e que esse terremoto causou a destruição de boa parte da cidade de Kobe - mais informações aqui). Boa parte dos celulares japoneses são programados para darem alertas de perigo nesses casos. E foi o que aconteceu. Às cinco da manhã, meu celular começou a “gritar” como um doido. Dois segundos depois, a casa começou a balançar. A tremedeira durou um pouco mais de um minuto, mas sem estragos (pelo menos na nossa região, pois na ilha de Awaji, o epicentro, algumas pessoas chegaram a se machucar). Fiquei um pouco assustada, mas depois voltei a dormir (a gente acaba se acostumando com cada coisa). Mas a parte cômica da história foi ler no facebook a quantidade de estrangeiros que pensou que isso era algo relativo ao ataque da Coréia do Norte. Foi até comentando que uma pessoa pensou que era o apocalipse, mas depois de perceber que não era nada disso, a mesma pessoa voltou a dormir, tranquilamente.
   O que quero dizer com tudo isso é que, pelo menos por enquanto, as coisas por aqui estão normais. Estamos levando a vida normalmente, mesmo com ameaças de guerras e terremotos malucos... 

quarta-feira, 20 de março de 2013

Conhecendo mais sobre o Japão


 O post desse mês irá se referir a mais curiosidades. Coisas simples da vida que são um pouco diferentes das que vivenciamos no Brasil.





  - A maior parte dos japoneses vive em apartamentos. Ter uma casa aqui significa que você tem bastante dinheiro.  Já vi várias reportagens e conversei com algumas pessoas que me confirmam que o Japão é um dos lugares com o metro quadrado mais caro do mundo.

  -  As paredes têm ouvidos. Isso não é brincadeira. Todos os apartamentos tem paredes muito “finas”, o que quer dizer que facilmente você escuta coisas dos seus vizinhos. Sejam conversas, televisão, passos. Não só do seu vizinho do lado, mas como de cima também. Por isso, de certa forma, os japoneses são super chatos com barulhos. Houve um caso de um amigo que mora no terceiro andar e o vizinho  de baixo (japonês) reclamou com o dono do prédio a respeito do barulho que ele fazia, quando andava... Absurdo, mas verdade. Isso se deve ao fato de as construções usarem materiais mais leves e mais baratos, visando diminuir o custo e evitar acidentes muito grandes, em caso de terremotos. Outro problema causado pelo uso desse tipo de material, é o isolamento térmico da casa. Alguns lugares (como no meu apartamento) no inverno, o frio fica insuportável e no verão, fica muito quente...

   - 90% dos apartamentos tem banheira (ofuro - おふろお風呂). Os japoneses tem costume de tomar uma ducha e logo em seguida, encher a banheira para relaxar. Como eles se lavam bem, antes de usar a banheira, é comum que várias pessoas da família usem a mesma água da banheira para o banho.  O ofuro pode ser localizado no mesmo ambiente do vaso sanitário, mas em alguns apartamentos e casas, geralmente, ele se encontra em um ambiente separado.

   -  A limpeza da casa é uma tarefa que em algumas vezes envolve a família. Geralmente, a cada ano,  no ano novo, toda a família se envolvem numa grande faxina (souji - そうじ - 掃除).  Esse seria como um ritual para trazer boas coisas para o lar e se livrar de coisas velhas. Em escolas e universidades, isso também ocorre. No meu caso, no meu lab, temos uma grande limpeza todo o fim de semestre, em que alunos e professores participam da tarefa.

    -  Forno não é uma coisa muito comum por aqui. São poucas as casas e pessoas que contam um um forno a gás. Fogões, em sua maioria, são elétricos e não vi os fogões e fornos conjugados que temos no Brasil. Na maioria das vezes, você tem que comprar os dois separados. No meu caso, optei por um forninho elétrico.


Fogão e forno elétrico encontrados por aqui.

    - Japoneses adoram tirar fotos. Tiram fotos de tudo, o tempo todo. Uma coisa bem engraçada e legal, ao mesmo tempos, são as purikuras (プリクラ), as fotos adesivas. Japoneses adoram essas coisas. Em vários lugares existem máquinas para tirar essas fotinhos. Nelas, você pode fazer modificações na sua aparência como: aumentar os olhos, tirar imperfeições da pele, mexer na cor dos olhos e cabelo, colocar maquiagem e claro, decorar a foto. Sejam  entre amigos ou casais, todo programa termina com uma purikura. Alguns japoneses gostam até de tirar fotos sozinhos ou apenas com seus personagens de desenhos. Mas se você gosta mesmo do seu personagem, você pode se vestir como ele e tirar a sua foto (alguns lugares oferecem aluguel de fantasias para tirar fotos). Uma coisa engraçada é ver como muitas meninas levam isso a sério. Quando elas decidem tirar essas fotos, elas levam consigo algumas malas. Nessas bolsas elas possuem roupas e maquiagem, especialmente para serem usadas antes das fotos.


Purikuras que tirei com amigos. Até me vesti de ikka musume...

  - As garotas japonesas gostam de usar um penteado com coque, posicionado no topo da cabeça. Desde o tempo das gueishas, mostrar  o pescoço é algo sexy, por isso, sempre que podem, elas fazem penteados que expõe a região do pescoço. E um dos penteados mais populares é esse coque. Para mim é meio estranho, mas é bem popular.


Estilo de penteado muito usado pelas japas.
  

- Que os japoneses gostam de chá verde, é bem conhecido.  Devido a esse fator, eles procuram colocar chá verde e tudo. Aqui existem vários produtos contendo chá verde: bolos, biscoitos, sorvetes, xampu, cremes, chocolates.


Bolo, sorvete, chocolate e biscoito de chá-verde.

 - A companhia de TV pública é a NHK. Como ela é estatal, para "sobreviver" ela conta com a ajuda dos telespectadores. De tempos em tempos, empregados da emissora batem as casas das pessoas e cobram uma taxa de cerca de 20 dólares para todos aqueles que assistem a NHK. Se você tem uma TV ou assiste a mesma pelo computador, deve pagar a taxa. Não é como se você fosse processado ou algo do gênero se não pagar, mas vai da consciência de cada um. Todos os japoneses pagam essa taxa.




  Bem, acho que por hoje é só. Acho que sobre essas coisas eu não tinha comentado... 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Hokkaido, a terra gelada!


  Hoje vou falar sobre a minha última viagem, dessa vez eu fui a província de Hokkaido.

  Hokkaido (北海道  - ほっかいど) é a segunda maior ilha do Japão e a maior cidade dessa província é a capital, Sapporo (札幌  -さっぽろ).  A província tem um verão moderado e um inverno gelado. Sua economia é baseada principalmente na agricultura, sendo bastante conhecida pela produção de arroz, vegetais e também pela pesca.  Caso alguém queira saber mais sobre a província, pode encontrar informações aqui.
  Outro ponto que torna Hokkaido bastante famosa é o festival de esculturas de gelo. Como disse acima, o inverno é um pouco intenso, chegando até a -10°C, e há bastante neve no local. Diante desse fator, em 1950 foi realizado o primeiro festival da neve o “yuki matsuri” (雪祭り- ゆきまつり).  Esse é um dos mais famosos festivais no Japão, em que em vários pontos de Sapporo podem ser observadas esculturas de gelo. Anualmente, milhares de pessoas visitam Hokkaido em fevereiro para apreciar esse evento. O festival vai do dia 5 a 11 de fevereiro (mais informações aqui).
   Essa viagem foi planeja no final do ano passado, para apreciar o festival. No entanto, optamos ir para Hokkaido no final de semana que antecede o festival (pois a cidade sempre está cheia nesses dias e tudo fica absurdamente caro). Indo apenas três dias antes do ínicio do evento, pudemos apreciar a cidade sem tumulto e ver as esculturas.
  Chegamos a Sapporo no início da tarde e a paisagem da cidade era gelada. Ruas cobertas de gelo e neve. Pessoas bem agasalhada. Muitos carros de neve removendo neve das pistas e montanhas de neve por todos os cantos (bem diferente do inverno que enfrento em Osaka). Ver tanta neve sempre me impressiona!

Neves nas ruas e cobrindo os campos.


   Em seguida, fomos almoçar em um setor de restaurantes especializado em ramen. O local era próximo a estação de Sapporo e  bastante ornamentado; continha seis restaurantes que apenas serviam essa sopa de macarrão. Nesse dia, optamos pelo tonkotsu ramen  (ramen de osso de porco) com queijo, que disseram ser uma das especialidades de Hokkaido.  Ele era temperado com bastante alho e gergelim, muito gosto.

Tonkotsu Ramen com queijo e oniguiri!


   Depois disso, tiramos boa parte da tarde para apreciar as esculturas. Existe uma longa avenida, chamada Odori, que corta Sapporo e é lá que a maioria das esculturas se concentram. Como fomos antes do início do festival, não vimos todas as esculturas prontas, mas boa parte delas estavam terminadas. O interessante também foi ver muitas famílias e/ou grupos de amigos fazendo as suas esculturas. Cada grupo recebe um bloco de gelo e trabalha nele. Nesse dia vi de tudo, pokemons, o Totoro, esculturas lembrando monumentos japoneses e mundiais, animais... Vi até um estômago. Sim, algum grupo modelou um estômago!

Algumas das esculturas. Uma família estava terminando a escultura da Torre de Sapporo!


    As ruas ao redor das esculturas estavam completamente cobertas de gelo, o que dificultava a caminhada. Detalhe: eu não estava usando botas apropriadas para andar na neve, por isso, andava vagarosamente por esse locais, pois a neve estava escorregadia e o perigo de um acidente era grande!
    Nosso próximo ponto de visita na cidade foi o museu da cerveja Sapporo (Sapporo Beer Museum). Essa é uma das mais famosas marcas de cervejas japonesas e conhecidas mundialmente.  A entrada do museu é de graça e você pode aprender sobre a história da cerveja Sapporo. Inclusive, encontramos um guia do museu que sabia falar espanhol e inglês.
    Ao término do passeio, existe uma área de “degustação”. Pagando 2 dólares por cerveja, você pode beber alguns tipos de cerveja produzidas pela Sapporo. Mas para as pessoas que não gostam de cerveja (como eu), a Sapporo produz, também, refrigerante (Napolin), um suco de grape fruit e chá. Essas bebidas não alcoólicas estão igualmente disponíveis para degustação.

Sapporo Beer Museum. Napolin, refrigerante produzido pela Sapporo e algumas das progagandas antigas da cerveja.


    Fechamos o nosso dia de passeios indo jantar em um centro comercial de Sapporo. Passamos pelas ruas de Susukino, uma das avenidas mais movimentadas da capital. Por lá, havia muita iluminação e algumas esculturas. Nessa avenida podem ser encontrados os maiores e mais caros restaurantes de caranguejo da província. O prato típico da região é o caranguejo rei (King Crab). Em alguns restaurantes, você pode escolher seu caranguejo antes de comer, pagando a pequena quantia de até 100 dólares.

Ruas de Susukino.


   Para fechar a noite com chave de ouro, aconteceu um terremoto em Sapporo. Chega até ser irônico, pois saí de Osaka, que quase não tem terremotos, e assim que piso em Hokkaido, acontece um terremoto forte. Ele foi de magnitude 6.8, com epicentro em Saporro. Foi o mais forte e longo terremoto que senti. Fiquei bem assustada, mas não houve ameaça de tsunami e nem um acidente...
   No segundo dia, decidimos ir a Chocolate Factory. Um fábrica de chocolate, que na verdade fabrica biscoitos. Nesse dia estava muito frio e tempestades de neve aconteciam a todo o momento.
   A fábrica é linda. Paga-se 5 dólares para entrar. Na entrada, são oferecidos pequenos cursos para fazer seu próprio biscoito. O tipo de biscoito e o tempo do curso é variado. Optamos por fazer o curso de biscoitos caseiros.
   Antes do curso, demos uma volta pela fábrica, que também era uma espécie de museu, que contava a história do chocolate. Descobri também que o chocolate usado nos biscoitos vem da Colômbia.  Em um determinado ponto do museu, existem observatórios para a fábrica de biscoito. O biscoito fabricado lá chama-se shiroi koibito (しろいこいびと - 白い恋人 - amante branco, em outras palavras).  Pode-se ver toda a linha de produção.

Chocolate Factory, biscoito shiroi koibito e linha de produção  do biscoito.


    O curso dos biscoitos foi muito divertido. Cada um pode escolher um sabor de biscoito (baunilha ou chocolate), as formas usadas para fazer os mesmo e os confeitos. Abrimos a massa, cortamos e confeitamos. Foi bem legal.

Fazendo biscoitos!

   Enquanto nossos biscoitos assavam, aproveitamos para comer bolos e doces na confeitaria da fábrica. Comi um rocambole produzido lá, com sorvete e calda de frutas vermelhas... O local tinha uma vista maravilhosa e com a tempestade de neve acontecendo do lado de fora, o ambiente ficava ainda melhor.
   Não só de chocolates e biscoitos vive a Chocolate Factory. Em outras partes do prédio, havia ainda um museu de brinquedos e de coisas antigas. Enfim, o passeio pela fábrica de chocolate foi bastante divertido e diversificado.
   O ponto final de nossa visita se deu na Sapporo Factory. Essa também era uma antiga fábrica da cerveja Sapporo, mas que foi desativada e transformada em um shopping. Para quem curte arquitetura, ver o aproveitamento que eles fizeram do galpão, organizando as lojas e restaurante, foi bem legal. E ao lado desse “velho” prédio, foi construído um mais moderno com outras lojas e restaurantes.
Sapporo Factory. Visão do velho e do novo!
   Bem, a essa foi um pouco da minha viagem a Hokkaido.  Apesar do frio, me diverti bastante e espero um dia poder voltar lá! ^^


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Feliz Ano Novo! あけましておめでとう!!

     2013 começou e vamos para a primeira postagem do novo ano!

     Bem, nesse post decidi falar um pouco sobre as tradições e comemorações de Ano Novo. No post que fiz ano passado comentei um pouco sobre isso, mas agora irei citar outras tradições.

     Primeiramente, akemashite omedetou ( あけましておめでとう 明けましておめでとう)! Essa é a expressão dita pelos japoneses para desejar feliz ano novo.




      Japoneses são bem superticiosos, por isso, gostam muito de fazer a passagem de ano (shōgatsu – しょがつ - 正月) em templos, ou assim que possível, ir aos mesmos, para pedir boa sorte e prosperidade ao novo ano. E nessa mesma oportunidade, eles compram amuletos (omamori – おまもり-お守り).  
     Um omamori bem característico do ano novo é uma flecha com fitas e uma placa com o animal do horóscopo chinês do ano. Como esse é o ano da cobra, esses omamoris vem com um desenho da cobra. Depois de comprar esse amuleto, alguns japoneses fazem uma espécie de peregrinação. Eles vão a diversos templos, levando essa flecha, para que esta seja abençoada.


Templos cheios no ano novo!


Amuleto: tábua com o animal do signo chinês (dragão foi o de 2012) e flecha.



     Outra tradição é tirar a sorte (omikuji – おみくじ - 御神籤). Os omikujis são uma série de gravetos em que a sorte está escrita. Em alguns templos, você paga cerca de 100 yens (equivalente a um dólar) e tem o direito de tirar um desses pauzinhos. Você deve balançar a urna que os contém e puxar o seu.


Omikuji.

   Você pode também tentar a sorte tirando um papel ( que também é um omikuji) que vem as previsões de como será o seu ano. Nesse papel é descrita a sorte relacionada aos estudos, saúde, negócios e amor... Não existe apenas o papel de boa sorte e má sorte, mas também papéis que descrevem uma mistura dos dois. Por exemplo, você pode ter muito boa sorte nos negócios, mas não ter sorte no amor. Caso você tire um papel de má sorte, você deve amarrá-lo em árvores do templo. Lá eles serão recolhidos e queimados, “acabando” com sua má sorte.   Esses papéis são escritos em japonês e alguns são bem difíceis de ler, pois usam kanjis antigos. No entanto, em alguns templos mais famosos, existem versões em inglês para aqueles que gostariam de tirar a sorte e não sabem ler em japonês. Esses papéis também são pagos.


Omikujis de papel. São de má sorte, por isso estão amarrados na árvore e no templo.


  Outra coisa bem legal são as plaquinhas dos desejos. Essas placas também são pagas e características de cada templo (com o símbolo, deus ou animal protetor do mesmo). Nelas podem ser escritas as coisas que você gostaria que acontecessem no ano. Elas são deixadas do templo, para que os “deuses” vejam os seus pedidos e os realizem. Alguns templos são famosos pelos pedidos de amor, e por isso vendem placas com corações, propícios para você pedir por seu verdadeiro amor.


Placas para desejos. Essas são para o amor!


   Todos os amuletos tem uma “validade” de um ano. Ou seja, no ano seguinte, você deve levar todos eles a um templo e deixá-los por lá, para que eles sejam queimados. Assim, você deve comprar novos, para que o ano seja igualmente abençoado.
   Muitos templo realizam cerimônias para pedir as bençãos de ano novo. Estive em Fushimi Inari, um templo com milhares de toris (portais – とり - 居 - nesse templo foram gravadas algumas cenas do filme “Memórias de uma Gueisha” ) e vi uma dessas atividades. .  Alguns japoneses pagavam uma determinada quantia e as sacerdotisas do templo cantavam uma música de boa sorte para as pessoas. Elas faziam uma espécie de dança e tocavam instrumentos clássicos como o koto ( こと – um instrumento de cordas dedilhadas) e o taiko ( um tambor – たいこ ). O preço da música depende do tempo de cantantoria do mantra e o quanto você quer pedir de bençãos. Uma música curta vale cerca de 10 dólares. Uma música longa, que pede muitas e muitas bençãos, vale cerca de 100 dólares.
    Outra tradição de ano novo é enviar cartões. Muitos japoneses enviam cartões para amigos, parentes e companheiros de trabalho, desejando boas coisas para o novo ano. Esses cartões ( nengajo – ねんがんじょ - 年賀devem chegar no primeiro dia do ano, por isso, os correios começam a ficar cheios em meados de dezembro.
    Já para as crianças, como celebração do novo ano, pais e familiares costumam dar envelopes com dinheiro. Os otoshidama (おとしだま お年) são bastante esperados pelos pequenos e a quantidade de dinheiro dada depende da idade da criança. No entanto, se a família tem mais de um filho, podem ser dadas quantias maiores.


Um exemplo de nengajo (cartão postal que celebra o ano novo) e otoshidama (envelope com dinheiro, dado as crianças).


    O  comércio também faz a sua celebração de ano novo. Algumas lojas fazem as chamadas “sacolas surpresas” (tanoshimi bukuro ou fukubukuro – たのしみぶくろ  楽しみ袋) em que você paga uma quantia “X” por uma sacola que pode ter qualquer produto da referida loja. Uma loja de cosméticos, por exemplo, pode oferecer várias maquiagens que seriam bem caras, por um preço mais módico. No entanto, nem sempre coisas úteis e boas vem nessas sacolas. No caso de peças de vestuário, não é possível escolher tamanho, pois como disse, as coisas são pela sorte. O que acontece muito é que, as pessoas que compram essas sacolas, ficam de tocaia na frente da loja e esperam outras pessoas comprarem também e tentam trocar as mercadorias que não gostaram ou não tem serventia. Isso torna as coisas bem divertidas.


Fukubukuro: sacolinhas surpresas, que fazem a alegria (ou tristeza) de muitos japas.

   Enfim, termino esse post de curiosidades desejando, novamente, um feliz ano novo a todos. Espero que todos tenham um 2013 bastante divertido e de sucesso! 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Transporte


Mais um post falando sobre o cotidiano do Japão. Acho que em alguns post comentei sobre o transporte aqui, mas nunca cheguei a me ater a muitos detalhes... Então vamos lá.
               O transporte aqui é muito bem organizado (ao contrário do Brasil). Aqui, ônibus e trens tem hora marcada para sair. Isso é tão rígido que se, por algum infortunio,  ocorre um atraso, os motoristas/maquinistas são obrigados a pedir desculpas.  Inclusive, existem aplicativos para smartphone que fornecem a hora exata dos trem e ônibus. Antes de vir para cá, era impensável um ônibus ser tão pontual. Em Brasília, já aconteceu de eu ficar uma hora no ponto de ônibus esperando e não aparecer um ônibus se quer para eu ir para casa.
               Bem, aqui vão algumas curiosidades sobre os dois meios de transporte:

    1)  Ônibus

   Em Osaka, você entra pela porta de trás do ônibus e sai pela frente. O pagamento é feito quando você sai, pois em alguns casos, a tarifa do ônibus é dependente da distância que você percorre.  Ao lado do motorista existe uma máquina em que você deve depositar o dinheiro, no momento em que você sai do ônibus. Essa mesma máquina realiza a troca do dinheiro, caso você não tenha a quantia certa, e ainda é equipada com um sensor para cartões (caso deseje, você pode adquirir um cartão pós ou pré-pago que pode ser usado em trens e ônibus).
   Já em Tokyo, o processo é inverso, entra-se pela frente e a saída é no fundo do ônibus. Sendo assim, o pagamento também deve ser feito no momento da entrada.
    Todos os ônibus são equipados com letreiros e telas, que fornecem algumas informações, como a tarifa que deve ser paga (de acordo com o ponto que você subiu e aonde você pretende descer) e o  trajeto que o ônibus vai percorrer.
    As tabelas de horários variam um pouco de acordo com os dias da semana, em que sábados, domingos e feriados, os intervalos entre os ônibus são um pouco maiores. Em dias de semana, por exemplo, o últmo ônibus que circula é 12:08 pm; no sábado passa a ser 11:08 pm e no domingo 10:08 pm.   
   
                       2)  Tranporte ferroviário

No Japão, podemos dizer, que existem quatro  “tipos” de transporte ferroviário: metrô, trem, o trem bala e o monorail. Bem, essa é minha forma de ver e não que seja uma classificação bem realística. Com relação ao trens (densha – でんしゃ電車),  em Osaka temos a JR (Japan Railway – pública) e as companhia privadas como Hankyu, Hanshin e Keihan. Já o metrô (tikatestsu – ちかてつ - 地下鉄) possui várias linhas distintas e companhias responsáveis por elas (na verdade nem sei bem que companhias são responsáveis pelo metrô de Osaka).   Em ambos os meios, você paga a tarifa correspondente ao trecho percorrido também.

Mapa das linhas de trem de Osaka.

O trem bala (shinkansen – 新幹線 - しんかんせん) é uma categoria a parte. Ele também pertece a JR, mas o preço é totalmente diferente.  Ele faz apenas paradas em algumas cidades, geralmente as maiores. Em alguns casos, dependendo de aonde você deseja ir, o preço de uma passagem de shinkasen é quase o preço de uma passagem de avião.
No Japão temos três tipos de trens bala, o Kodama, o Hikari e o Noozomi. Sendo o Kodama o mais “lento” e o Noozomi o mais rápido (não o que o mais lento seja realmente lento, mas o modelo do trem  mais novo é o Noozomi).  Como disse, o preço o ticket é um pouco salgado, mas o conforto e a facilidade são ótimas. Comprando um bilhete, você pode escolher a hora da sua viagem, pois geralmente um trem sai a cada meia hora. E os preços dos tickets também são relativos aos acentos escolhidos. Existe o reservado e o não reservado. Os tickets para acentos reservados são em vagões especiais e custam mais caros, pois o seu lugar é garantido na viagem. Já os não reservados são mais baratos e indicam que você pode se sentar em qualquer lugar. Isso também significa que você também pode fazer a viagem em pé, se todos os acentos estiverem cheios.  


Trem bala - noozomi. Visão de dentro do trem. Bilhete da minha viagem Tokyo-Osaka.

Como nos aviões, existem funcionários que passam vendendo comida. E o mais interessante é que eles vendem comidas de típicas dos trechos que o shinkasen percorre.
O monorail (monotrilho – monoreru – モノレール) é bem comum por aqui. Ele é um trem suspenso, em que o trilho fica situado em plataformas. Ele é um transporte mais limitado, não indo a muitos lugares e também o preço da passagem é mais caro que o dos trens e metrôs.  Se não me engano, estão querendo construir um monotrilho no Rio para a copa de 2014... Vejamos se isso acontece...

Quando se chega a uma estação de trem, existem as máquinas que você deve comprar o seu bilhete. Acima dessas, existe um mapa com os nomes das estações e o valor que deve ser pago para se chegar a estação desejada. O cartão pré ou pós-pago substitui a compra do bilhete.  Nesse caso, a máquina debita automaticamente o valor da passagem do mesmo. No entanto, caso você compre o ticket errado,  existem máquinas em que você pode fazer o ajuste do valor da passagem.


Cartões de trem e ônibus, pré-pago (icoca) e pós-pago (pitapa). Fotos das catracas das estações de trens e metrôs.

 Como comentei algumas vezes, nem todos os mapas das estações tem os nomes das estações em inglês, por isso, as vezes, se você não sabe nada de japonês, a sua vida pode se tornar meio complicada.

Estação de Akihabara em Tokyo. Estação de JR em Osaka, vista de cima. Estação de Minami Senri (perto do meu antigo dormitório)


Já o bilhete de shinkansen pode ser comprado em máquinas em separado ou em pontos específicos das estações de JR.
Quanto ao horários, os trens costumam parar um pouco depois da meia noite e só voltam a andar depois da cinco da manhã. Sendo assim, se você perder o último trem, sua única opção para voltar para casa é pegar um táxi.

3)  Táxi e outros

Táxis no Japão são bastante caros. Não é algo que se pode usar sempre.  Interessante é que aqui, os carros são equipados para abrir e fechar a porta de acordo com o comando do motorista. E outra curiosidade é que você pode pagar o táxi com o cartão de crédito.
Outro meio de transporte bastante usado pelos japas é a bicicleta. No caso dos estudantes estrangeiros, quase  99% possuem bicicletas. É um dos meios mais simples e baratos de se locomover.
Ao comprar uma bicicleta, você deve registrá-la. Esse registro é feito pela loja, mas é ligado a prefeitura em que você reside. Um número de identificação irá ser fixado a sua bicicleta, indicando que ela possui um dono. Em caso de acidentes e roubos, sua bicicleta poderá ser facilmente identificada por esses número.
Muitos policiais, de tempos em tempos, checam esses números em bicicletas nas ruas ou mesmo parando seus motoristas, para averiguar se as bicicletas foram roubadas ou se existe algo de errado com elas. Aqui também é obrigatório o uso de “buzinas” e faróis. E nada de dirigir bicicleta bêbado. Se você beber, deve ir para casa a pé, pois se você for parado por um policial dirigindo a sua magrela bêbado, isso pode te causar problemas.


Minhas experiências.

No começo, tinha muito medo de andar de trem. Devido ao meu péssimo japonês, sempre tive medo de me perder durante as baldeações e ir para em lugares desconhecidos.  Uma vez, isso aconteceu quando estava em Tokyo. Tinha ido a um show de J-rock no Tokyo Dome e estava voltando para meu hotel.  Saí da estação mais próxima e peguei um trem para Asakusa, aonde estávamos hospedados. Nesse trajeto, devia fazer baldeação em uma estação e assim o fiz. Como estava sozinha, quis confirmar com um funcionário da estação que eu estava fazendo o caminho certo. Mostrei a ele um papel em que estava anotado meu trajeto. O senhor me olhou e mandou eu voltar para o trem que eu tinha acabado de sair. Eu me assustei, mas fiz como ele me dissera. Acabei indo parar na estação de Shibuya, uma das maiores estações de Tokyo. Eu me desesperei, pois estava sozinha, sem saber falar quase nada de japonês, numa estação enorme. Para aumentar meu desespero, todas as áreas de informações estavam fechadas devido ao horário (passavam das 9 da noite).  Diante de tudo isso, juntei forças e parei um senhor para pedir informações. Veja bem, eu fiz algo que não é nada comum para um transeunte (fora que aqui há a fama de que as pessoas de Tokyo são chatas e não gostam de ser incomodadas, mesmo quando você quer pedir uma informação)... O que o desespero não faz? O senhor não sabia muito inglês, mas ele foi solidário, saindo de seu caminho para me levar até a plataforma em que eu deveria pegar o trem de volta (que por sinal, era do lado oposto que nós estávamos). No final, eu consegui chegar ao meu hotel!

Bem, como não tenho carteira internacional e nem dinheiro para comprar um carro, eu sou adepta aos ônibus e transportes ferroviários. Não tenho reclamações sobre eles. No Brasil, depender de transporte público é quase um suplício, pois com o nosso péssimo sistema de transporte, estar nos lugares de acordo com seu próprio schedule pode ser quase um desafio. Isso sem contar o transito. Nesse ponto, a eficiência japonesa nos meios de transporte é maravilhosa. Você pode marcar algo sem o risco de se atrasar por causa que o ônibus se atrasou! O único problema é quando chove e você sente falta do seu carro para te levar até a porta da sua casa.
Como relatei, os trens terminam seu funcionamento por volta da meia noite e meia, por isso todos se policiam para não perder o último trem (shuuden - しゅうでん - 終電). Já passei por várias situações, nesses dois anos, em que tive que sair correndo, que nem uma louca, para não perder o último trem e ficar na rua a noite toda. E nesse ponto, não só eu, como vários japoneses se desesperam e saem atropelando todo mundo para entrar no trem. 
Acho que a única exceção a tudo isso é Okinawa. Como comentei no post anterior, Okinawa só possui monorail.  Os ônibus por lá tem tabelas de horários, mas são muito espaçados, de maneira que se você perde o horário, leva-se no mínimo 30 minutos para pegar outro ônibus. Por isso, muitas pessoas optam por “alugar” táxis para andar por Okinawa. Os motoristas são bem compreensíveis e tentam fazer um preço mais “amigo” para os passageiros.

Já tive a experiência de viajar de shinkansen e é maravilhosa. Nessa viagem, eu fui de Tokyo a Osaka (aproximadamente 500km) em duas horas. É quase como andar de avião, mas sem sair do chão. Os vagões são equipados com wifi, tomadas e bancos super espaçosos e confortáveis. 

Acho que pude falar um pouquinho mais sobre um fato do cotidiano japonês. Espero que tenha sido interessante.